Bahia lidera setor formal de serviços no Norte e Nordeste

Estado tinha quase 65 mil empresas, cerca de 646 mil trabalhadores e receita bruta de R$ 111,2 bilhões em 2024, segundo o IBGE

Por Murillo Vazquez
27/08/2026

Publicado em - -

NOTICIA OXAROPE_127AGO26_1

O tamanho dessa engrenagem coloca a Bahia numa posição de destaque também no cenário nacional. O estado tinha, em 31 de dezembro de 2024, o 7º maior número de empresas formais de serviços do Brasil, respondendo por 3,4% das 1,919 milhão de empresas existentes no país e por 28,5% das unidades registradas no Nordeste.

São Paulo aparecia muito à frente, com 697.625 empresas, seguido por Minas Gerais, com 203.808, e Rio de Janeiro, com 155.728. Ainda assim, entre todos os estados das regiões Norte e Nordeste, ninguém superava a Bahia.

A mesma posição se repetia no emprego. As empresas baianas mantinham 645.999 trabalhadores, também o 7º maior contingente nacional. Isso significava 4,1% das pessoas ocupadas no setor no Brasil e 26,5% de todos os trabalhadores das empresas de serviços no Nordeste.

A receita bruta fechou o desenho: R$ 111,228 bilhões, novamente o 7º maior resultado entre os estados. A Bahia sozinha respondeu por 29% dos R$ 383,385 bilhões movimentados pelo setor no Nordeste.

A PAS investiga as características estruturais das empresas prestadoras de serviços não financeiros, reunindo informações sobre faturamento, ocupação, salários, despesas e outras variáveis econômicas. O levantamento tem abrangência nacional e apresenta resultados também por estados e grandes regiões.

Há um cuidado importante na leitura desses números. O IBGE informa que 2024 marca uma quebra na série histórica, em razão de mudanças no indicador de atividade das empresas na Relação Anual de Informações Sociais, a RAIS, e da adoção de novo critério para identificar unidades ativas.

Na prática, isso significa que não é correto olhar para os dados de 2024 e calcular crescimento ou queda em relação aos anos anteriores como se a metodologia tivesse permanecido igual.

Quem liderou a geração de receita foram os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio. Mesmo com 6.408 empresas e 114.862 trabalhadores, apenas o terceiro maior contingente entre os segmentos analisados, a atividade movimentou R$ 36,231 bilhões.

Esse valor representou 32,6% de toda a receita bruta dos serviços pesquisados na Bahia.

Logo atrás vieram os serviços profissionais, administrativos e complementares, com R$ 35,890 bilhões, equivalentes a 32,3% do total estadual.

Só esses dois grupos, portanto, concentraram quase dois terços da receita do setor baiano.

Dentro dos transportes, o transporte rodoviário foi o grande motor, com receita de R$ 21,780 bilhões.

Não é difícil ligar o número à realidade. A Bahia tem território enorme, municípios separados por centenas de quilômetros e uma economia que depende diariamente de caminhões, ônibus, vans, operadores logísticos e serviços de distribuição. Mercadoria não chega ao supermercado, produto não sai da fábrica e encomenda não bate na porta sem transporte no meio da história.

No quadro nacional, a PAS 2024 mostrou um setor de serviços com cerca de 15,9 milhões de pessoas ocupadas, reforçando o peso dessa atividade na estrutura econômica brasileira.

A liderança da Bahia no Norte-Nordeste é relevante, mas talvez o dado mais interessante esteja escondido na combinação entre emprego e faturamento.

De um lado, os serviços profissionais e administrativos concentram quase metade dos trabalhadores. Do outro, o transporte consegue gerar a maior receita com um contingente bem menor de empresas e empregados.

Isso mostra economias bastante diferentes convivendo debaixo da mesma palavra, “serviços”.

Tem atividade que depende intensamente de mão de obra. Tem outra que exige caminhão, combustível, infraestrutura, tecnologia, armazenagem e capital pesado. Colocar tudo na mesma gaveta pode facilitar a estatística, mas a vida econômica é bem mais bagunçada do que a tabela.

Também é preciso fugir da tentação de transformar liderança regional em sinal automático de prosperidade espalhada por todo o estado. Uma receita de R$ 111 bilhões não significa que o dinheiro circule com a mesma força em Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Juazeiro, Barreiras, Porto Seguro ou numa cidade pequena do interior.

A pergunta que fica depois da manchete é outra: quanto dessa força empresarial consegue virar emprego de qualidade, renda maior, negócios duradouros e desenvolvimento fora dos grandes centros?

A Pesquisa Anual de Serviços mostra uma Bahia com peso empresarial suficiente para comandar o setor formal no Norte-Nordeste e aparecer entre os maiores mercados do país.

