A Câmara dos Deputados tem hoje 513 deputados federais eleitos, distribuídos entre os estados e o Distrito Federal. A Bahia, por exemplo, tem 39 cadeiras.

Nas eleições de 2022, o TSE informou que a declaração de bens é obrigatória e inclui casas, apartamentos, fazendas, carros, motos, saldos bancários, aplicações financeiras e participação em empresas. Ou seja, é um retrato patrimonial, não uma declaração de renda mensal.
A ABEP afirma que o Critério Brasil classifica domicílios, não indivíduos, por capacidade de consumo. Já a FGV usa faixas de rendimento familiar per capita, não patrimônio declarado à Justiça Eleitoral.
Deputados federais nas classes B, C e D segundo as declarações eleitorais:
não mensurável oficialmente.
O que dá para afirmar com os dados disponíveis é que pelo recorte patrimonial dos 513 deputados eleitos em 2022, estudos com base nos dados do TSE apontam que o patrimônio declarado total chegou a cerca de R$ 1,5 bilhão. A mediana foi de R$ 1 milhão e a média ficou em torno de R$ 3 milhões por deputado.
A distribuição aproximada por patrimônio declarado foi:
| Faixa de patrimônio declarado | Percentual | Número aproximado |
| Sem patrimônio declarado | 2,9% | 15 deputados |
| R$ 100 mil a R$ 500 mil | 20,1% | 103 deputados |
| R$ 500 mil a R$ 1 milhão | 19,1% | 98 deputados |
| R$ 1 milhão a R$ 2 milhões | 21,6% | 111 deputados |
| R$ 2 milhões a R$ 5 milhões | 18,9% | 97 deputados |
| Acima de R$ 10 milhões | 5,1% | 26 deputados |
Esses números não significam classe B, C ou D. Eles mostram outra coisa: a Câmara é majoritariamente composta por pessoas com patrimônio muito acima da realidade média brasileira.
Para mim, o dado mais importante não é apenas saber quem é rico ou quem declarou menos patrimônio. O ponto central é perceber que a representação política do povo brasileiro é formada, em grande parte, por uma elite patrimonial.
Enquanto boa parte da população vive discutindo salário, aluguel, conta de luz, comida e transporte, muitos dos que votam o orçamento público chegam ao mandato com patrimônio milionário. Isso não torna ninguém culpado por ser rico, mas levanta uma pergunta necessária: até que ponto uma Câmara tão distante economicamente do Brasil real consegue sentir, com urgência, as dores de quem vive nas classes C, D e E?
Não há como calcular oficialmente e classificar os eleitos por classes sociais, porque a Justiça Eleitoral divulga bens declarados, não renda familiar.
Mas se a análise for pelo patrimônio declarado, o retrato é claro: a Câmara dos Deputados tem forte concentração de riqueza. A discussão não é só contábil, é social. Por trás dos números estão decisões sobre escola, saúde, emprego, impostos e programas que afetam diretamente quem está longe desse padrão patrimonial.

















