
Nos dias 19 e 20 de fevereiro, em Nova Délhi, na Índia, o governo brasileiro apresentou sua visão estratégica para o uso da inteligência artificial durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial. O objetivo é posicionar o Brasil como protagonista global em IA, com foco em inclusão social, soberania digital e desenvolvimento sustentável.
Durante painel realizado na capital indiana, ministros como Luciana Santos, Esther Dweck, Frederico Siqueira, Camilo Santana, Alexandre Padilha e Mauro Vieira detalharam o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028.
O chamado PBIA prevê investimento público de R$ 23 bilhões até 2028. O plano está estruturado em cinco eixos:
- Infraestrutura e Desenvolvimento de IA
- Difusão, Formação e Capacitação
- IA para Melhoria dos Serviços Públicos
- IA para Inovação Empresarial
- Apoio ao Processo Regulatório e Governança
Segundo Luciana Santos, a proposta vai além de um programa setorial. A intenção é transformar a política de IA em política de Estado, garantindo que o futuro digital do país seja decidido internamente, com autonomia tecnológica.
O debate sobre inteligência artificial deixou de ser apenas técnico. Ele envolve emprego, educação, acesso a serviços públicos e competitividade internacional.
Na prática, o governo pretende usar IA para:
- Modernizar o atendimento no serviço público, com assistentes virtuais e linguagem natural
- Ampliar conectividade e data centers no país
- Fortalecer a educação digital e a formação de profissionais
- Aplicar IA na saúde pública para diagnóstico, gestão e inovação
Para mim, o que mais chama atenção é como decisões tecnológicas tomadas em fóruns internacionais impactam diretamente a vida do cidadão comum. Quando se fala em soberania digital, estamos falando também de quem controla dados, infraestrutura e oportunidades de trabalho.
Esther Dweck destacou a meta de levar um governo mais acessível e digital à população, com serviços proativos e simplificados.
Frederico Siqueira enfatizou a necessidade de ampliar redes de telecomunicações e data centers para sustentar a expansão da IA, especialmente diante do crescimento do comércio digital.
Na educação, Camilo Santana alertou que a IA pode reduzir desigualdades, mas também ampliá-las se não houver acesso universal e formação adequada.
Já Alexandre Padilha defendeu que a saúde brasileira, pela escala do SUS e pela cooperação com países do Sul Global, pode se tornar referência internacional em IA aplicada ao cuidado das pessoas.
Por fim, Mauro Vieira reforçou a necessidade de uma governança global da inteligência artificial, alinhada à fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sessão plenária da cúpula. Segundo o chanceler, a tecnologia não é neutra e depende de escolhas políticas e regulatórias.
Ao apresentar sua estratégia de IA na Índia, o Brasil sinaliza que quer protagonismo e não dependência tecnológica. O investimento bilionário, aliado à defesa da soberania digital e da governança global, coloca o país no centro de um dos debates mais decisivos do século XXI.
Resta acompanhar se o discurso internacional será acompanhado de resultados práticos que cheguem, de fato, à vida da população.



















