A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) avalia como positiva a aprovação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A instituição destaca o potencial estratégico da medida para o Brasil e, em especial, para a Bahia.

O comércio entre Brasil e União Europeia já movimenta bilhões. Em 2025, o bloco europeu foi responsável por 14,3% das exportações brasileiras, totalizando US$ 49,8 bilhões, e por 17,9% das importações, somando US$ 50,3 bilhões. A Bahia se destacou com US$ 1,9 bilhão exportado para a UE e cerca de US$ 930 milhões em importações.
De acordo com o Observatório da Indústria da Bahia, a pauta exportadora do estado é composta por produtos agrícolas, papel e celulose, produtos químicos, petróleo e minerais. Já as importações da UE se concentram em nafta, querosene, máquinas, químicos e alimentos como malte e maçãs.
Para a FIEB, o acordo é uma oportunidade de ouro. Ele amplia mercados, atrai investimentos e posiciona o Brasil em cadeias globais mais sofisticadas. Mas o alerta é claro: abrir mercados sem fortalecer a competitividade interna pode ser um risco para a indústria nacional.
“Sem a redução do chamado Custo-Brasil, a indústria tende a perder espaço e capacidade de investimento, com impactos sobre o emprego, a renda e a base produtiva do país”, afirmou Vladson Menezes, superintendente da FIEB.
A entidade defende avanços em infraestrutura, energia, tributação, segurança jurídica e inovação como pré-requisitos para que o país possa competir em pé de igualdade.
A abertura comercial, segundo a FIEB, precisa vir acompanhada de proteção estratégica. Isso significa usar instrumentos previstos nos acordos internacionais, como salvaguardas e barreiras contra práticas desleais de concorrência.
O Sistema FIEB, que engloba SESI, SENAI, IEL e CIEB, reforça que a integração internacional só será benéfica se vier com qualificação profissional, modernização industrial e apoio ao desenvolvimento regional.
O acordo com a União Europeia pode ser um divisor de águas. Mas enquanto o mundo abre as portas, o Brasil ainda esbarra nas suas próprias travas. A burocracia, o custo logístico e a carga tributária permanecem como freios de mão puxados na corrida global.
A gente precisa de mais que boas intenções. O cidadão sente os efeitos disso na prática: menos competitividade significa menos fábricas, menos empregos e mais desigualdade. É hora de aproveitar o acordo com visão estratégica, não apenas comercial.
O acordo entre União Europeia e Mercosul é um marco, mas seu sucesso depende do que o Brasil fará daqui pra frente. Para a Bahia, ele representa chance de crescimento e inovação. Só não pode ser uma promessa vazia em meio aos velhos entraves.

















