No Dia de Iemanjá, 02 de fevereiro, os números do Rio Vermelho ajudam a entender quem vive no bairro símbolo da fé e da cultura de Salvador. Descubra o que os dados mostram.

O bairro do Rio Vermelho é o coração da Festa de Iemanjá em Salvador. Mas por trás da celebração que atrai multidões, os dados do Censo revelam um bairro marcado por envelhecimento, maior presença feminina e um número crescente de pessoas vivendo sozinhas.
Salvador tem 170 bairros oficialmente reconhecidos. O Rio Vermelho ocupa a 46ª posição em número de moradores. São 17.526 pessoas vivendo no bairro, sendo a maioria formada por mulheres. Elas representam 56,5 por cento da população local, uma taxa acima da média da capital, que já é a mais feminina do país com 54,4 por cento.
Outro dado marcante é o envelhecimento da população. Quase um em cada quatro moradores do Rio Vermelho tem 60 anos ou mais. São 4.346 idosos, o que corresponde a 24,8 por cento da população local. Na capital como um todo, essa proporção é de 16,5 por cento.
O Rio Vermelho é mais do que o palco de uma grande celebração. Ele é um retrato fiel de mudanças que afetam toda a cidade. O bairro está entre os que mais concentram idosos responsáveis por domicílios. Um pouco mais de um terço das casas, cerca de 35,5 por cento, é chefiado por pessoas com 60 anos ou mais. Na média de Salvador, esse número é de 27 por cento.
Esses dados indicam um padrão de vida que exige novos olhares sobre infraestrutura, saúde, acessibilidade e qualidade de vida. O bairro símbolo da festa popular também pede atenção como território de moradores mais velhos e mais solitários.
No Rio Vermelho, a solidão também aparece nos números. Um em cada três domicílios é ocupado por apenas uma pessoa. São 2.488 residências com moradores solitários, o que representa 31,9 por cento do total. Essa é a 11ª maior proporção entre os bairros da capital. No geral, em Salvador, a taxa é de 24,8 por cento.
A verticalização é outra característica marcante do bairro. Sete em cada dez imóveis ocupados são apartamentos. Apenas três em cada dez ainda são casas. Esse cenário reforça um modo de vida mais individualizado, típico de grandes centros urbanos.
O perfil racial também se destaca. O Rio Vermelho é um dos poucos bairros de Salvador onde há mais pessoas brancas do que pretas ou pardas. São 7.095 brancos, ou 40,5 por cento da população. Pardos representam 39,4 por cento e pretos, 19,4 por cento. É uma das áreas mais brancas da cidade.
A renda média dos responsáveis pelos domicílios também se destaca. No Rio Vermelho, o valor chega a 7.233 reais, mais que o dobro da média municipal, que é de 3.160 reais. Isso coloca o bairro entre os 20 mais ricos de Salvador.
O Rio Vermelho que vive a Festa de Iemanjá com tanta força é o mesmo que abriga moradores mais velhos, mais brancos, com maior renda e, muitas vezes, vivendo sozinhos. A fé coletiva convive com o cotidiano silencioso de quem envelhece em apartamentos.
A celebração nas ruas tem algo de resistência. Enquanto o mundo corre em direção ao isolamento, a festa convida ao encontro. Mas os dados não mentem. O bairro pulsa forte em fevereiro, mas no restante do ano, carrega o peso de transformações profundas que merecem atenção do poder público e da sociedade.
O Dia de Iemanjá é um símbolo da cultura e da fé em Salvador. Mas é também uma oportunidade de olhar para quem vive nos bairros que sustentam essas tradições. O Rio Vermelho é feminino, longevo, branco, vertical e cada vez mais solitário. Saber disso é o primeiro passo para cuidar melhor de quem faz a festa acontecer.

















