Operação Compliance Zero mira agente público e Banco Master

Por Murillo Vazquez
18/06/2026

Publicado em -

180626_OXAROPE_11

A nova etapa da Operação Compliance Zero começou cedo, com a PF nas ruas da Bahia, de São Paulo e do Distrito Federal. Segundo a corporação, foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal 18 mandados de busca e apreensão. Também foram determinadas medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes.

A investigação mira, em tese, crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A nota oficial da PF não citou nomes, mas a Agência Brasil informou que o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, líder do governo no Senado, e Augusto Ferreira Lima, ligado ao Banco Master, estão entre os alvos.

O caso se conecta ao enredo maior da Compliance Zero, operação que, desde novembro de 2025, apura suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, carteiras de crédito, fundos de investimento e relações entre empresários, operadores financeiros e agentes públicos. A Folha apontou que a investigação começou após requisição do Ministério Público Federal, em 2024, e colocou no centro das apurações o banco de Daniel Vorcaro e estruturas usadas, segundo investigadores, para mascarar prejuízos e desviar recursos.

O que está em jogo não é só mais uma operação policial com nome em inglês e imagem de arquivo. É a confiança no sistema financeiro, no controle público e na capacidade do Estado de impedir que dinheiro, influência política e interesses privados se misturem sem recibo na mesa.

Quando uma investigação fala em corrupção e lavagem de dinheiro dentro do sistema financeiro, o assunto sai dos gabinetes e chega ao bolso comum. Pode parecer distante de quem pega ônibus cedo ou confere o extrato no fim do mês, mas não é. Banco, crédito, fundo, previdência e dinheiro público formam uma teia. Quando uma ponta arrebenta, muita gente paga a conta sem nem saber onde assinou.

Pra mim, o que mais chama atenção é como uma decisão técnica, dessas que nascem em relatório, despacho e cautelar, pode bater na porta de casa sem pedir licença. O cidadão olha a notícia e pensa: “isso é coisa de banqueiro e político”. Só que o risco sistêmico, quando aparece, não escolhe sobrenome.

A defesa de Augusto Lima afirmou à Agência Brasil que as diligências eram “desnecessárias” e disse que ele está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos. Os advogados também sustentaram que as medidas devem demonstrar a licitude dos fatos apurados nesta fase.

Até a publicação da reportagem da Agência Brasil, a assessoria de Jaques Wagner havia sido procurada e ainda não tinha enviado posicionamento. Outros veículos também registraram que o senador não havia se manifestado publicamente nas primeiras horas após a operação.

O Poder360 informou que a operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e que a decisão envolve medidas contra Jaques Wagner no âmbito do caso Master. O mesmo veículo apontou Augusto Ferreira Lima como dono do Banco Pleno e ex-sócio do Master.

A Reuters, ao tratar da decisão, observou um ponto jurídico essencial: a autorização de buscas não equivale a denúncia formal nem a condenação. É uma fase de coleta de provas, ainda dentro do caminho investigativo.

A Operação Compliance Zero chegou à 9ª fase com uma mensagem incômoda: quando o sistema financeiro começa a depender demais de relações pessoais, favores, atalhos e influência, o nome bonito da governança vira decoração de PowerPoint.

O caso tem todos os ingredientes de uma novela brasileira de alto andar: banco, política, Brasília, São Paulo, Bahia, Supremo, empresário influente, mandado de busca, cautelar, passaporte suspenso. Mas por trás da cena grande existe uma pergunta simples, quase de feira: quem fiscalizou isso antes de virar escândalo?

É preciso separar investigação de sentença. Ninguém deve ser tratado como culpado antes do devido processo. Mas também não dá pra fingir normalidade quando a PF, com autorização do STF, cumpre 18 buscas em três unidades da Federação para apurar corrupção e lavagem de dinheiro em torno de instituições financeiras.

O Brasil já viu esse filme algumas vezes. Muda o banco, muda o partido, muda o figurino, mas a trama insiste em voltar: dinheiro grosso circula perto do poder, o controle chega tarde, e o cidadão fica olhando a conta chegar pelo correio.

A Compliance Zero tem nome duro, quase irônico. Compliance, em tese, é controle, regra, prevenção, governança. Zero é o vazio. Quando os dois termos aparecem juntos, o recado é claro: onde deveria haver barreira, a suspeita é de passagem livre.

