
A disputa eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (12), após a divulgação de um relatório técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o canal de WhatsApp Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones.
De acordo com as informações divulgadas pela imprensa, a equipe técnica da Justiça Eleitoral não localizou, entre as publicações examinadas, os conteúdos específicos apontados pela campanha de Flávio Bolsonaro como desinformação.
O documento acrescenta novos elementos ao processo que provocou a suspensão temporária do canal, posteriormente reativado. Entretanto, a análise não encerra a controvérsia judicial nem significa que todas as mensagens compartilhadas tenham sido consideradas regulares.
Análise identificou limitações na verificação das mensagens
O trabalho técnico examinou materiais divulgados entre os dias 2 e 11 de outubro, incluindo mensagens de texto, links e outros conteúdos digitais.
Durante a verificação, os profissionais não encontraram reproduções das afirmações específicas questionadas pela campanha do PL. O relatório, porém, registra obstáculos que impedem conclusões mais abrangentes.
Parte das mensagens anteriores havia sido excluída, enquanto determinados vídeos não puderam ser examinados integralmente. Essas circunstâncias restringem o alcance das conclusões apresentadas.
Os técnicos também observaram características de comunicação coordenada e elevado potencial de disseminação das publicações.
A existência dessas características, isoladamente, não comprova a divulgação de informações falsas. Da mesma forma, a ausência dos conteúdos denunciados no material analisado não permite assegurar que eles jamais tenham circulado.
A avaliação definitiva das questões jurídicas caberá à Justiça Eleitoral, considerando os elementos apresentados pelas partes e as provas disponíveis no processo.
Campanha de Flávio Bolsonaro anuncia nova manifestação ao TSE
Mesmo após a divulgação do relatório, a campanha de Flávio Bolsonaro manteve os questionamentos sobre o funcionamento do canal.
Em manifestação divulgada nesta segunda-feira, o grupo político informou que pretende encaminhar um novo relatório técnico à Justiça Eleitoral para sustentar suas alegações.
O episódio também provocou divergências dentro do próprio tribunal. A suspensão determinada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, foi revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que autorizou a retomada das atividades do canal.
A discussão envolve os limites entre liberdade de expressão, propaganda eleitoral e medidas de combate à desinformação durante o segundo turno.
Pesquisas mostram disputa competitiva pela Presidência
Enquanto a controvérsia judicial avança, Lula e Flávio Bolsonaro seguem disputando o apoio dos eleitores para a votação marcada para 25 de outubro.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 8 de outubro, Flávio Bolsonaro registrou 49% das intenções de voto totais, contra 45% de Lula. Considerando apenas os votos válidos, os percentuais foram de 52% e 48%, respectivamente.
O levantamento ouviu 2.520 eleitores, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE sob o número BR-02949/2026. Os percentuais de votos válidos ficaram no limite da margem de erro informada.
Uma nova rodada de pesquisas de institutos como Quaest, Datafolha, BTG/Nexus e Palver está prevista para esta semana. Os levantamentos poderão oferecer dados adicionais sobre o comportamento do eleitorado nesta fase da campanha.
Bahia e Nordeste permanecem estratégicos no segundo turno
Na Bahia e nos demais estados nordestinos, a atenção das campanhas permanece voltada à mobilização dos eleitores e à participação nas urnas.
A região integra o cenário nacional de disputa entre os dois candidatos, mas os resultados do primeiro turno não são suficientes para determinar o comportamento dos eleitores na votação de 25 de outubro.
Sem um novo levantamento estadual específico e metodologicamente comparável, não é possível afirmar que houve alteração significativa nas intenções de voto dos baianos.
Redes sociais ampliam disputa política e judicial
A controvérsia envolvendo o canal Exército do Lula evidencia a importância adquirida pelas plataformas digitais nas campanhas presidenciais.
Com milhões de participantes, canais de WhatsApp permitem a distribuição rápida de mensagens, vídeos e materiais de mobilização política.
Ao mesmo tempo, a velocidade de circulação das publicações amplia os desafios de fiscalização, identificação de conteúdos irregulares e preservação de provas digitais.
O episódio demonstra que a disputa eleitoral não se limita aos debates, à propaganda na televisão ou aos atos públicos. As decisões judiciais relacionadas à comunicação digital também passaram a ocupar espaço significativo na agenda das campanhas.
Apesar disso, alcance, visualizações e engajamento nas redes sociais não devem ser confundidos com intenção de voto. São indicadores distintos, que exigem métodos próprios de análise.
Decisão judicial e novas pesquisas devem orientar os próximos capítulos
A divulgação do relatório técnico representa um desenvolvimento importante na controvérsia entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, especialmente porque a análise não identificou, no período examinado, as publicações específicas utilizadas para fundamentar a denúncia.
O resultado, contudo, não encerra o processo. A Justiça Eleitoral ainda poderá avaliar novas provas, manifestações das partes e eventuais irregularidades relacionadas ao funcionamento do canal.
Com menos de duas semanas para o segundo turno, a disputa presidencial continua marcada por embates judiciais, intensa mobilização digital e expectativa em torno das próximas pesquisas eleitorais.
O principal desafio para a avaliação do cenário político será distinguir acontecimentos de grande repercussão pública de mudanças efetivamente demonstradas no comportamento do eleitorado.
Apuração e referências | Informações confrontadas com publicações de 12 de outubro de 2026 da Agência Brasil, Folha de S.Paulo, Exame, InfoMoney e UOL. A íntegra do relatório técnico do TSE não foi examinada diretamente nesta apuração.
















