Bahia tem 1,37 milhão de moradores em comunidades “Favelas” e enfrenta desigualdade urbana

Levantamento do IBGE revela que uma em cada dez pessoas no estado vive nessas áreas. Salvador concentra mais de 1 milhão de moradores, enquanto Ilhéus e Itabuna também se destacam nos dados do Censo 2022.

Por Murillo Vazquez
04/11/2026

Publicado em - - -

NOTICIA_OXAROPE_01291026_6

A Bahia tem 1.370.202 pessoas vivendo em comunidades urbanas, classificadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como favelas e comunidades urbanas. O número representa 9,7% da população estadual e revela que aproximadamente um em cada dez baianos reside nesses territórios.

Os dados do Censo Demográfico 2022 identificaram 572 comunidades distribuídas por 28 dos 417 municípios baianos. Com esse resultado, a Bahia ocupa a oitava posição nacional em quantidade de áreas identificadas, a quarta em população residente e a sétima em proporção de moradores.

O levantamento ganha destaque com a proximidade do Dia da Favela, celebrado em 4 de novembro, e chama atenção para as desigualdades de infraestrutura, acessibilidade e condições urbanas enfrentadas por parte significativa da população.

Salvador concentra mais de 1 milhão de moradores em comunidades

A capital baiana reúne 262 comunidades classificadas pelo IBGE como favelas, representando 45,8% do total estadual. Salvador ocupa a quinta posição nacional entre os municípios com maior quantidade desses territórios.

Em relação à população, os números são ainda mais expressivos. Segundo o Censo, 1.033.258 pessoas viviam nessas comunidades em 2022, o equivalente a 42,7% dos habitantes da capital.

Isso significa que aproximadamente quatro em cada dez moradores de Salvador residiam nessas localidades, colocando a cidade na quarta posição nacional em população residente em favelas e comunidades urbanas.

Entre as comunidades mais populosas estão Beiru/Tancredo Neves, com 38.871 moradores, e Pernambués, com 35.110. Também aparecem Valéria, com 21.635 habitantes, Bairro da Paz, com 20.509, e Santa Cruz, com 19.833.

Itabuna e Ilhéus aparecem entre os destaques da Bahia

No sul do estado, os números demonstram que a presença dessas comunidades não está restrita à capital e à Região Metropolitana de Salvador.

Itabuna aparece como o quinto município baiano com maior número de comunidades classificadas como favelas, com 34 áreas identificadas pelo IBGE.

Já Ilhéus apresenta a segunda maior população residente nesses territórios em todo o estado. Em 2022, eram 64.364 moradores, ficando atrás apenas de Salvador.

Um dos principais destaques é a comunidade de Teotônio Vilela, em Ilhéus, que reunia 12.788 habitantes. Segundo o levantamento, trata-se da maior comunidade classificada como favela fora de Salvador e da 14ª mais populosa da Bahia.

Os dados mostram a importância de ampliar o debate sobre planejamento urbano, saneamento, habitação, mobilidade e acessibilidade nos municípios do sul baiano.

Mulheres e pessoas pretas têm forte presença nessas comunidades

O perfil da população residente apresenta características importantes quando comparado ao conjunto da Bahia.

As mulheres representavam 53,4% dos moradores, totalizando 732.068 pessoas. No estado como um todo, esse percentual era de 51,7%.

A população preta também apresenta participação proporcionalmente maior. Nas comunidades identificadas pelo IBGE, 39,2% dos moradores se declararam pretos, somando 537.030 pessoas. No conjunto do estado, essa proporção era de 22,4%.

Outro dado relevante é a composição etária. Enquanto 15,3% da população baiana tinha 60 anos ou mais, nessas comunidades o percentual era de 12,7%, indicando uma população relativamente mais jovem.

Um dos aspectos mais preocupantes do levantamento está relacionado às condições de infraestrutura urbana.

Na Bahia, somente 40,1% dos moradores dessas comunidades viviam em ruas com calçadas ou passeios. Fora desses territórios, a proporção alcançava 78,8%.

A arborização também revela diferenças significativas. Entre os residentes das comunidades, 74,5% moravam em ruas sem árvores, enquanto nas demais áreas do estado esse percentual era de 51,8%.

A situação da acessibilidade apresenta uma desigualdade ainda maior. Apenas 1,5% dos moradores viviam em ruas com rampas para cadeirantes, contra 10,9% da população residente fora dessas comunidades.

Esses indicadores evidenciam dificuldades enfrentadas diariamente por pedestres, idosos e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Além disso, a ausência de arborização contribui para o desconforto térmico e compromete a qualidade dos espaços urbanos.

Celebrado em 4 de novembro, o Dia da Favela remete ao registro histórico do uso da palavra em um documento oficial no Rio de Janeiro, em 1900.

No Censo 2022, o IBGE adotou a denominação oficial “Favelas e Comunidades Urbanas”, considerando discussões com especialistas, pesquisadores e movimentos sociais.

A classificação contempla territórios caracterizados por insegurança jurídica da posse e determinadas condições de infraestrutura, serviços públicos ou ocupação urbana, reconhecendo também suas características sociais e territoriais.

Embora muitas dessas localidades enfrentem dificuldades estruturais, também são espaços de identidade, cultura, empreendedorismo, organização comunitária e construção de vínculos sociais.

Na Bahia, os números demonstram que o desafio vai além da quantidade de moradores. A necessidade de investimentos em infraestrutura, saneamento, mobilidade, acessibilidade e regularização fundiária exige atenção permanente do poder público.

De Salvador a Ilhéus e Itabuna, o levantamento apresenta um retrato das desigualdades urbanas e oferece informações importantes para orientar políticas públicas.

