Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou dados inéditos da saúde pública, defendeu mudanças estruturais na segurança e destacou ações contra o feminicídio, durante conversa com a TV Aratu.

Lula está na capital baiana para o lançamento de novas ações do Novo PAC Saúde, voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o presidente, o Brasil realizou 14,7 milhões de cirurgias eletivas em 2025, o maior número da história, superando inclusive o período pré-pandemia.
“Estamos dispostos a acabar com a fila e fazer com que o povo pobre seja respeitado neste país”, afirmou.
Ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, Lula detalhou que a Bahia receberá equipamentos especializados em cardiologia, oftalmologia e pneumologia para 130 unidades básicas em 42 municípios, além da ampliação do funcionamento das policlínicas nos fins de semana.
Os investimentos anunciados têm impacto direto na vida da população mais vulnerável. Estão previstas oito novas policlínicas, com aporte de R$ 240 milhões, além da implantação de 11 centros de tratamento oncológico, distribuídos pelo estado.
Para mim, o ponto central é claro: decisões técnicas e orçamentárias se traduzem em menos espera, menos sofrimento e mais dignidade para quem depende exclusivamente do SUS.
Lula também destacou o reforço no atendimento médico. Desde o início da atual gestão, a Bahia passou de 1.600 para 2.300 médicos, um acréscimo de 700 profissionais.
Na área de medicamentos, o presidente lembrou o alcance do Farmácia Popular, que só na Bahia atendeu 1,34 milhão de pessoas, oferecendo gratuitamente 41 tipos de remédios, incluindo tratamentos contínuos para diabetes e hipertensão.
Outro destaque foi a saúde bucal, com a promessa de 800 vans odontológicas equipadas com tecnologia 3D até o fim do ano. “Todo mundo vai ficar com sorriso bonito”, disse Lula, em tom bem-humorado.
Combate ao feminicídio
Lula ressaltou o lançamento de um pacto inédito contra a violência contra a mulher, envolvendo Executivo, Legislativo e Judiciário. Segundo ele, o desafio vai além das leis e passa pelo funcionamento real da rede de proteção.
“O homem precisa entender que não é dono da mulher”, afirmou, defendendo também ações contra agressões e discursos de ódio nas redes sociais.
Segurança pública e PEC
Sobre a segurança, o presidente defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, que redefine o papel da União no enfrentamento ao crime organizado. Lula afirmou que, com a PEC aprovada, será criado um Ministério da Segurança Pública, com novo orçamento, mais delegados federais, reforço da Polícia Rodoviária Federal e ampliação da Guarda Nacional.
A proposta, segundo ele, busca responder a uma realidade que mudou desde a Constituição de 1988, quando os estados receberam autonomia quase total sobre a área.
Cultura em alta
O presidente também celebrou o bom momento do cinema nacional, citando os filmes Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, este último dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado pelo baiano Wagner Moura.
Lula adiantou ainda o lançamento de uma plataforma pública com cerca de 400 filmes brasileiros, além de lembrar os investimentos de R$ 557 milhões na cultura baiana, impulsionados pelas Leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo.
A entrevista de Lula em Salvador deixou um recado direto: saúde, segurança e cultura estão no centro da agenda federal. Os números impressionam, mas o desafio segue sendo transformar estatísticas em melhorias concretas no dia a dia da população.
Enquanto Brasília discute PECs e orçamentos, aqui na ponta, o que importa é saber se o posto de saúde funciona, se a mulher está protegida e se o Estado consegue enfrentar o crime organizado de forma coordenada.

















