Nova cobrança da iluminação pública em Eunápolis preocupa moradores e comerciantes

Por Murillo Vazquez
24/04/2026

Publicado em -

08d53bb5-568b-4b2a-bfef-102733257b8b

O aumento da cobrança de iluminação pública em Eunápolis acendeu um alerta na cidade. Em um período de orçamento apertado para famílias e comerciantes, a COSIP volta ao centro do debate sobre legalidade, justiça e transparência.

A cobrança de iluminação pública é legal no Brasil quando feita como COSIP ou CIP, contribuição criada por lei municipal. A Constituição Federal autoriza municípios e o Distrito Federal a instituírem essa contribuição e permite a cobrança na conta de energia elétrica.

Mas existe um limite jurídico importante. O Supremo Tribunal Federal fixou, na Súmula Vinculante 41, que o serviço de iluminação pública não pode ser remunerado por taxa comum. Ou seja, a cobrança só se sustenta quando respeita o formato constitucional da contribuição, criada por lei e com finalidade definida.

No extremo sul da Bahia, Porto Seguro e Teixeira de Freitas aparecem como os dois maiores municípios do recorte regional analisado. Segundo as estimativas populacionais de 2025 do IBGE, Porto Seguro tem 182.630 habitantes, enquanto Teixeira de Freitas tem 153.738 habitantes.

Em Eunápolis, a discussão ganhou força com o Projeto de Lei nº 28/2025, que institui a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública para pessoas físicas, jurídicas, imóveis residenciais e não residenciais, comércio e indústria, além de prever isenções. A própria Câmara informou que o projeto entrou na pauta das sessões extraordinárias de dezembro de 2025.

Reportagem local apontou que o modelo anterior da COSIP em Eunápolis era baseado em alíquota única de até 10% sobre o valor líquido da conta de energia, com limites por faixa de consumo. O novo desenho, segundo a mesma apuração, passou a prever percentuais progressivos de 0% a 120%, mudança da base de cálculo para a Tarifa de Iluminação Pública B4a da ANEEL, reajuste automático e inclusão de terrenos e imóveis não edificados.

É nesse ponto que a cobrança deixa de ser apenas um tema técnico. Quando uma contribuição passa a ter potencial de crescimento automático e impacto direto na fatura, o cidadão precisa entender com clareza o que está pagando, por que está pagando e qual retorno terá nas ruas.

Porto Seguro e Teixeira de Freitas

A comparação regional ajuda a medir o tamanho da mudança em Eunápolis.

Em Porto Seguro, a COSIP também está ligada à conta de energia. O Decreto nº 16.869/2025 atualizou em 4,41% o custo usado para o cálculo da contribuição para vigência em 2026 e confirmou que a base de cálculo é o valor líquido da conta de consumo.

Na tabela-base de Porto Seguro, há faixas de consumo e limites máximos. Para consumidores residenciais, aparecem valores como R$ 5,00 para 51 a 60 kWh, R$ 8,00 para 61 a 80 kWh, R$ 10,00 para 81 a 100 kWh, R$ 19,00 para 101 a 200 kWh e R$ 28,00 para 201 a 300 kWh.

Em Teixeira de Freitas, a Lei nº 1.232/2022 alterou a tabela da COSIP. Para imóveis residenciais, há isenção até 50 kWh. Depois disso, a cobrança passa para R$ 9,00 de 51 a 100 kWh, R$ 12,00 de 101 a 200 kWh, R$ 18,00 de 201 a 300 kWh e R$ 22,50 acima de 300 kWh.

A diferença é clara. Porto Seguro e Teixeira de Freitas trabalham com faixas que permitem ao consumidor visualizar melhor o limite da cobrança. Em Eunápolis, o debate é mais sensível porque a proposta noticiada envolve percentuais mais altos, base de cálculo técnica e reajuste automático.

No momento em que o Brasil ainda convive com inflação pressionada, juros altos e crescimento econômico limitado, aumentar a cobrança de iluminação pública em Eunápolis exige mais do que justificativa técnica, exige sensibilidade social. O Relatório Focus mais recente citado pelo mercado elevou a projeção do IPCA de 2026 para 4,80% e indicou Selic em 13% ao ano, cenário que encarece crédito, aperta o comércio e reduz o fôlego das famílias. No mundo, o FMI também aponta crescimento global de 3,1% em 2026, sinal de uma economia internacional ainda cautelosa. Diante disso, a pergunta que fica é inevitável: é justo ampliar uma cobrança mensal justamente quando o cidadão já sente o peso da energia, dos alimentos, dos impostos e da renda curta? Em Eunápolis, onde cada aumento chega primeiro no caixa da casa, no balcão do pequeno comerciante e na conta do trabalhador, a mudança pode até ser legal, mas precisa provar que é necessária, proporcional e transparente.

Para mim, o que mais chama atenção é que uma cobrança aparentemente pequena pode se transformar em peso real quando somada à conta de energia, alimentação, aluguel, transporte, impostos e despesas do comércio. O município pode alegar necessidade de custeio, mas a população pode e deve cobrar resultado.

