Fachin promete resposta rigorosa à crise no STF

Por Murillo Vazquez
05/09/2026

Publicado em - -

NOTICIA OXAROPE_2_05set26_3

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira, 4 de setembro, em Brasília, que a Corte vai apurar os acontecimentos recentes sem “atalhos”, mas também sem omissão. Diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de representantes do sistema de Justiça, o ministro prometeu uma resposta “firme, proporcional e rigorosa”.

O pronunciamento ocorreu no Palácio do Planalto, durante a cerimônia de sanção de leis que criam fundos destinados à modernização da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público da União. Entre eles estão o Fundo Especial da Justiça Federal, o Fejufe, e o Fundo Especial do STJ, o FESTJ.

Mas foi a crise vivida dentro do próprio Supremo que dominou a parte mais sensível da fala de Fachin.

Um dia antes, o presidente do STF havia aberto um procedimento para apurar possíveis irregularidades na condução de investigações da Polícia Federal envolvendo autoridades com foro na Corte. Na Petição 16.704, Fachin determinou que os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresentassem esclarecimentos por escrito.

Nesta sexta-feira, o presidente do Supremo tomou novas providências. Documentos enviados por Alexandre de Moraes, incluindo material relacionado ao Inquérito 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News, foram direcionados ao procedimento aberto pela Presidência. A Procuradoria-Geral da República recebeu prazo de cinco dias úteis para se manifestar sobre a admissibilidade e a regularidade do caso. Depois, André Mendonça também poderá apresentar suas considerações.

Fachin fez questão de deixar uma linha bem marcada: as medidas adotadas servem, por enquanto, para reunir informações e não representam julgamento antecipado sobre a validade das condutas investigadas.

Foi nesse ambiente de pressão que veio o recado público.

“Nenhuma autoridade está acima da Constituição”, afirmou o ministro, acrescentando que a gravidade da situação não permite soluções fora das regras legais.

A crise ultrapassa a relação entre ministros. O que tá em jogo é a confiança do cidadão nas instituições que têm justamente a função de interpretar a Constituição, controlar abusos e garantir que investigações e julgamentos respeitem regras mínimas.

Quando surgem questionamentos sobre procedimentos envolvendo ministros do Supremo, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República, o assunto rapidamente sai dos gabinetes de Brasília e chega à conversa da rua.

E chega de um jeito simples: quem fiscaliza quem?

Pra mim, o ponto que mais chama atenção é justamente esse. Quando uma instituição cobra respeito às regras de todo mundo, ela também precisa demonstrar, com transparência, que as mesmas regras funcionam dentro de casa.

Fachin parece ter escolhido esse terreno ao insistir no devido processo legal, no contraditório e nas garantias constitucionais. A fala não oferece uma solução instantânea, mas estabelece que eventuais responsabilidades devem ser analisadas dentro de um procedimento formal.

“Não haverá precipitação, mas tampouco omissão”, declarou.

O pronunciamento ganhou peso porque Fachin colocou publicamente três objetivos de sua gestão no centro da resposta à turbulência: criação de um código de ética, encerramento do Inquérito das Fake News e modernização do sistema de Justiça.

O Inquérito 4.781 foi aberto em 2019 e permanece em andamento anos depois. A duração e a abrangência do procedimento viraram motivo de debate dentro e fora do meio jurídico. Agora, o próprio presidente do STF apresenta seu encerramento como uma das metas urgentes da administração da Corte.

O discurso de Fachin também foi interpretado como uma tentativa de reafirmar a autoridade institucional da Presidência do Supremo num momento de tensão interna. A mensagem central foi de que nenhuma decisão deve ser tomada de forma improvisada apenas pra responder à pressão política ou pública.

Ao mesmo tempo, o ministro elevou a cobrança sobre a própria Corte ao afirmar que haverá uma resposta proporcional e rigorosa.

É uma frase que cria expectativa. E expectativa institucional cobra resultado.

