
O Governo Federal anunciou nesta quinta-feira, 20 de agosto, um conjunto de projetos estimado em R$ 2,5 bilhões para ampliar a capacidade brasileira de desenvolver e treinar modelos de inteligência artificial. As iniciativas envolvem supercomputação, armazenamento de dados, formação profissional, desenvolvimento de chips e criação de mecanismos de transparência algorítmica.
O principal projeto prevê a compra, por meio de edital competitivo, de um supercomputador avaliado em aproximadamente R$ 1 bilhão. A máquina deverá alcançar 7.200 petaflops em operações de 16 bits, padrão utilizado em aplicações de inteligência artificial.
O equipamento está previsto para ser instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, na Região Metropolitana de Natal. A execução ficará sob responsabilidade do Laboratório Nacional de Computação Científica, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
A previsão apresentada pelo governo é que o supercomputador comece a operar no fim de 2027. Portanto, a capacidade anunciada ainda depende da publicação do edital, da contratação do fornecedor, da instalação e do cumprimento do cronograma.
Quando entrar em funcionamento, a estrutura poderá ser utilizada por universidades, empresas, startups, instituições científicas e órgãos públicos. O projeto também prevê transferência de tecnologia e a capacitação de 5 mil brasileiros em cinco anos.
Outra frente será implantada no Rio de Janeiro pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, em parceria com as empresas chinesas Huawei e iFlytek. O investimento estimado é de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos, com início das operações previsto para julho de 2027.
O projeto inclui uma nova infraestrutura de supercomputação, formação de profissionais, transferência de tecnologia e desenvolvimento de modelos de linguagem em português. A proposta prevê ainda a capacitação de 3 mil pessoas em cinco anos.
Além dessas duas estruturas, o Brasil pretende participar do desenvolvimento de chips baseados na arquitetura aberta RISC-V. Essa tecnologia permite criar e adaptar componentes sem depender exclusivamente de sistemas proprietários controlados por poucas empresas. Trata-se, porém, de uma estratégia de longo prazo, com horizonte estimado entre 10 e 15 anos.
O pacote também prevê a estruturação da chamada Nuvem Brasileira. Um acordo de cooperação entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, o Serpro e o BNDES dará início aos estudos sobre o modelo tecnológico e comercial do projeto.
A intenção é desenvolver uma alternativa nacional para armazenamento e processamento de dados, com padrões abertos e interoperáveis. A proposta ainda está em fase de estruturação e deverá passar por uma consulta ao mercado antes da definição da tecnologia e dos fornecedores.
As iniciativas fazem parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028. O plano reúne projetos voltados à pesquisa, formação profissional, inovação empresarial e melhoria dos serviços públicos. O valor previsto está registrado nos documentos oficiais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O governo anunciou ainda a implantação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, sob responsabilidade de um centro de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais.
A unidade deverá desenvolver estudos e ferramentas para avaliar riscos, segurança, possíveis vieses, explicabilidade e rastreabilidade dos sistemas de inteligência artificial. O centro terá função técnico-científica e não substituirá os órgãos responsáveis por fiscalização ou aplicação de sanções.
A expectativa é que a nova capacidade computacional reduza a dependência de infraestrutura contratada no exterior e amplie as condições para pesquisas e aplicações em saúde, agricultura, indústria, previsão climática e serviços públicos.
O alcance dos projetos, no entanto, dependerá da execução dos investimentos, do cumprimento dos prazos e da efetiva transferência de tecnologia. Os anúncios representam uma etapa de planejamento e contratação, pois a maior parte das estruturas ainda não está em funcionamento. Os detalhes financeiros e técnicos do pacote também foram confirmados em apuração publicada pela Folha de S.Paulo.















