Estado baiano garantiu 58 representantes pretos ou pardos nas urnas e lidera o ranking nacional. Apesar do avanço nas candidaturas, população negra ainda ocupa menos de um terço dos cargos conquistados no primeiro turno.

A Bahia se destacou no cenário político nacional nas eleições de 2026 ao conquistar o maior número de candidatos pretos ou pardos eleitos no primeiro turno. Foram 58 representantes, colocando o estado na liderança do país em números absolutos. Na direção oposta, Santa Catarina não elegeu nenhum candidato autodeclarado preto ou pardo, evidenciando as diferenças regionais na composição racial dos representantes políticos brasileiros.
Os números fazem parte de um levantamento divulgado pelo g1, com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos 1.774 candidatos eleitos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, 531 se declararam pretos ou pardos, o equivalente a 29,9% do total.
O resultado chama a atenção porque a participação desse grupo entre os candidatos foi significativamente maior. Das 20.496 candidaturas registradas em 2026, 10.224 eram de pessoas pretas ou pardas, representando 49,9% dos concorrentes. Já os candidatos brancos somaram 9.974 registros, correspondentes a 48,7%.
Bahia assume protagonismo na representatividade racial
Com 58 eleitos, a Bahia ficou à frente de Minas Gerais, que registrou 38 representantes pretos ou pardos, e do Rio de Janeiro, com 34. Os três estados estão entre os maiores colégios eleitorais do Brasil, mas foi o território baiano que alcançou o maior número absoluto de eleitos desse grupo racial.
O desempenho reforça a presença de lideranças negras na política baiana, embora a quantidade de eleitos, isoladamente, não permita concluir que o estado tenha a maior representatividade proporcional do país.
Nesse aspecto, o Amazonas aparece na liderança. Dos 38 eleitos no estado, 24 são pretos ou pardos, correspondendo a 63,2%. Em seguida aparecem Tocantins, com 57,9%, e Amapá, com 55%.
Santa Catarina termina primeiro turno sem representantes pretos ou pardos
Na Região Sul, os números revelam um cenário bastante diferente. Santa Catarina não registrou nenhum candidato preto ou pardo entre os 64 eleitos considerados pelo levantamento.
O Paraná contabilizou apenas seis representantes desse grupo racial entre 92 eleitos, percentual de 6,5%. No Rio Grande do Sul, foram sete entre 94, equivalentes a 7,4%.
Os resultados mostram que a presença de candidatos pretos e pardos nas disputas eleitorais não se traduz necessariamente em conquistas nas urnas. Também evidenciam a importância de analisar fatores como composição demográfica, estrutura partidária, financiamento de campanhas e condições de competitividade eleitoral.
Mulheres negras continuam enfrentando obstáculos na política
O levantamento também aponta diferenças importantes quando a análise considera o gênero dos eleitos.
Entre os 531 representantes pretos ou pardos, 407 são homens e apenas 124 são mulheres. Isso significa que as mulheres correspondem a aproximadamente 23,4% dos eleitos desse grupo racial.
Os dados reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre a participação feminina negra nos espaços de decisão política, especialmente diante das barreiras históricas enfrentadas por mulheres na disputa por cargos eletivos.
Na distribuição partidária, o Partido dos Trabalhadores (PT) liderou o número de eleitos pretos ou pardos, com 83 representantes. O Partido Liberal (PL) aparece na segunda posição, com 73, seguido pelo União Brasil, com 54.
População negra é maioria no Brasil, mas segue sub-representada
Um dos dados mais expressivos do levantamento aparece na comparação entre a composição racial da população brasileira e o perfil dos representantes eleitos.
Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pessoas pretas ou pardas representam 55,1% da população nacional. Entretanto, nas eleições de 2026, esse grupo conquistou apenas 29,9% dos postos contabilizados no levantamento.
A diferença de 25,2 pontos percentuais demonstra que a diversidade racial existente na sociedade brasileira ainda não encontra correspondência na ocupação dos espaços de poder político.
Embora a Bahia tenha alcançado a liderança nacional em números absolutos, o resultado das eleições também revela um desafio que ultrapassa as fronteiras estaduais. O aumento da participação de pessoas negras nas candidaturas precisa ser acompanhado de condições efetivas para que essa presença se transforme em representação política.
Mais do que uma questão estatística, os números levantam uma discussão sobre quem participa das decisões que influenciam a vida de milhões de brasileiros.
A Bahia lidera em quantidade de representantes pretos ou pardos eleitos, mas o Brasil ainda está distante de ter uma representação política proporcional à diversidade racial de sua população.
Fonte dos dados: levantamento do g1, publicado em 8 de outubro de 2026, com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Censo 2022 do IBGE. Texto de elaboração original.
















