A Bahia deve reassumir, na safra 2025/2026, o posto de maior produtora de milho do Nordeste. A projeção é do mais recente Caderno Setorial do Etene, ligado ao Banco do Nordeste, e aponta crescimento forte na produção, na área plantada e na produtividade do grão.

Segundo o levantamento, a produção baiana de milho deve chegar a 3,43 milhões de toneladas na safra 2025/2026. O volume representa alta de 22,5% em relação ao ciclo anterior.
A área plantada também deve avançar. A previsão é de crescimento de 5%, alcançando 768,7 mil hectares. Já a produtividade média pode subir 16,7%, chegando a 4.467 quilos por hectare.
Na prática, a Bahia volta a ganhar fôlego num setor que mexe com muito mais do que a lavoura. O milho abastece cadeias como avicultura, suinocultura e bovinocultura, além de ganhar espaço na produção de etanol de milho.
O movimento acompanha um cenário mais amplo de expansão do agro baiano. Em março de 2026, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia informou que a Conab estimava a safra baiana de grãos 2025/2026 em 14,4 milhões de toneladas, alta de 2,7% sobre o ciclo anterior, com chuvas favoráveis no Oeste do estado no início do plantio.
O milho é uma engrenagem silenciosa da economia. Ele aparece na ração que sustenta granjas, confinamentos, pequenos criatórios e grandes sistemas produtivos. Quando a safra cresce, o efeito costuma correr por estradas, armazéns, cooperativas, frigoríficos, usinas e comércios locais.
No Oeste baiano, onde estão algumas das maiores áreas produtoras do estado, esse avanço tem peso direto sobre emprego, renda e arrecadação municipal. Municípios como São Desidério, Correntina e Formosa do Rio Preto entram no mapa como polos estratégicos dessa expansão.
Pra mim, o que mais chama atenção é como uma decisão técnica, lá na escolha da semente, no crédito, na máquina e no manejo da terra, acaba chegando na mesa de casa sem pedir licença. O milho pode parecer só mais um grão, mas ele ajuda a definir preço, produção, trabalho e circulação de dinheiro em muitas cidades.
O superintendente estadual do Banco do Nordeste na Bahia, Pedro Lima Neto, afirma que a instituição tem atuado no apoio à cadeia produtiva do milho, especialmente na ampliação e verticalização da atividade.
“O crescimento da produtividade é resultado de investimentos em tecnologia, inovação e modernização das propriedades rurais, processos que contam com o apoio do crédito do Banco do Nordeste. A retomada da liderança da Bahia na produção de milho reflete a capacidade de investimento do setor produtivo e a confiança dos produtores no potencial do estado”, declarou.
O Banco do Nordeste também tem reforçado investimentos ligados à agroindústria baiana. Em fevereiro de 2026, a instituição informou que os recursos destinados às agroindústrias no estado quase triplicaram em 2025, passando de R$ 82 milhões em 2024 para R$ 237 milhões, com destaque para o Oeste, onde grãos como milho, soja e algodão puxam o beneficiamento e a agregação de valor.
Outro ponto relevante está no mercado de trabalho. A Bahia concentra cerca de 45% dos vínculos formais ligados ao cultivo de milho na área de atuação do Banco do Nordeste. A média anual é de 911 vínculos ativos, indicador que reforça o tamanho da atividade dentro da economia regional.
A retomada da liderança baiana no milho não nasce do acaso. Ela tem relação direta com tecnologia, crédito, escala produtiva e um Oeste que, há anos, virou uma das fronteiras agrícolas mais fortes do país.
Mas o dado bonito da produção precisa ser lido com calma. Crescer 22,5% numa safra é notícia grande, só que o impacto real depende de como esse dinheiro circula. Fica nos grandes grupos? Chega ao comércio das cidades? Melhora estrada, armazenagem, logística, emprego e renda local? Aí está a parte que separa o número de planilha da vida vivida.
Também pesa a verticalização da cadeia. Produzir milho é uma etapa. Transformar esse milho em ração, proteína animal, etanol, energia e indústria é outro jogo. É nesse segundo passo que a Bahia pode deixar de vender apenas volume e passar a capturar mais valor dentro do próprio território.
O Oeste baiano já carrega a imagem de potência agrícola. Agora, o desafio é fazer essa força conversar melhor com desenvolvimento regional, inclusão produtiva, infraestrutura e sustentabilidade. Porque safra recorde impressiona, mas desenvolvimento de verdade aparece quando a cidade também colhe.
A projeção do Etene coloca a Bahia de volta ao centro da produção nordestina de milho. O estado deve liderar não apenas pelo tamanho da safra, mas pela combinação de produtividade, crédito, tecnologia e capacidade de transformar grão em valor.
No fim das contas, o milho que cresce no campo também mede a ambição econômica da Bahia. A pergunta agora é se essa colheita vai render só números maiores ou uma região mais forte, mais conectada e mais justa.

















