
Apesar da desaceleração, a taxa da Grande Salvador ficou ligeiramente acima da média brasileira, de 0,32%. O resultado nacional foi confirmado pelo IBGE, que também informou alta acumulada de 4,15% no ano e de 4,62% em 12 meses.
Entre as 11 áreas pesquisadas, a RMS registrou a sexta maior variação mensal, empatada com a Região Metropolitana de São Paulo. Belém liderou as altas, com 0,76%, seguida por Belo Horizonte, com 0,59%, e Goiânia, com 0,44%. Curitiba foi a única área com queda média de preços, de 0,27%.
No acumulado de 2026, a prévia da inflação na Grande Salvador chegou a 3,86%. Em 12 meses, alcançou 4,33%. Nos dois recortes, a região apresentou o segundo menor resultado da pesquisa, acima apenas de Curitiba.
O IPCA-15 é conhecido como prévia da inflação oficial. Nesta edição, os preços foram coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro. O período de apuração é uma das diferenças em relação ao IPCA.
Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram aumento na RMS. Alimentação e bebidas, com alta de 0,55%, exerceu a maior pressão sobre o índice por ter o maior peso no consumo das famílias da região.
A alimentação dentro de casa ficou 0,74% mais cara. O destaque foi o conjunto de tubérculos, raízes e legumes, que avançou 9,45%. Entre os produtos, o tomate subiu 24,87%, a batata-inglesa aumentou 14,36% e a cebola, 11,60%.
O arroz também encareceu, com alta de 5,49%, enquanto as carnes avançaram 1,19%.
Parte dessa pressão foi compensada pelas frutas, que ficaram 4,83% mais baratas. A manga recuou 16,36%, e a banana-prata caiu 5,30%.

O que mais chama atenção é a presença de produtos básicos entre as maiores altas. Quando tomate, arroz e carne encarecem, a desaceleração do índice pode demorar a ser percebida por quem precisa abastecer a despensa.
O levantamento regional aponta os transportes como a segunda principal pressão sobre a inflação de outubro. Depois de dois meses de queda, o grupo voltou a subir e registrou variação de 0,37%.
Os combustíveis ficaram 1,93% mais caros. A gasolina aumentou 1,27% e foi o item que, individualmente, mais contribuiu para elevar o IPCA-15 da Grande Salvador. O óleo diesel teve alta de 7,19%.
Na direção contrária, as passagens aéreas recuaram 9,83%. Foi a maior contribuição individual para conter o avanço do indicador regional.
Os artigos de residência apresentaram a maior alta percentual entre os grupos, de 1,02%, embora tenham peso menor no orçamento pesquisado. O mobiliário subiu 1,58%, com aumentos de 2,93% nos móveis para sala e de 2,20% nos móveis para quarto.
Educação foi o único grupo com deflação, de 0,04%. A redução esteve associada principalmente à papelaria, que caiu 1,60%, e às autoescolas, com recuo de 0,84%. Os cadernos ficaram 2,33% mais baratos.
A desaceleração é um sinal favorável, mas precisa ser lida junto com a composição do resultado. A média regional avançou menos, enquanto itens frequentes nas despesas das famílias continuaram encarecendo.
A queda das passagens aéreas ajudou a conter o indicador, mas seu efeito no orçamento depende de quem comprou esse serviço no período. Já os aumentos dos alimentos alcançam uma despesa recorrente e difícil de adiar.
Também é preciso separar a maior alta percentual da maior influência sobre a inflação. Os artigos de residência lideraram a variação entre os grupos, mas alimentação e transportes pesaram mais no resultado por sua participação nas despesas pesquisadas.

A Grande Salvador mantém índices acumulados inferiores aos nacionais. Ainda assim, o alívio que chega à estatística só ganha força no cotidiano quando aparece também na conta do mercado e no abastecimento.

















