Inflação em Salvador desacelera, mas comida e luz ainda apertam o orçamento

Inflação em Salvador ficou em 0,51% em maio, abaixo da média nacional, mas alimentos e energia elétrica seguem pesando no bolso das famílias.

Por Murillo Vazquez
13/06/2026

Publicado em -

NoticiaOxarope13JUN26_1_INFLAÇÃO

A inflação na Região Metropolitana de Salvador perdeu força pelo segundo mês seguido em maio de 2026, mas o alívio não chegou inteiro à mesa do consumidor. O IPCA ficou em 0,51%, abaixo da média nacional, puxado para cima por alimentos e habitação.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, considerado a inflação oficial do país, marcou 0,58% no Brasil em maio, segundo dados divulgados pelo IBGE em 12 de junho de 2026. Na Região Metropolitana de Salvador, o resultado foi menor, 0,51%, depois de ter registrado 1,47% em março e 0,64% em abril.

Entre os 16 locais pesquisados separadamente pelo IBGE, Salvador teve a 4ª menor inflação de maio. Ficou acima apenas de Curitiba, com 0,29%, Vitória, com 0,32%, e Belo Horizonte, com 0,34%. Os maiores índices foram observados em Aracaju e Campo Grande, ambos com 1,31%.

Mesmo com a desaceleração mensal, a conta do ano ainda preocupa. De janeiro a maio, a inflação acumulada na RM Salvador chegou a 3,57%, acima do índice nacional, de 3,20%. Em 12 meses, Salvador acumula 4,67%, levemente abaixo do Brasil, que ficou em 4,72%.

O número de maio parece moderado à primeira vista, mas a composição da inflação mostra um problema muito concreto: o que mais subiu foi justamente o que pesa no dia a dia.

Na RM Salvador, alimentos e bebidas avançaram 1,69%, com destaque para os produtos consumidos em casa. A batata-inglesa subiu 42,85%, o tomate avançou 22,43%, o leite longa vida aumentou 7,25% e as carnes tiveram alta de 1,01%. Na prática, é o tipo de inflação que aparece antes no carrinho do mercado do que nas planilhas econômicas.

A habitação também pressionou o orçamento. O grupo subiu 1,97%, influenciado principalmente pela energia elétrica, que avançou 6,73% em Salvador. Segundo o IBGE, esse movimento teve relação com o reajuste de 4,78% aplicado a partir de 22 de abril e com a bandeira tarifária amarela em maio, que acrescentou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Para mim, o ponto mais sensível é esse: quando comida e luz sobem ao mesmo tempo, a inflação deixa de ser um índice distante. Ela entra em casa, muda a lista de compras, adia pequenos planos e aperta principalmente quem já vive fazendo conta.

O IBGE destacou que, no país, alimentação e bebidas responderam por metade do IPCA de maio. Também apontou a energia elétrica residencial como o principal impacto individual no resultado nacional do mês.

Na outra ponta, os transportes ajudaram a segurar a inflação em Salvador. O grupo teve queda de 1,81%, puxado pelos combustíveis, que recuaram 3,90%. A gasolina caiu 3,45%, o etanol teve baixa de 9,64% e o óleo diesel recuou 3,79%.

Esse alívio nos combustíveis é importante, mas não compensa tudo. Para quem pega ônibus, compra gás, paga mercado e divide a conta de luz no fim do mês, a sensação de melhora costuma chegar com atraso.

A fotografia de maio mostra uma Salvador vivendo duas inflações ao mesmo tempo. A primeira aparece no índice cheio, menor que o nacional e em desaceleração. A segunda aparece no cotidiano, no preço do tomate, no susto da conta de energia, na troca de marca no supermercado e na escolha entre comprar mais proteína ou esticar os legumes da semana.

Enquanto o dado técnico diz que houve desaceleração, a vida real pede outra leitura. Não basta olhar se a inflação subiu menos. É preciso perguntar onde ela subiu e para quem ela pesou mais.

Na Região Metropolitana de Salvador, a resposta está clara: a pressão ficou concentrada em itens essenciais. E quando o essencial sobe, o impacto é desigual. Famílias de renda menor sentem primeiro, porque não têm tanta margem para cortar supérfluos. Muitas vezes, já cortaram.

O INPC da RM Salvador, que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos e responsável pelo domicílio assalariado, ficou em 0,65% em maio. O índice também desacelerou frente a abril, quando havia sido de 0,77%, mas ficou acima do IPCA local.

No acumulado do ano, o INPC de Salvador chegou a 3,86%, acima do índice nacional, de 3,36%. Em 12 meses, acumula 4,50%, também acima do Brasil, que marcou 4,42%.

A inflação em Salvador desacelerou em maio e ficou entre as menores do país, mas o resultado não autoriza comemoração apressada. O peso dos alimentos e da energia elétrica mantém o orçamento doméstico sob pressão.

