
A três dias do segundo turno presidencial, marcado para este domingo (25), a corrida pelo Palácio do Planalto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou contornos de alta tensão na Justiça Eleitoral. Enquanto a campanha petista protocolou um pedido de cassação da chapa adversária, o Ministério Público Eleitoral (MPE) apontou falhas da Meta no cumprimento de ordens judiciais voltadas à equidade do pleito.
Na noite de quarta-feira (21), a coligação de Lula apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) distribuída ao corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. O processo acusa a chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.
Entre as sanções solicitadas estão a cassação do registro ou do diploma dos candidatos e a inelegibilidade por oito anos. A petição também requer medidas urgentes de preservação de dados e solicita a concessão de R$ 7 milhões em créditos de impulsionamento como reparação por suposta publicidade paga não entregue.
A acusação detalha supostas discrepâncias na circulação de conteúdos, mencionando uma rede de 255 perfis com alto volume de visualizações e um engajamento proporcionalmente superior no perfil oficial de Flávio Bolsonaro. O texto legal ressalta, contudo, que alto alcance ou diferenças de desempenho digital não comprovam, de forma isolada, manipulação deliberada ou esquema coordenado.
O cenário institucional se complexificou com o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral divulgado nesta quinta-feira (22). O órgão apontou que a Meta — responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp — não cumpriu integralmente as determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assegurar tratamento igualitário às candidaturas.
O MPE identificou pendências no processamento de denúncias, na entrega de relatórios individualizados de anúncios e na tradução de documentos sigilosos. Um dos episódios sob escrutínio envolve uma ferramenta automática de tradução que teria invertido o sentido de um comentário crítico a Flávio Bolsonaro para um tom favorável.
A decisão original, proferida em 15 de outubro pelo ministro Marco Aurélio Bellizze e referendada pelo plenário, fixou multa diária de R$ 500 mil por descumprimento, com advertência de possível elevação para R$ 1 milhão. A Meta nega favorecimento político, atribui os problemas a questões técnicas e afirma que já corrigiu falhas operacionais, como erros na geração de imagens por inteligência artificial.
No plano da preferência do eleitorado, a pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (22) aponta Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula. O levantamento, realizado com 4.000 entrevistas entre os dias 19 e 21 de outubro (registro TSE: BR-07926/2026), configura um empate técnico dentro da margem de erro de 1,6 ponto percentual. Na rodada anterior, o cenário mostrava 52% a 48%.
Com o pleito decisivo no próximo domingo (25), a Justiça Eleitoral enfrenta o desafio de ponderar denúncias e garantir o direito de defesa das partes, enquanto o eleitor sopesa o impacto das regras digitais e das pesquisas na reta final da disputa.