Quando o cidadão entende a tabela, ele consegue fiscalizar. Quando a cobrança depende de percentuais, tarifas técnicas e reajustes automáticos, o risco é transformar uma contribuição pública em uma conta difícil de explicar para quem paga.

Mais recentes

Inflação em Salvador desacelera, mas comida e luz ainda apertam o orçamento

A inflação na Região Metropolitana de Salvador perdeu força pelo segundo mês seguido em maio de 2026,…

Radar Tarifaço Bahia expõe risco de US$ 880 milhões nas exportações baianas

A FIEB lançou o Radar Tarifaço Bahia, painel gratuito que acompanha os efeitos das tarifas norte-americanas sobre…

Novo canal de TV aberta em Salvador amplia acesso à informação para 2,5 milhões de moradores

O Ministério das Comunicações autorizou a retransmissão de um novo canal de televisão aberta para Salvador, na…

Prefeitura de Eunápolis celebra formatura de mais de cem alunos no PROERD

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação, celebrou nessa quinta-feira (11), a formatura…

Prefeitura de Eunápolis realiza segunda etapa da escleroterapia  

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, segue avançando com o mutirão de…

Nova cobrança da iluminação pública em Eunápolis preocupa moradores e comerciantes

Por Murillo Vazquez
24/04/2026 - 12h07 - Atualizado 24 de abril de 2026

Publicado em -

08d53bb5-568b-4b2a-bfef-102733257b8b

O aumento da cobrança de iluminação pública em Eunápolis acendeu um alerta na cidade. Em um período de orçamento apertado para famílias e comerciantes, a COSIP volta ao centro do debate sobre legalidade, justiça e transparência.

A cobrança de iluminação pública é legal no Brasil quando feita como COSIP ou CIP, contribuição criada por lei municipal. A Constituição Federal autoriza municípios e o Distrito Federal a instituírem essa contribuição e permite a cobrança na conta de energia elétrica.

Mas existe um limite jurídico importante. O Supremo Tribunal Federal fixou, na Súmula Vinculante 41, que o serviço de iluminação pública não pode ser remunerado por taxa comum. Ou seja, a cobrança só se sustenta quando respeita o formato constitucional da contribuição, criada por lei e com finalidade definida.

No extremo sul da Bahia, Porto Seguro e Teixeira de Freitas aparecem como os dois maiores municípios do recorte regional analisado. Segundo as estimativas populacionais de 2025 do IBGE, Porto Seguro tem 182.630 habitantes, enquanto Teixeira de Freitas tem 153.738 habitantes.

Em Eunápolis, a discussão ganhou força com o Projeto de Lei nº 28/2025, que institui a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública para pessoas físicas, jurídicas, imóveis residenciais e não residenciais, comércio e indústria, além de prever isenções. A própria Câmara informou que o projeto entrou na pauta das sessões extraordinárias de dezembro de 2025.

Reportagem local apontou que o modelo anterior da COSIP em Eunápolis era baseado em alíquota única de até 10% sobre o valor líquido da conta de energia, com limites por faixa de consumo. O novo desenho, segundo a mesma apuração, passou a prever percentuais progressivos de 0% a 120%, mudança da base de cálculo para a Tarifa de Iluminação Pública B4a da ANEEL, reajuste automático e inclusão de terrenos e imóveis não edificados.

É nesse ponto que a cobrança deixa de ser apenas um tema técnico. Quando uma contribuição passa a ter potencial de crescimento automático e impacto direto na fatura, o cidadão precisa entender com clareza o que está pagando, por que está pagando e qual retorno terá nas ruas.

Porto Seguro e Teixeira de Freitas

A comparação regional ajuda a medir o tamanho da mudança em Eunápolis.

Em Porto Seguro, a COSIP também está ligada à conta de energia. O Decreto nº 16.869/2025 atualizou em 4,41% o custo usado para o cálculo da contribuição para vigência em 2026 e confirmou que a base de cálculo é o valor líquido da conta de consumo.

Na tabela-base de Porto Seguro, há faixas de consumo e limites máximos. Para consumidores residenciais, aparecem valores como R$ 5,00 para 51 a 60 kWh, R$ 8,00 para 61 a 80 kWh, R$ 10,00 para 81 a 100 kWh, R$ 19,00 para 101 a 200 kWh e R$ 28,00 para 201 a 300 kWh.

Em Teixeira de Freitas, a Lei nº 1.232/2022 alterou a tabela da COSIP. Para imóveis residenciais, há isenção até 50 kWh. Depois disso, a cobrança passa para R$ 9,00 de 51 a 100 kWh, R$ 12,00 de 101 a 200 kWh, R$ 18,00 de 201 a 300 kWh e R$ 22,50 acima de 300 kWh.

A diferença é clara. Porto Seguro e Teixeira de Freitas trabalham com faixas que permitem ao consumidor visualizar melhor o limite da cobrança. Em Eunápolis, o debate é mais sensível porque a proposta noticiada envolve percentuais mais altos, base de cálculo técnica e reajuste automático.

