
O Irã anunciou a descoberta de uma grande reserva de gás natural no sul da província de Fars. Segundo o ministro do Petróleo, Mohsen Paknejad, o campo contém mais de 7,5 trilhões de pés cúbicos de gás, o equivalente a aproximadamente 212,4 bilhões de metros cúbicos. A informação foi divulgada pela mídia estatal iraniana no domingo (23).
Nem todo o volume encontrado poderá ser retirado do subsolo. Considerando a taxa de recuperação estimada para o campo, o governo iraniano calcula que cerca de 5,7 trilhões de pés cúbicos sejam efetivamente recuperáveis. O número corresponde a uma taxa superior a 72% do gás identificado.
O volume recuperável, segundo Paknejad, seria suficiente para sustentar por aproximadamente 15 anos uma produção equivalente à de uma fase do complexo de South Pars, principal área produtora de gás do país. A estimativa é do governo iraniano e dependerá do desenvolvimento e da futura exploração comercial do campo.
Outro ponto citado pelo ministro é a composição do gás. Paknejad classificou a descoberta como de gás “doce”, denominação usada para reservas com baixa concentração de compostos de enxofre. Essa característica tende a reduzir os custos de tratamento, desenvolvimento e operação.
A descoberta ocorre em um momento delicado para o setor energético iraniano. O país trabalha na recuperação de instalações atingidas durante o conflito com Israel e os Estados Unidos. Antes da guerra, a produção iraniana de gás era estimada em aproximadamente 650 milhões de metros cúbicos por dia.
Em julho, autoridades iranianas afirmaram que pretendiam recuperar cerca de 100 milhões de metros cúbicos diários de capacidade produtiva nos meses seguintes. Os ataques e interrupções ocorridos desde o início do conflito, no fim de fevereiro, haviam reduzido a produção em aproximadamente 230 milhões de metros cúbicos por dia, segundo informações divulgadas pelo governo e reproduzidas pela Reuters.
Apesar do tamanho anunciado da reserva, a descoberta não significa aumento imediato da oferta de gás. O campo ainda precisará passar pelas etapas de desenvolvimento necessárias para que o volume tecnicamente recuperável possa entrar em produção comercial.