O Supremo vive daqueles momentos em que uma nota oficial deixa de ser apenas uma nota oficial.

Quando o presidente da Corte precisa dizer em público que nenhuma autoridade está acima da Constituição e que não haverá omissão, isso mostra que o problema já ultrapassou o ruído rotineiro entre gabinetes.

Também mostra uma dificuldade que acompanha instituições poderosas: transparência quase sempre é fácil de defender quando a cobrança tá do lado de fora. Quando o foco entra pela porta e chega aos próprios integrantes, a conversa muda de temperatura.

Em vez de apresentar culpados antes da apuração, abriu prazos, pediu manifestações e concentrou documentos num procedimento específico. Juridicamente, é uma escolha coerente com o discurso de devido processo que apresentou no Planalto.

Código de ética não pode virar peça bonita pra cerimônia. Encerrar um inquérito tão longo também exige explicações claras sobre o que foi produzido, o que ainda precisa ser analisado e por que chegou o momento de colocar um ponto final.

O brasileiro já viu muita crise terminar numa sala fechada, num comunicado curto e numa mudança de assunto depois do fim de semana. Desta vez, pela dimensão das autoridades envolvidas, qualquer impressão de solução corporativa teria custo alto pra credibilidade do sistema de Justiça.

Fachin escolheu a Constituição como eixo de sua primeira resposta pública mais dura aos acontecimentos recentes dentro do Supremo. Disse que não haverá atalho, precipitação nem omissão.

Agora vem a parte que discurso nenhum consegue substituir: transformar essas palavras em decisões verificáveis, transparentes e iguais para todos.

Porque, quando o presidente do STF diz que ninguém está acima da lei, o país inteiro passa a observar como essa frase funciona quando a lei bate à porta do próprio Supremo.

Mais recentes

Porto Seguro abre inscrições para 6 editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura

Após a publicação no Diário Oficial do Município, nesta terça-feira (20/10), a Superintendência de Cultura faz o…

Prefeitura de Eunápolis reforça prevenção à dengue durante período de chuvas e calor

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, alerta a população para a importância…

CDL protocola ofício na Prefeitura e solicita previsão para decoração natalina em Eunápolis

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Eunápolis protocolou um ofício junto à Prefeitura Municipal solicitando informações…

Prefeitura de Eunápolis fortalece agricultura familiar e amplia serviços de recuperação das estradas rurais

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, dá continuidade às ações de apoio…

Operação Mulher Segura registra 57.790 prisões em 141 dias

Coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a operação começou em 1º de junho e passou…

Fachin promete resposta rigorosa à crise no STF

Por Murillo Vazquez
05/09/2026 - 13h12 - Atualizado 5 de setembro de 2026

Publicado em - -

NOTICIA OXAROPE_2_05set26_3

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira, 4 de setembro, em Brasília, que a Corte vai apurar os acontecimentos recentes sem “atalhos”, mas também sem omissão. Diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de representantes do sistema de Justiça, o ministro prometeu uma resposta “firme, proporcional e rigorosa”.

O pronunciamento ocorreu no Palácio do Planalto, durante a cerimônia de sanção de leis que criam fundos destinados à modernização da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público da União. Entre eles estão o Fundo Especial da Justiça Federal, o Fejufe, e o Fundo Especial do STJ, o FESTJ.

Mas foi a crise vivida dentro do próprio Supremo que dominou a parte mais sensível da fala de Fachin.

Um dia antes, o presidente do STF havia aberto um procedimento para apurar possíveis irregularidades na condução de investigações da Polícia Federal envolvendo autoridades com foro na Corte. Na Petição 16.704, Fachin determinou que os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresentassem esclarecimentos por escrito.

Nesta sexta-feira, o presidente do Supremo tomou novas providências. Documentos enviados por Alexandre de Moraes, incluindo material relacionado ao Inquérito 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News, foram direcionados ao procedimento aberto pela Presidência. A Procuradoria-Geral da República recebeu prazo de cinco dias úteis para se manifestar sobre a admissibilidade e a regularidade do caso. Depois, André Mendonça também poderá apresentar suas considerações.

