Fome recua no Nordeste e Sisan ganha protagonismo aos 20 anos

Por Murillo Vazquez
12/06/2026

Publicado em - -

NoticiaOxarope12JUN261sisn

O Nordeste registrou uma das mudanças sociais mais fortes dos últimos anos no combate à fome. Entre 2022 e 2024, cerca de 9,6 milhões de pessoas deixaram a insegurança alimentar grave na região, segundo dados divulgados pela Secom com base na EBIA.

Foto: Lyon Santos / MDS

O Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o Sisan, chega aos 20 anos em 2026 associado a um dado de grande impacto no Nordeste. Segundo levantamento divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, cerca de 9,6 milhões de pessoas deixaram de passar fome na região entre 2022 e 2024. No mesmo período, outras 17,8 milhões saíram de algum nível de insegurança alimentar e nutricional e passaram à condição de segurança alimentar.

A comparação considera dados da Rede Penssan de 2022 e da PNAD Contínua de 2024. No recorte regional, o percentual de domicílios em segurança alimentar subiu de 32% para 65,2%, enquanto a insegurança alimentar grave, associada à fome, chegou a 4,8% no Nordeste em 2024.

Criado pela Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006, o Sisan tem como finalidade assegurar o direito humano à alimentação adequada, articulando políticas públicas entre União, estados, municípios e sociedade civil.

A fome não desaparece apenas com uma ação isolada. Ela recua quando renda, agricultura familiar, alimentação escolar, assistência social, abastecimento e participação social começam a conversar entre si.

É esse o papel do Sisan: organizar políticas que já existem, dar direção ao planejamento público e aproximar o alimento de quem mais precisa. O próprio MDS define o sistema como uma estrutura para formular, articular, monitorar e avaliar políticas de segurança alimentar nos níveis nacional, estadual e municipal.

Para mim, o que mais chama atenção é que o dado não fala apenas de estatística. Fala de geladeira com alguma coisa dentro, de mãe que consegue montar o prato do filho, de escola que garante refeição, de agricultor familiar que encontra comprador e de cozinha comunitária funcionando onde antes havia só improviso.

A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, afirmou que os resultados refletem a retomada e o aprimoramento do Sisan a partir de 2023. Segundo ela, o sistema integra ações de diferentes áreas do governo com participação da sociedade civil para garantir o direito à alimentação adequada.

O IBGE também registrou melhora nacional na segurança alimentar em 2024. A proporção de domicílios brasileiros com algum grau de insegurança alimentar caiu de 27,6% para 24,2% entre 2023 e 2024, o que representa 2,2 milhões de lares a menos nessa condição. No mesmo levantamento, a segurança alimentar subiu para 75,8% dos domicílios do país.

Ainda assim, o Nordeste segue entre as regiões com maior proporção de insegurança alimentar. Em 2024, 34,8% dos domicílios nordestinos ainda conviviam com algum grau de restrição no acesso aos alimentos, segundo a PNAD Contínua.

O avanço é expressivo, mas não pode virar uma comemoração vazia. Quem já viu uma família contando moeda para comprar arroz sabe que sair da fome é só o começo. Permanecer fora dela exige renda, preço de comida sob controle, agricultura fortalecida, merenda escolar bem executada e prefeitura com capacidade de chegar onde o Estado costuma demorar.

O Nordeste conhece bem essa conta. Em muitos municípios, a segurança alimentar passa pela feira livre, pelo pequeno produtor, pela cisterna, pela escola, pelo Bolsa Família, pelo restaurante popular e pela cozinha comunitária. É uma rede. Quando um fio arrebenta, a vulnerabilidade volta rápido.

Por isso, o Sisan importa. Não por ser uma sigla institucional, mas porque tenta impedir que o combate à fome dependa apenas de ações pontuais. O desafio agora é transformar adesão municipal em comida de verdade na mesa, com qualidade, regularidade e respeito à dignidade das famílias.

O Sisan é estruturado em participação social, coordenação governamental e articulação federativa. Na prática, envolve conselhos de segurança alimentar, câmaras intersetoriais, conferências, planos de segurança alimentar e programas como PAA, PNAE, Cisternas e equipamentos públicos de alimentação.

Segundo a Secom, a adesão nacional ao sistema cresceu de 536 municípios no fim de 2022 para 2.297 em junho de 2026. No Nordeste, o número passou de 194 para 1.060 municípios no mesmo período.

Os números mostram que o Nordeste avançou no combate à fome, mas também revelam o tamanho do trabalho que continua pela frente. O Sisan chega aos 20 anos com um papel decisivo: transformar política pública em prato cheio, gestão local eficiente e proteção permanente contra a insegurança alimentar.

