Em quatro anos, Bahia reduz número de municípios com favelas, cortiços e ocupações mas desigualdade urbana persiste

Entre 2020 e 2024, a Bahia teve uma das maiores quedas do país na quantidade de municípios com habitações precárias. Apesar disso, ainda há mais de 300 cidades com loteamentos irregulares no estado.

Por Murillo Vazquez
02/11/2025

Publicado em - -

Noticia oXarope 01112501favela

Nos últimos quatro anos, a Bahia registrou uma queda significativa no número de cidades com moradias precárias. O recuo em favelas, cortiços e ocupações foi maior que a média nacional, mas a desigualdade urbana segue como realidade em boa parte do estado.

Entre 2020 e 2024, o número de municípios baianos com favelas, mocambos ou palafitas caiu de 93 para 79. A queda de 15,1% foi a quinta maior do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso, Alagoas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No mesmo período, a média nacional de redução foi de apenas 3,1%.

Ainda assim, em 2024, quase 19% dos municípios baianos ainda possuíam algum tipo de favela ou assentamento precário. O índice é levemente superior à média nacional, de 18,2%, e coloca a Bahia como o 13º estado com maior proporção desse tipo de habitação.

A redução no número de municípios com habitações precárias indica avanço. Mas o volume de cidades baianas com loteamentos irregulares, cortiços ou ocupações ainda é alto. Em 2024, 286 cidades tinham loteamentos ilegais, 64 registravam cortiços e 77 possuíam ocupações de prédios ou terrenos por movimentos de moradia.

Para mim, o que mais chama atenção é que, mesmo com a queda geral, mais de 300 municípios ainda lidam com alguma forma de moradia informal. Isso revela um problema estrutural que exige mais do que números positivos em pesquisas. Exige política pública continuada, com foco em urbanização, regularização fundiária e acesso digno à moradia.

O número de cidades baianas com cortiços caiu 31,9%, de 94 para 64. Essa foi a quarta maior redução do país. Já os municípios com loteamentos irregulares passaram de 304 para 286, redução de 5,9%. O Brasil, ao contrário, viu aumento nesse item.

As ocupações urbanas também caíram. Eram 91 municípios em 2020, caíram para 77 em 2024, uma redução de 15,4%. Apesar da queda, o dado ainda preocupa. A presença de ocupações indica ausência de política habitacional e falhas no planejamento urbano.

Por outro lado, o número de cidades sem nenhum tipo de moradia precária cresceu. Subiu de 81 para 109 entre 2020 e 2024. Isso representa um crescimento de 34,6%, o sexto maior do Brasil. No total, esses municípios representam 26,1% da Bahia, ainda abaixo da média nacional de 28%.

Por trás de cada número está a vida de milhares de baianos. Quando falamos em cortiço ou ocupação, falamos de gente vivendo sem saneamento, sem segurança, sem dignidade. A queda nos indicadores é uma boa notícia, mas não deve ser motivo de acomodação.

Ainda são muitos os municípios onde famílias vivem em barracos, em casas improvisadas ou em territórios sem qualquer estrutura. Enquanto isso, investimentos em habitação popular seguem escassos e mal distribuídos.

A Bahia avançou na redução de moradias precárias entre 2020 e 2024, mas o problema está longe de ser resolvido. O estado ainda concentra centenas de cidades com favelas, cortiços e ocupações. Para mudar esse cenário, é preciso mais do que queda percentual. É preciso ação direta onde mora a desigualdade.

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Entre 2020 e 2024, a Bahia teve uma das maiores quedas do país na quantidade de municípios com habitações precárias. Apesar disso, ainda há mais de 300 cidades com loteamentos irregulares no estado.

Por Murillo Vazquez
02/11/2025 - 10h49 - Atualizado 2 de novembro de 2025

Publicado em - -

Noticia oXarope 01112501favela

Nos últimos quatro anos, a Bahia registrou uma queda significativa no número de cidades com moradias precárias. O recuo em favelas, cortiços e ocupações foi maior que a média nacional, mas a desigualdade urbana segue como realidade em boa parte do estado.

Entre 2020 e 2024, o número de municípios baianos com favelas, mocambos ou palafitas caiu de 93 para 79. A queda de 15,1% foi a quinta maior do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso, Alagoas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No mesmo período, a média nacional de redução foi de apenas 3,1%.

Ainda assim, em 2024, quase 19% dos municípios baianos ainda possuíam algum tipo de favela ou assentamento precário. O índice é levemente superior à média nacional, de 18,2%, e coloca a Bahia como o 13º estado com maior proporção desse tipo de habitação.

A redução no número de municípios com habitações precárias indica avanço. Mas o volume de cidades baianas com loteamentos irregulares, cortiços ou ocupações ainda é alto. Em 2024, 286 cidades tinham loteamentos ilegais, 64 registravam cortiços e 77 possuíam ocupações de prédios ou terrenos por movimentos de moradia.

Para mim, o que mais chama atenção é que, mesmo com a queda geral, mais de 300 municípios ainda lidam com alguma forma de moradia informal. Isso revela um problema estrutural que exige mais do que números positivos em pesquisas. Exige política pública continuada, com foco em urbanização, regularização fundiária e acesso digno à moradia.

O número de cidades baianas com cortiços caiu 31,9%, de 94 para 64. Essa foi a quarta maior redução do país. Já os municípios com loteamentos irregulares passaram de 304 para 286, redução de 5,9%. O Brasil, ao contrário, viu aumento nesse item.

As ocupações urbanas também caíram. Eram 91 municípios em 2020, caíram para 77 em 2024, uma redução de 15,4%. Apesar da queda, o dado ainda preocupa. A presença de ocupações indica ausência de política habitacional e falhas no planejamento urbano.

Por outro lado, o número de cidades sem nenhum tipo de moradia precária cresceu. Subiu de 81 para 109 entre 2020 e 2024. Isso representa um crescimento de 34,6%, o sexto maior do Brasil. No total, esses municípios representam 26,1% da Bahia, ainda abaixo da média nacional de 28%.

Por trás de cada número está a vida de milhares de baianos. Quando falamos em cortiço ou ocupação, falamos de gente vivendo sem saneamento, sem segurança, sem dignidade. A queda nos indicadores é uma boa notícia, mas não deve ser motivo de acomodação.

Ainda são muitos os municípios onde famílias vivem em barracos, em casas improvisadas ou em territórios sem qualquer estrutura. Enquanto isso, investimentos em habitação popular seguem escassos e mal distribuídos.

A Bahia avançou na redução de moradias precárias entre 2020 e 2024, mas o problema está longe de ser resolvido. O estado ainda concentra centenas de cidades com favelas, cortiços e ocupações. Para mudar esse cenário, é preciso mais do que queda percentual. É preciso ação direta onde mora a desigualdade.

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