Fachin fez questão de deixar uma linha bem marcada: as medidas adotadas servem, por enquanto, para reunir informações e não representam julgamento antecipado sobre a validade das condutas investigadas.

Foi nesse ambiente de pressão que veio o recado público.

“Nenhuma autoridade está acima da Constituição”, afirmou o ministro, acrescentando que a gravidade da situação não permite soluções fora das regras legais.

A crise ultrapassa a relação entre ministros. O que tá em jogo é a confiança do cidadão nas instituições que têm justamente a função de interpretar a Constituição, controlar abusos e garantir que investigações e julgamentos respeitem regras mínimas.

Quando surgem questionamentos sobre procedimentos envolvendo ministros do Supremo, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República, o assunto rapidamente sai dos gabinetes de Brasília e chega à conversa da rua.

E chega de um jeito simples: quem fiscaliza quem?

Pra mim, o ponto que mais chama atenção é justamente esse. Quando uma instituição cobra respeito às regras de todo mundo, ela também precisa demonstrar, com transparência, que as mesmas regras funcionam dentro de casa.

Fachin parece ter escolhido esse terreno ao insistir no devido processo legal, no contraditório e nas garantias constitucionais. A fala não oferece uma solução instantânea, mas estabelece que eventuais responsabilidades devem ser analisadas dentro de um procedimento formal.

“Não haverá precipitação, mas tampouco omissão”, declarou.

O pronunciamento ganhou peso porque Fachin colocou publicamente três objetivos de sua gestão no centro da resposta à turbulência: criação de um código de ética, encerramento do Inquérito das Fake News e modernização do sistema de Justiça.

O Inquérito 4.781 foi aberto em 2019 e permanece em andamento anos depois. A duração e a abrangência do procedimento viraram motivo de debate dentro e fora do meio jurídico. Agora, o próprio presidente do STF apresenta seu encerramento como uma das metas urgentes da administração da Corte.

O discurso de Fachin também foi interpretado como uma tentativa de reafirmar a autoridade institucional da Presidência do Supremo num momento de tensão interna. A mensagem central foi de que nenhuma decisão deve ser tomada de forma improvisada apenas pra responder à pressão política ou pública.

Ao mesmo tempo, o ministro elevou a cobrança sobre a própria Corte ao afirmar que haverá uma resposta proporcional e rigorosa.

É uma frase que cria expectativa. E expectativa institucional cobra resultado.

O Supremo vive daqueles momentos em que uma nota oficial deixa de ser apenas uma nota oficial.

Quando o presidente da Corte precisa dizer em público que nenhuma autoridade está acima da Constituição e que não haverá omissão, isso mostra que o problema já ultrapassou o ruído rotineiro entre gabinetes.

Também mostra uma dificuldade que acompanha instituições poderosas: transparência quase sempre é fácil de defender quando a cobrança tá do lado de fora. Quando o foco entra pela porta e chega aos próprios integrantes, a conversa muda de temperatura.

Em vez de apresentar culpados antes da apuração, abriu prazos, pediu manifestações e concentrou documentos num procedimento específico. Juridicamente, é uma escolha coerente com o discurso de devido processo que apresentou no Planalto.

Código de ética não pode virar peça bonita pra cerimônia. Encerrar um inquérito tão longo também exige explicações claras sobre o que foi produzido, o que ainda precisa ser analisado e por que chegou o momento de colocar um ponto final.

O brasileiro já viu muita crise terminar numa sala fechada, num comunicado curto e numa mudança de assunto depois do fim de semana. Desta vez, pela dimensão das autoridades envolvidas, qualquer impressão de solução corporativa teria custo alto pra credibilidade do sistema de Justiça.