A fome não é só falta de comida. É falha de renda, de abastecimento, de acesso, de prioridade e de presença pública. Quando o sistema funciona, a vida melhora no detalhe mais simples e mais urgente: a comida chega à mesa.

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Fome recua no Nordeste e Sisan ganha protagonismo aos 20 anos

Por Murillo Vazquez
12/06/2026 - 01h55 - Atualizado 12 de junho de 2026

Publicado em - -

NoticiaOxarope12JUN261sisn

O Nordeste registrou uma das mudanças sociais mais fortes dos últimos anos no combate à fome. Entre 2022 e 2024, cerca de 9,6 milhões de pessoas deixaram a insegurança alimentar grave na região, segundo dados divulgados pela Secom com base na EBIA.

Foto: Lyon Santos / MDS

O Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o Sisan, chega aos 20 anos em 2026 associado a um dado de grande impacto no Nordeste. Segundo levantamento divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, cerca de 9,6 milhões de pessoas deixaram de passar fome na região entre 2022 e 2024. No mesmo período, outras 17,8 milhões saíram de algum nível de insegurança alimentar e nutricional e passaram à condição de segurança alimentar.

A comparação considera dados da Rede Penssan de 2022 e da PNAD Contínua de 2024. No recorte regional, o percentual de domicílios em segurança alimentar subiu de 32% para 65,2%, enquanto a insegurança alimentar grave, associada à fome, chegou a 4,8% no Nordeste em 2024.

Criado pela Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006, o Sisan tem como finalidade assegurar o direito humano à alimentação adequada, articulando políticas públicas entre União, estados, municípios e sociedade civil.

A fome não desaparece apenas com uma ação isolada. Ela recua quando renda, agricultura familiar, alimentação escolar, assistência social, abastecimento e participação social começam a conversar entre si.

É esse o papel do Sisan: organizar políticas que já existem, dar direção ao planejamento público e aproximar o alimento de quem mais precisa. O próprio MDS define o sistema como uma estrutura para formular, articular, monitorar e avaliar políticas de segurança alimentar nos níveis nacional, estadual e municipal.

Para mim, o que mais chama atenção é que o dado não fala apenas de estatística. Fala de geladeira com alguma coisa dentro, de mãe que consegue montar o prato do filho, de escola que garante refeição, de agricultor familiar que encontra comprador e de cozinha comunitária funcionando onde antes havia só improviso.

A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, afirmou que os resultados refletem a retomada e o aprimoramento do Sisan a partir de 2023. Segundo ela, o sistema integra ações de diferentes áreas do governo com participação da sociedade civil para garantir o direito à alimentação adequada.

O IBGE também registrou melhora nacional na segurança alimentar em 2024. A proporção de domicílios brasileiros com algum grau de insegurança alimentar caiu de 27,6% para 24,2% entre 2023 e 2024, o que representa 2,2 milhões de lares a menos nessa condição. No mesmo levantamento, a segurança alimentar subiu para 75,8% dos domicílios do país.

Ainda assim, o Nordeste segue entre as regiões com maior proporção de insegurança alimentar. Em 2024, 34,8% dos domicílios nordestinos ainda conviviam com algum grau de restrição no acesso aos alimentos, segundo a PNAD Contínua.

O avanço é expressivo, mas não pode virar uma comemoração vazia. Quem já viu uma família contando moeda para comprar arroz sabe que sair da fome é só o começo. Permanecer fora dela exige renda, preço de comida sob controle, agricultura fortalecida, merenda escolar bem executada e prefeitura com capacidade de chegar onde o Estado costuma demorar.

O Nordeste conhece bem essa conta. Em muitos municípios, a segurança alimentar passa pela feira livre, pelo pequeno produtor, pela cisterna, pela escola, pelo Bolsa Família, pelo restaurante popular e pela cozinha comunitária. É uma rede. Quando um fio arrebenta, a vulnerabilidade volta rápido.

Por isso, o Sisan importa. Não por ser uma sigla institucional, mas porque tenta impedir que o combate à fome dependa apenas de ações pontuais. O desafio agora é transformar adesão municipal em comida de verdade na mesa, com qualidade, regularidade e respeito à dignidade das famílias.

O Sisan é estruturado em participação social, coordenação governamental e articulação federativa. Na prática, envolve conselhos de segurança alimentar, câmaras intersetoriais, conferências, planos de segurança alimentar e programas como PAA, PNAE, Cisternas e equipamentos públicos de alimentação.

Segundo a Secom, a adesão nacional ao sistema cresceu de 536 municípios no fim de 2022 para 2.297 em junho de 2026. No Nordeste, o número passou de 194 para 1.060 municípios no mesmo período.

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