São quase 65 mil empresas, 646 mil trabalhadores e mais de R$ 111 bilhões em receita bruta.

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Estado tinha quase 65 mil empresas, cerca de 646 mil trabalhadores e receita bruta de R$ 111,2 bilhões em 2024, segundo o IBGE

Por Murillo Vazquez
27/08/2026 - 12h00 - Atualizado 27 de agosto de 2026

Publicado em - -

NOTICIA OXAROPE_127AGO26_1

O tamanho dessa engrenagem coloca a Bahia numa posição de destaque também no cenário nacional. O estado tinha, em 31 de dezembro de 2024, o 7º maior número de empresas formais de serviços do Brasil, respondendo por 3,4% das 1,919 milhão de empresas existentes no país e por 28,5% das unidades registradas no Nordeste.

São Paulo aparecia muito à frente, com 697.625 empresas, seguido por Minas Gerais, com 203.808, e Rio de Janeiro, com 155.728. Ainda assim, entre todos os estados das regiões Norte e Nordeste, ninguém superava a Bahia.

A mesma posição se repetia no emprego. As empresas baianas mantinham 645.999 trabalhadores, também o 7º maior contingente nacional. Isso significava 4,1% das pessoas ocupadas no setor no Brasil e 26,5% de todos os trabalhadores das empresas de serviços no Nordeste.

A receita bruta fechou o desenho: R$ 111,228 bilhões, novamente o 7º maior resultado entre os estados. A Bahia sozinha respondeu por 29% dos R$ 383,385 bilhões movimentados pelo setor no Nordeste.

A PAS investiga as características estruturais das empresas prestadoras de serviços não financeiros, reunindo informações sobre faturamento, ocupação, salários, despesas e outras variáveis econômicas. O levantamento tem abrangência nacional e apresenta resultados também por estados e grandes regiões.

Há um cuidado importante na leitura desses números. O IBGE informa que 2024 marca uma quebra na série histórica, em razão de mudanças no indicador de atividade das empresas na Relação Anual de Informações Sociais, a RAIS, e da adoção de novo critério para identificar unidades ativas.

Na prática, isso significa que não é correto olhar para os dados de 2024 e calcular crescimento ou queda em relação aos anos anteriores como se a metodologia tivesse permanecido igual.

Quem liderou a geração de receita foram os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio. Mesmo com 6.408 empresas e 114.862 trabalhadores, apenas o terceiro maior contingente entre os segmentos analisados, a atividade movimentou R$ 36,231 bilhões.

Esse valor representou 32,6% de toda a receita bruta dos serviços pesquisados na Bahia.

Logo atrás vieram os serviços profissionais, administrativos e complementares, com R$ 35,890 bilhões, equivalentes a 32,3% do total estadual.

Só esses dois grupos, portanto, concentraram quase dois terços da receita do setor baiano.

Dentro dos transportes, o transporte rodoviário foi o grande motor, com receita de R$ 21,780 bilhões.

Não é difícil ligar o número à realidade. A Bahia tem território enorme, municípios separados por centenas de quilômetros e uma economia que depende diariamente de caminhões, ônibus, vans, operadores logísticos e serviços de distribuição. Mercadoria não chega ao supermercado, produto não sai da fábrica e encomenda não bate na porta sem transporte no meio da história.

No quadro nacional, a PAS 2024 mostrou um setor de serviços com cerca de 15,9 milhões de pessoas ocupadas, reforçando o peso dessa atividade na estrutura econômica brasileira.

A liderança da Bahia no Norte-Nordeste é relevante, mas talvez o dado mais interessante esteja escondido na combinação entre emprego e faturamento.

De um lado, os serviços profissionais e administrativos concentram quase metade dos trabalhadores. Do outro, o transporte consegue gerar a maior receita com um contingente bem menor de empresas e empregados.

Isso mostra economias bastante diferentes convivendo debaixo da mesma palavra, “serviços”.

Tem atividade que depende intensamente de mão de obra. Tem outra que exige caminhão, combustível, infraestrutura, tecnologia, armazenagem e capital pesado. Colocar tudo na mesma gaveta pode facilitar a estatística, mas a vida econômica é bem mais bagunçada do que a tabela.

Também é preciso fugir da tentação de transformar liderança regional em sinal automático de prosperidade espalhada por todo o estado. Uma receita de R$ 111 bilhões não significa que o dinheiro circule com a mesma força em Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Juazeiro, Barreiras, Porto Seguro ou numa cidade pequena do interior.

A pergunta que fica depois da manchete é outra: quanto dessa força empresarial consegue virar emprego de qualidade, renda maior, negócios duradouros e desenvolvimento fora dos grandes centros?

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