No momento em que o Brasil ainda convive com inflação pressionada, juros altos e crescimento econômico limitado, aumentar a cobrança de iluminação pública em Eunápolis exige mais do que justificativa técnica, exige sensibilidade social. O Relatório Focus mais recente citado pelo mercado elevou a projeção do IPCA de 2026 para 4,80% e indicou Selic em 13% ao ano, cenário que encarece crédito, aperta o comércio e reduz o fôlego das famílias. No mundo, o FMI também aponta crescimento global de 3,1% em 2026, sinal de uma economia internacional ainda cautelosa. Diante disso, a pergunta que fica é inevitável: é justo ampliar uma cobrança mensal justamente quando o cidadão já sente o peso da energia, dos alimentos, dos impostos e da renda curta? Em Eunápolis, onde cada aumento chega primeiro no caixa da casa, no balcão do pequeno comerciante e na conta do trabalhador, a mudança pode até ser legal, mas precisa provar que é necessária, proporcional e transparente.

Para mim, o que mais chama atenção é que uma cobrança aparentemente pequena pode se transformar em peso real quando somada à conta de energia, alimentação, aluguel, transporte, impostos e despesas do comércio. O município pode alegar necessidade de custeio, mas a população pode e deve cobrar resultado.

Quando o cidadão entende a tabela, ele consegue fiscalizar. Quando a cobrança depende de percentuais, tarifas técnicas e reajustes automáticos, o risco é transformar uma contribuição pública em uma conta difícil de explicar para quem paga.

Mais recentes

Inflação em Salvador desacelera, mas comida e luz ainda apertam o orçamento

A inflação na Região Metropolitana de Salvador perdeu força pelo segundo mês seguido em maio de 2026, mas o alívio não chegou inteiro à mesa…

Radar Tarifaço Bahia expõe risco de US$ 880 milhões nas exportações baianas

A FIEB lançou o Radar Tarifaço Bahia, painel gratuito que acompanha os efeitos das tarifas norte-americanas sobre exportações do Brasil e da Bahia. A ferramenta…

Novo canal de TV aberta em Salvador amplia acesso à informação para 2,5 milhões de moradores

O Ministério das Comunicações autorizou a retransmissão de um novo canal de televisão aberta para Salvador, na Bahia. Segundo o órgão, a outorga foi publicada…

Prefeitura de Eunápolis celebra formatura de mais de cem alunos no PROERD

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação, celebrou nessa quinta-feira (11), a formatura de 100 estudantes da Escola Municipal Fernando Alban…

Prefeitura de Eunápolis realiza segunda etapa da escleroterapia  

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, segue avançando com o mutirão de tratamento vascular destinado a pacientes com problemas de…

Fome recua no Nordeste e Sisan ganha protagonismo aos 20 anos

O Nordeste registrou uma das mudanças sociais mais fortes dos últimos anos no combate à fome. Entre 2022 e 2024, cerca de 9,6 milhões de…

Serviços na Bahia ficam estáveis em abril, mas turismo dá salto e lidera alta no país

O setor de serviços da Bahia ficou parado entre março e abril, mas não sem sinal de movimento. Enquanto o volume geral marcou 0,0%, o…

Sudene NE 4.0 leva transformação digital para a indústria baiana

A indústria baiana entra em uma nova etapa de modernização a partir da próxima terça-feira, 16 de junho. Em Salvador, a Sudene lança o Programa…

Prefeitura de Eunápolis: mais de  80 crianças e adolescentes são beneficiadas com mutirão de cirurgias de adenoidectomia e amigdalectomia

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, realizou nesta quinta-feira (11) mais uma etapa das ações para ampliar o acesso à…

Veracel movimenta R$ 409 milhões na economia do Sul da Bahia e preserva mais de 100 mil hectares de Mata Atlântica em 2025

Com 34 anos de atuação no Sul e Extremo Sul da Bahia, a Veracel divulgou seu Relatório de Sustentabilidade 2025, que apresenta os principais resultados…

Prefeito Robério Oliveira vistoria obras de pavimentação no Bairro Nova Esperança

Nesta quarta-feira (10), o prefeito Robério Oliveira esteve no Bairro Nova Esperança para vistoriar o andamento das obras de pavimentação executadas pela Prefeitura de Eunápolis,…

Governo da Bahia autoriza R$ 388,7 milhões em investimentos para ampliar e fortalecer a saúde nos municípios

O governador Jerônimo Rodrigues assinou, nesta quinta-feira (11), um conjunto de 59 atos voltados ao fortalecimento da rede pública de saúde da Bahia. Os investimentos…

Ao lado da secretária Roberta Santana, deputada Cláudia Oliveira acompanha transição no Hospital de Porto Seguro e garante continuidade dos serviços

Em uma importante agenda de trabalho realizada nesta terça-feira (9), a deputada estadual Cláudia Oliveira acompanhou a secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana, durante…

Operação Maré Vermelha mira organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta quinta-feira (11), a Operação Maré Vermelha para cumprir ordens judiciais contra integrantes de uma organização criminosa…

Lançamento da temporada 2026 do turismo de avistamento de baleias, no litoral baiano

A Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA) e a Barco Show Eventos promovem, nesta sexta-feira (12), às 9h, na Marina da Penha, no bairro da…

Rolar para cima