A Copa do Mundo de 2026 começou nesta quinta-feira, 11 de junho, com México x África do Sul, no Estádio Azteca, na Cidade do México. O torneio será disputado até 19 de julho, com 48 seleções, 104 partidas e sedes no México, Canadá e Estados Unidos.

No meio desse clima mundial, Úrsula, moradora do Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú, entrou na tradição dos animais que “palpitam” resultados de jogos. A dinâmica é simples: dois recipientes iguais, cada um identificado com uma seleção, são colocados no habitat do animal. A primeira escolha vira a previsão simbólica.
Segundo informações divulgadas sobre a ação, Úrsula indicou vitória da África do Sul contra o México, triunfo do Canadá contra a Bósnia, vitória do Paraguai sobre os Estados Unidos e vitória do Brasil diante do Marrocos.
O primeiro palpite, porém, já encontrou a realidade dura do futebol: o México venceu a África do Sul por 2 a 0 na abertura do Mundial.
Mais do que acertar ou errar placar, a brincadeira funciona como porta de entrada para falar sobre educação ambiental. Para mim, o ponto mais interessante é justamente esse: uma ação leve, quase de arquibancada, consegue puxar o olhar do público para um animal que muita gente conhece só por vídeos curiosos.
Os polvos estão entre os invertebrados mais inteligentes do planeta. O Museu de História Natural de Londres informa que o polvo-comum tem cerca de 500 milhões de neurônios, sendo aproximadamente dois terços distribuídos pelos braços.
Esse detalhe ajuda a explicar por que eles impressionam tanto. Polvos exploram o ambiente, manipulam objetos e resolvem desafios com uma habilidade rara entre animais sem coluna vertebral.
A ação também resgata a memória do famoso polvo Paul, que ganhou repercussão internacional na Copa de 2010 por seus palpites durante o torneio. Agora, em versão brasileira, Úrsula vira personagem de uma história que mistura futebol, turismo, ciência e curiosidade popular.
O Oceanic Aquarium, aberto ao público no fim de 2019, informa que reúne mais de 170 espécies em mais de 30 habitats, com cerca de um milhão de litros de água.
É nesse ambiente que a ação com Úrsula tenta transformar visitação em aprendizado. Não se trata de previsão científica, mas de uma estratégia de aproximação com o público.
Enquanto a Copa move bilhões, lota estádios e muda a rotina de países inteiros, em Balneário Camboriú a história aparece de outro jeito: uma polvo diante de dois potes, crianças curiosas em volta, adultos filmando no celular e a velha vontade humana de tentar adivinhar o futuro.
O futebol sempre teve dessas coisas. Tem estatística, análise tática, superstição, camisa da sorte e palpite de família no almoço. Úrsula entra nesse território mais afetivo do que racional. O valor da cena não está em “prever” resultado, mas em fazer alguém parar por alguns minutos e perguntar: como vive um polvo? Por que ele é tão inteligente? O que existe no fundo do mar que a gente ainda conhece pouco?
Quando a educação ambiental consegue nascer de uma brincadeira, ela ganha uma chance maior de ficar na memória.
Úrsula pode até errar placar, como aconteceu na abertura da Copa, mas acertou em outro ponto: virou assunto e colocou a vida marinha no centro da conversa. Em tempos de Mundial, quando quase tudo gira em torno da bola, a polvo catarinense lembra que curiosidade também educa.
Fonte: Patricia Zomer


