Fachin escolheu a Constituição como eixo de sua primeira resposta pública mais dura aos acontecimentos recentes dentro do Supremo. Disse que não haverá atalho, precipitação nem omissão.

Agora vem a parte que discurso nenhum consegue substituir: transformar essas palavras em decisões verificáveis, transparentes e iguais para todos.

Porque, quando o presidente do STF diz que ninguém está acima da lei, o país inteiro passa a observar como essa frase funciona quando a lei bate à porta do próprio Supremo.

Mais recentes

Porto Seguro abre inscrições para 6 editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura

Após a publicação no Diário Oficial do Município, nesta terça-feira (20/10), a Superintendência de Cultura faz o chamamento para inscrições do Ciclo 2, da Política…

Prefeitura de Eunápolis reforça prevenção à dengue durante período de chuvas e calor

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, alerta a população para a importância de intensificar os cuidados contra o Aedes aegypti,…

CDL protocola ofício na Prefeitura e solicita previsão para decoração natalina em Eunápolis

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Eunápolis protocolou um ofício junto à Prefeitura Municipal solicitando informações sobre o cronograma de instalação da decoração natalina…

Prefeitura de Eunápolis fortalece agricultura familiar e amplia serviços de recuperação das estradas rurais

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, dá continuidade às ações de apoio aos produtores rurais, fortalecimento da agricultura familiar e…

Operação Mulher Segura registra 57.790 prisões em 141 dias

Coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a operação começou em 1º de junho e passou a ter caráter permanente, com participação das forças…

Entre redes, marés e tradições, mulheres fortalecem a pesca artesanal no litoral baiano

Antes de chegar às feiras, aos restaurantes ou à mesa das famílias, o pescado percorre uma cadeia de trabalho que começa nas águas dos rios,…

Setur-BA e Air France alinham comemoração de dois anos de operação do voo entre Paris e Salvador

O titular da Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA), Maurício Bacelar, teve uma reunião on-line com dirigentes da Air France, para alinhar ações conjuntas na…

BRs na Bahia entram em plano de ampliação do sinal de celular

Motoristas que percorrem as BRs 101, 242, 116 e 135, na Bahia, estão entre os beneficiários previstos pela Política Nacional de Conectividade em Rodovias. Segundo…

Inscrições abertas para a 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do IFBA Eunápolis

Destacar o protagonismo feminino na produção, na divulgação e na democratização do conhecimento científico é o principal objetivo da 23ª Semana Nacional de Ciência e…

OAB de Eunápolis cobra esclarecimentos e ações contra a violência

A Ordem dos Advogados do Brasil, por meio da Subseção de Eunápolis, cobrou esclarecimentos das autoridades sobre os acontecimentos registrados no município em 16 de…

Seleção de Eunápolis vence Cabrália, mantém invencibilidade e lidera a Copa CONDESC 2026

A seleção de Eunápolis mostrou força, determinação e espírito de equipe ao vencer Cabrália por 2 a 1, de virada, no último domingo (18), pela…

Defesa Civil atualiza levantamento sobre queda de árvores em Trancoso

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Proteção e Defesa Civil, divulgou, na manhã deste domingo, 18, uma atualização dos levantamentos preliminares…

Prefeitura mobiliza equipes para atender ocorrências provocadas pelas chuvas em Porto Seguro

A Prefeitura de Porto Seguro mobilizou equipes de diferentes secretarias para monitorar e atender possíveis ocorrências provocadas pelas condições climáticas em diferentes localidades do município….

Incêndios no Amazonas terão reforço aéreo, policial e militar

A nova mobilização elevará de 11 para 16 o número de aeronaves disponibilizadas para as operações. Entre os reforços anunciados estão um segundo KC-390 e…

Estado entrega novo tomógrafo para HRDLEM e assina ordem de serviço para construção de cinco Unidades Básicas de Saúde Indígena

O Hospital Regional Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), em Porto Seguro, passou a contar com um…

Rolar para cima