Fim da escala 6×1 pode elevar a produtividade do trabalho afirma Guilherme Boulos

Guilherme Boulos defende o fim da escala 6x1 como avanço na dignidade dos trabalhadores e aponta ganhos de produtividade. Entenda os argumentos e o que pode mudar.

Por Murillo Vazquez
22/01/2026

Publicado em

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Durante entrevista nesta quarta-feira, 21 de janeiro, o ministro Guilherme Boulos afirmou que a revisão da jornada 6×1 é urgente e pode melhorar até a produtividade no Brasil. O tema integra as prioridades do governo federal para 2026.

Ao longo da entrevista com jornalistas e radialistas, o ministro Guilherme Boulos citou exemplos de países que não sofreram com baixa produtividade após implementação de redução da jornada de trabalho. Foto: Diego Campos/Secom-PR

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República foi o entrevistado da edição mais recente do programa Bom Dia, Ministro, transmitido para rádios e portais de todo o país. Ao longo da conversa, Boulos defendeu publicamente a mudança na jornada de trabalho brasileira, atualmente organizada no modelo 6×1, que prevê apenas um dia de descanso por semana.

Segundo ele, o governo trabalha para aprovar a proposta ainda no primeiro semestre de 2026. O novo modelo sugerido é de 5×2, com jornada de até 40 horas semanais e sem redução de salário, substituindo as 44 horas permitidas hoje.

Boulos relatou que o tema já está em discussão no Congresso Nacional e citou uma reunião recente com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A medida tem apoio do presidente Lula e integra a agenda de melhorias nas condições laborais no país.

A jornada 6×1 tem sido alvo de críticas por provocar desgaste físico e mental nos trabalhadores. A proposta do governo pretende equilibrar melhor o tempo de trabalho e descanso, além de permitir que o trabalhador tenha tempo para a vida pessoal e profissionalização.

De acordo com Boulos, a mudança não afetaria a produtividade da economia brasileira. Pelo contrário, ele afirma que experiências internacionais e estudos nacionais comprovam o efeito positivo da redução da carga horária.

Para mim, o que mais chama atenção é que essa mudança é tratada como avanço civilizatório em outros países, enquanto aqui ainda é vista com desconfiança, mesmo com dados mostrando ganhos reais de desempenho.

Durante a entrevista, Boulos apresentou exemplos de países que adotaram jornadas menores com resultados expressivos.

Na Islândia, em 2023, a jornada caiu para 35 horas semanais no modelo 4×3. O resultado foi um crescimento de 5 por cento na economia e aumento de 1,5 por cento na produtividade. Nos Estados Unidos, a redução média foi de 35 minutos por dia em três anos, com ganho médio de 2 por cento em produtividade. No Japão, a Microsoft aplicou o 4×3 e aumentou em 40 por cento a produtividade individual.

No Brasil, Boulos citou uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas feita em 2024. O estudo analisou 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. Em 72 por cento delas, houve aumento de receita. Em 44 por cento, os prazos passaram a ser melhor cumpridos.

O ministro reforçou que não se trata de “romantismo político”, mas de políticas públicas baseadas em evidências. Ele defendeu que o descanso adequado impacta diretamente na eficiência do trabalhador.

É comum que mudanças na legislação trabalhista enfrentem resistência. Mas ignorar o cansaço e o adoecimento dos trabalhadores em nome de produtividade é um erro que custa caro. O equilíbrio entre trabalho e descanso não é privilégio, é condição para qualidade de vida e desenvolvimento sustentável.

A fala de Boulos, apesar de política, toca em uma realidade vivida por milhões de brasileiros. Acordar cedo, pegar condução lotada, trabalhar horas seguidas com pouco ou nenhum descanso e ainda voltar para casa sem tempo de conviver com a família ou estudar. Isso é rotina de boa parte da população.

A redução da jornada, se bem planejada, não significa menos trabalho. Significa mais organização, mais respeito à dignidade humana e, sim, mais produtividade.

O debate sobre o fim da escala 6×1 é mais do que técnico. Ele envolve qualidade de vida, economia, saúde mental e justiça social. Com apoio do governo e base em dados concretos, a proposta ganha força em 2026 e pode mudar de forma significativa o cenário das relações de trabalho no país.