O Dia da Favela também representa uma oportunidade para reconhecer a contribuição dessas comunidades para a formação social, econômica e cultural das cidades brasileiras.

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo Demográfico 2022. Os dados correspondem à situação identificada em 2022.

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Por Murillo Vazquez
04/11/2026 - 00h01 - Atualizado 29 de outubro de 2026

Publicado em - - -

NOTICIA_OXAROPE_01291026_6

A Bahia tem 1.370.202 pessoas vivendo em comunidades urbanas, classificadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como favelas e comunidades urbanas. O número representa 9,7% da população estadual e revela que aproximadamente um em cada dez baianos reside nesses territórios.

Os dados do Censo Demográfico 2022 identificaram 572 comunidades distribuídas por 28 dos 417 municípios baianos. Com esse resultado, a Bahia ocupa a oitava posição nacional em quantidade de áreas identificadas, a quarta em população residente e a sétima em proporção de moradores.

O levantamento ganha destaque com a proximidade do Dia da Favela, celebrado em 4 de novembro, e chama atenção para as desigualdades de infraestrutura, acessibilidade e condições urbanas enfrentadas por parte significativa da população.

Salvador concentra mais de 1 milhão de moradores em comunidades

A capital baiana reúne 262 comunidades classificadas pelo IBGE como favelas, representando 45,8% do total estadual. Salvador ocupa a quinta posição nacional entre os municípios com maior quantidade desses territórios.

Em relação à população, os números são ainda mais expressivos. Segundo o Censo, 1.033.258 pessoas viviam nessas comunidades em 2022, o equivalente a 42,7% dos habitantes da capital.

Isso significa que aproximadamente quatro em cada dez moradores de Salvador residiam nessas localidades, colocando a cidade na quarta posição nacional em população residente em favelas e comunidades urbanas.

Entre as comunidades mais populosas estão Beiru/Tancredo Neves, com 38.871 moradores, e Pernambués, com 35.110. Também aparecem Valéria, com 21.635 habitantes, Bairro da Paz, com 20.509, e Santa Cruz, com 19.833.

Itabuna e Ilhéus aparecem entre os destaques da Bahia

No sul do estado, os números demonstram que a presença dessas comunidades não está restrita à capital e à Região Metropolitana de Salvador.

Itabuna aparece como o quinto município baiano com maior número de comunidades classificadas como favelas, com 34 áreas identificadas pelo IBGE.

Já Ilhéus apresenta a segunda maior população residente nesses territórios em todo o estado. Em 2022, eram 64.364 moradores, ficando atrás apenas de Salvador.

Um dos principais destaques é a comunidade de Teotônio Vilela, em Ilhéus, que reunia 12.788 habitantes. Segundo o levantamento, trata-se da maior comunidade classificada como favela fora de Salvador e da 14ª mais populosa da Bahia.

Os dados mostram a importância de ampliar o debate sobre planejamento urbano, saneamento, habitação, mobilidade e acessibilidade nos municípios do sul baiano.

Mulheres e pessoas pretas têm forte presença nessas comunidades

O perfil da população residente apresenta características importantes quando comparado ao conjunto da Bahia.

As mulheres representavam 53,4% dos moradores, totalizando 732.068 pessoas. No estado como um todo, esse percentual era de 51,7%.

A população preta também apresenta participação proporcionalmente maior. Nas comunidades identificadas pelo IBGE, 39,2% dos moradores se declararam pretos, somando 537.030 pessoas. No conjunto do estado, essa proporção era de 22,4%.

Outro dado relevante é a composição etária. Enquanto 15,3% da população baiana tinha 60 anos ou mais, nessas comunidades o percentual era de 12,7%, indicando uma população relativamente mais jovem.

Um dos aspectos mais preocupantes do levantamento está relacionado às condições de infraestrutura urbana.

Na Bahia, somente 40,1% dos moradores dessas comunidades viviam em ruas com calçadas ou passeios. Fora desses territórios, a proporção alcançava 78,8%.

A arborização também revela diferenças significativas. Entre os residentes das comunidades, 74,5% moravam em ruas sem árvores, enquanto nas demais áreas do estado esse percentual era de 51,8%.

A situação da acessibilidade apresenta uma desigualdade ainda maior. Apenas 1,5% dos moradores viviam em ruas com rampas para cadeirantes, contra 10,9% da população residente fora dessas comunidades.

Esses indicadores evidenciam dificuldades enfrentadas diariamente por pedestres, idosos e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Além disso, a ausência de arborização contribui para o desconforto térmico e compromete a qualidade dos espaços urbanos.

Celebrado em 4 de novembro, o Dia da Favela remete ao registro histórico do uso da palavra em um documento oficial no Rio de Janeiro, em 1900.

No Censo 2022, o IBGE adotou a denominação oficial “Favelas e Comunidades Urbanas”, considerando discussões com especialistas, pesquisadores e movimentos sociais.

A classificação contempla territórios caracterizados por insegurança jurídica da posse e determinadas condições de infraestrutura, serviços públicos ou ocupação urbana, reconhecendo também suas características sociais e territoriais.

Embora muitas dessas localidades enfrentem dificuldades estruturais, também são espaços de identidade, cultura, empreendedorismo, organização comunitária e construção de vínculos sociais.

Na Bahia, os números demonstram que o desafio vai além da quantidade de moradores. A necessidade de investimentos em infraestrutura, saneamento, mobilidade, acessibilidade e regularização fundiária exige atenção permanente do poder público.

De Salvador a Ilhéus e Itabuna, o levantamento apresenta um retrato das desigualdades urbanas e oferece informações importantes para orientar políticas públicas.

O Dia da Favela também representa uma oportunidade para reconhecer a contribuição dessas comunidades para a formação social, econômica e cultural das cidades brasileiras.

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