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Operação Compliance Zero mira agente público e Banco Master

Por Murillo Vazquez
18/06/2026 - 14h15 - Atualizado 18 de junho de 2026

Publicado em -

180626_OXAROPE_11

A nova etapa da Operação Compliance Zero começou cedo, com a PF nas ruas da Bahia, de São Paulo e do Distrito Federal. Segundo a corporação, foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal 18 mandados de busca e apreensão. Também foram determinadas medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes.

A investigação mira, em tese, crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A nota oficial da PF não citou nomes, mas a Agência Brasil informou que o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, líder do governo no Senado, e Augusto Ferreira Lima, ligado ao Banco Master, estão entre os alvos.

O caso se conecta ao enredo maior da Compliance Zero, operação que, desde novembro de 2025, apura suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, carteiras de crédito, fundos de investimento e relações entre empresários, operadores financeiros e agentes públicos. A Folha apontou que a investigação começou após requisição do Ministério Público Federal, em 2024, e colocou no centro das apurações o banco de Daniel Vorcaro e estruturas usadas, segundo investigadores, para mascarar prejuízos e desviar recursos.

O que está em jogo não é só mais uma operação policial com nome em inglês e imagem de arquivo. É a confiança no sistema financeiro, no controle público e na capacidade do Estado de impedir que dinheiro, influência política e interesses privados se misturem sem recibo na mesa.

Quando uma investigação fala em corrupção e lavagem de dinheiro dentro do sistema financeiro, o assunto sai dos gabinetes e chega ao bolso comum. Pode parecer distante de quem pega ônibus cedo ou confere o extrato no fim do mês, mas não é. Banco, crédito, fundo, previdência e dinheiro público formam uma teia. Quando uma ponta arrebenta, muita gente paga a conta sem nem saber onde assinou.

Pra mim, o que mais chama atenção é como uma decisão técnica, dessas que nascem em relatório, despacho e cautelar, pode bater na porta de casa sem pedir licença. O cidadão olha a notícia e pensa: “isso é coisa de banqueiro e político”. Só que o risco sistêmico, quando aparece, não escolhe sobrenome.

A defesa de Augusto Lima afirmou à Agência Brasil que as diligências eram “desnecessárias” e disse que ele está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos. Os advogados também sustentaram que as medidas devem demonstrar a licitude dos fatos apurados nesta fase.

Até a publicação da reportagem da Agência Brasil, a assessoria de Jaques Wagner havia sido procurada e ainda não tinha enviado posicionamento. Outros veículos também registraram que o senador não havia se manifestado publicamente nas primeiras horas após a operação.

O Poder360 informou que a operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e que a decisão envolve medidas contra Jaques Wagner no âmbito do caso Master. O mesmo veículo apontou Augusto Ferreira Lima como dono do Banco Pleno e ex-sócio do Master.

A Reuters, ao tratar da decisão, observou um ponto jurídico essencial: a autorização de buscas não equivale a denúncia formal nem a condenação. É uma fase de coleta de provas, ainda dentro do caminho investigativo.

A Operação Compliance Zero chegou à 9ª fase com uma mensagem incômoda: quando o sistema financeiro começa a depender demais de relações pessoais, favores, atalhos e influência, o nome bonito da governança vira decoração de PowerPoint.

O caso tem todos os ingredientes de uma novela brasileira de alto andar: banco, política, Brasília, São Paulo, Bahia, Supremo, empresário influente, mandado de busca, cautelar, passaporte suspenso. Mas por trás da cena grande existe uma pergunta simples, quase de feira: quem fiscalizou isso antes de virar escândalo?

É preciso separar investigação de sentença. Ninguém deve ser tratado como culpado antes do devido processo. Mas também não dá pra fingir normalidade quando a PF, com autorização do STF, cumpre 18 buscas em três unidades da Federação para apurar corrupção e lavagem de dinheiro em torno de instituições financeiras.

O Brasil já viu esse filme algumas vezes. Muda o banco, muda o partido, muda o figurino, mas a trama insiste em voltar: dinheiro grosso circula perto do poder, o controle chega tarde, e o cidadão fica olhando a conta chegar pelo correio.

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