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Por Murillo Vazquez
22/01/2026 - 15h27 - Atualizado 22 de janeiro de 2026

Publicado em

oXarope noticia 220126001noticia4

Durante entrevista nesta quarta-feira, 21 de janeiro, o ministro Guilherme Boulos afirmou que a revisão da jornada 6×1 é urgente e pode melhorar até a produtividade no Brasil. O tema integra as prioridades do governo federal para 2026.

Ao longo da entrevista com jornalistas e radialistas, o ministro Guilherme Boulos citou exemplos de países que não sofreram com baixa produtividade após implementação de redução da jornada de trabalho. Foto: Diego Campos/Secom-PR

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República foi o entrevistado da edição mais recente do programa Bom Dia, Ministro, transmitido para rádios e portais de todo o país. Ao longo da conversa, Boulos defendeu publicamente a mudança na jornada de trabalho brasileira, atualmente organizada no modelo 6×1, que prevê apenas um dia de descanso por semana.

Segundo ele, o governo trabalha para aprovar a proposta ainda no primeiro semestre de 2026. O novo modelo sugerido é de 5×2, com jornada de até 40 horas semanais e sem redução de salário, substituindo as 44 horas permitidas hoje.

Boulos relatou que o tema já está em discussão no Congresso Nacional e citou uma reunião recente com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A medida tem apoio do presidente Lula e integra a agenda de melhorias nas condições laborais no país.

A jornada 6×1 tem sido alvo de críticas por provocar desgaste físico e mental nos trabalhadores. A proposta do governo pretende equilibrar melhor o tempo de trabalho e descanso, além de permitir que o trabalhador tenha tempo para a vida pessoal e profissionalização.

De acordo com Boulos, a mudança não afetaria a produtividade da economia brasileira. Pelo contrário, ele afirma que experiências internacionais e estudos nacionais comprovam o efeito positivo da redução da carga horária.

Para mim, o que mais chama atenção é que essa mudança é tratada como avanço civilizatório em outros países, enquanto aqui ainda é vista com desconfiança, mesmo com dados mostrando ganhos reais de desempenho.

Durante a entrevista, Boulos apresentou exemplos de países que adotaram jornadas menores com resultados expressivos.

Na Islândia, em 2023, a jornada caiu para 35 horas semanais no modelo 4×3. O resultado foi um crescimento de 5 por cento na economia e aumento de 1,5 por cento na produtividade. Nos Estados Unidos, a redução média foi de 35 minutos por dia em três anos, com ganho médio de 2 por cento em produtividade. No Japão, a Microsoft aplicou o 4×3 e aumentou em 40 por cento a produtividade individual.

No Brasil, Boulos citou uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas feita em 2024. O estudo analisou 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. Em 72 por cento delas, houve aumento de receita. Em 44 por cento, os prazos passaram a ser melhor cumpridos.

O ministro reforçou que não se trata de “romantismo político”, mas de políticas públicas baseadas em evidências. Ele defendeu que o descanso adequado impacta diretamente na eficiência do trabalhador.

É comum que mudanças na legislação trabalhista enfrentem resistência. Mas ignorar o cansaço e o adoecimento dos trabalhadores em nome de produtividade é um erro que custa caro. O equilíbrio entre trabalho e descanso não é privilégio, é condição para qualidade de vida e desenvolvimento sustentável.

A fala de Boulos, apesar de política, toca em uma realidade vivida por milhões de brasileiros. Acordar cedo, pegar condução lotada, trabalhar horas seguidas com pouco ou nenhum descanso e ainda voltar para casa sem tempo de conviver com a família ou estudar. Isso é rotina de boa parte da população.

A redução da jornada, se bem planejada, não significa menos trabalho. Significa mais organização, mais respeito à dignidade humana e, sim, mais produtividade.

O debate sobre o fim da escala 6×1 é mais do que técnico. Ele envolve qualidade de vida, economia, saúde mental e justiça social. Com apoio do governo e base em dados concretos, a proposta ganha força em 2026 e pode mudar de forma significativa o cenário das relações de trabalho no país.

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