O dado frio mostra uma melhora. A vida no caixa do mercado mostra o tamanho do desafio. E é nesse intervalo, entre o índice e a realidade, que a população sente o verdadeiro custo de viver.

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Inflação em Salvador desacelera, mas comida e luz ainda apertam o orçamento

Inflação em Salvador ficou em 0,51% em maio, abaixo da média nacional, mas alimentos e energia elétrica seguem pesando no bolso das famílias.

Por Murillo Vazquez
13/06/2026 - 19h45 - Atualizado 13 de junho de 2026

Publicado em -

NoticiaOxarope13JUN26_1_INFLAÇÃO

A inflação na Região Metropolitana de Salvador perdeu força pelo segundo mês seguido em maio de 2026, mas o alívio não chegou inteiro à mesa do consumidor. O IPCA ficou em 0,51%, abaixo da média nacional, puxado para cima por alimentos e habitação.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, considerado a inflação oficial do país, marcou 0,58% no Brasil em maio, segundo dados divulgados pelo IBGE em 12 de junho de 2026. Na Região Metropolitana de Salvador, o resultado foi menor, 0,51%, depois de ter registrado 1,47% em março e 0,64% em abril.

Entre os 16 locais pesquisados separadamente pelo IBGE, Salvador teve a 4ª menor inflação de maio. Ficou acima apenas de Curitiba, com 0,29%, Vitória, com 0,32%, e Belo Horizonte, com 0,34%. Os maiores índices foram observados em Aracaju e Campo Grande, ambos com 1,31%.

Mesmo com a desaceleração mensal, a conta do ano ainda preocupa. De janeiro a maio, a inflação acumulada na RM Salvador chegou a 3,57%, acima do índice nacional, de 3,20%. Em 12 meses, Salvador acumula 4,67%, levemente abaixo do Brasil, que ficou em 4,72%.

O número de maio parece moderado à primeira vista, mas a composição da inflação mostra um problema muito concreto: o que mais subiu foi justamente o que pesa no dia a dia.

Na RM Salvador, alimentos e bebidas avançaram 1,69%, com destaque para os produtos consumidos em casa. A batata-inglesa subiu 42,85%, o tomate avançou 22,43%, o leite longa vida aumentou 7,25% e as carnes tiveram alta de 1,01%. Na prática, é o tipo de inflação que aparece antes no carrinho do mercado do que nas planilhas econômicas.

A habitação também pressionou o orçamento. O grupo subiu 1,97%, influenciado principalmente pela energia elétrica, que avançou 6,73% em Salvador. Segundo o IBGE, esse movimento teve relação com o reajuste de 4,78% aplicado a partir de 22 de abril e com a bandeira tarifária amarela em maio, que acrescentou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Para mim, o ponto mais sensível é esse: quando comida e luz sobem ao mesmo tempo, a inflação deixa de ser um índice distante. Ela entra em casa, muda a lista de compras, adia pequenos planos e aperta principalmente quem já vive fazendo conta.

O IBGE destacou que, no país, alimentação e bebidas responderam por metade do IPCA de maio. Também apontou a energia elétrica residencial como o principal impacto individual no resultado nacional do mês.

Na outra ponta, os transportes ajudaram a segurar a inflação em Salvador. O grupo teve queda de 1,81%, puxado pelos combustíveis, que recuaram 3,90%. A gasolina caiu 3,45%, o etanol teve baixa de 9,64% e o óleo diesel recuou 3,79%.

Esse alívio nos combustíveis é importante, mas não compensa tudo. Para quem pega ônibus, compra gás, paga mercado e divide a conta de luz no fim do mês, a sensação de melhora costuma chegar com atraso.

A fotografia de maio mostra uma Salvador vivendo duas inflações ao mesmo tempo. A primeira aparece no índice cheio, menor que o nacional e em desaceleração. A segunda aparece no cotidiano, no preço do tomate, no susto da conta de energia, na troca de marca no supermercado e na escolha entre comprar mais proteína ou esticar os legumes da semana.

Enquanto o dado técnico diz que houve desaceleração, a vida real pede outra leitura. Não basta olhar se a inflação subiu menos. É preciso perguntar onde ela subiu e para quem ela pesou mais.

Na Região Metropolitana de Salvador, a resposta está clara: a pressão ficou concentrada em itens essenciais. E quando o essencial sobe, o impacto é desigual. Famílias de renda menor sentem primeiro, porque não têm tanta margem para cortar supérfluos. Muitas vezes, já cortaram.

O INPC da RM Salvador, que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos e responsável pelo domicílio assalariado, ficou em 0,65% em maio. O índice também desacelerou frente a abril, quando havia sido de 0,77%, mas ficou acima do IPCA local.

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