Reajuste do salário mínimo agrava ainda mais a crise das prefeituras, aponta CNM

Por Marcelo oXarope
03/01/2024

Publicado em

oXarope1020123-noiticia-1
O reajuste do salário mínimo — de R$ 1.320 para R$ 1.412

Cofres municipais sofrerão impacto de R$ 4,33 bilhões a partir de janeiro; prefeituras possuem 2,3 milhões de servidores com até 1,5 salário mensal

O reajuste do salário mínimo — de R$ 1.320 para R$ 1.412 — vai causar um impacto de R$ 4,33 bilhões nos cofres municipais, agravando ainda mais a crise financeira enfrentada pelas prefeituras. A análise foi divulgada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).

De acordo com a entidade, as prefeituras possuem cerca de 2,3 milhões de funcionários que recebem mensalmente até um salário e meio. O novo valor deve ser pago a todos os trabalhadores do setor público e privado, aposentados e pensionistas, a partir de 1º de janeiro de 2024. A CNM aponta que o reajuste vai impactar, principalmente, as prefeituras de cidades menores e que possuem menos poder de aumentar sua arrecadação. 

Minas Gerais, Bahia e Ceará concentram o maior número de servidores municipais que recebem até 1,5 salário mínimo. A soma dos servidores desses três estados corresponde a um terço do total do país. Já os estados com a menor concentração de servidores municipais com até 1,5 salário mensal são Acre, Amapá e Rondônia.

Para o professor de Economia da UnB Roberto Piscitelli, embora o salário mínimo ainda esteja longe de constituir um salário ideal, “o ganho real é uma conquista importante para os trabalhadores”. O especialista entende que, apesar disso, o reajuste é uma notícia positiva. “Diga-se de passagem, a maior parte das categorias organizadas, cerca de 80% do sistema, teve neste ano [de 2022] aumentos reais. Portanto, é bastante razoável que esse aumento se estenda àquelas pessoas que constituem a maior massa de trabalhadores, que são, teoricamente, os mais desprotegidos, os menos favorecidos”, avalia.

Já o professor Benito Salomão, doutor em Economia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), observa que o reajuste foi abaixo do que estava previsto pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO),  que estabelece regras para a elaboração da Lei Orçamentária do ano seguinte: “Ainda assim, o reajuste veio com ganho real relevante para os trabalhadores, acima de 3%, então me parece uma boa estratégia [do governo]”, enfatiza.

Segundo o economista Newton Marques, ao fazer o reajuste do mínimo de 6,85% o governo foi além da inflação do período, “que foi de 3,85%”. Conforme o analista, “a regra agora é crescimento com base no PIB [Produto Interno Bruto] de dois anos anteriores, mais o reajuste da inflação”.

Reportagem: José Roberto Azambuja

Mais recentes

Inflação em Salvador desacelera, mas semestre pesa no bolso

A inflação na Região Metropolitana de Salvador ficou em 0,15% em junho, na terceira desaceleração consecutiva desde…

Produção industrial baiana cai 8,9% e tem pior resultado do país

A produção industrial da Bahia recuou 8,9% entre abril e maio de 2026, a maior queda entre…

Santa Cruz Cabrália registra 674 novas vagas e fica em 2º lugar na geração de empregos na Bahia

Município criou 674 vagas com carteira assinada em maio e ficou atrás apenas de Salvador, segundo o...

Salário na conta: R$ 22 milhões aquecem economia de Eunápolis às vésperas do Pedrão

Às vésperas do Pedrão 2026, a Prefeitura de Eunápolis realizou, nesta terça-feira (30), o pagamento dos salários…

Milho na Bahia deve retomar liderança no Nordeste em 2026

A Bahia deve reassumir, na safra 2025/2026, o posto de maior produtora de milho do Nordeste. A…

Reajuste do salário mínimo agrava ainda mais a crise das prefeituras, aponta CNM

Por Marcelo oXarope
03/01/2024 - 11h00 - Atualizado 5 de janeiro de 2024

Publicado em

oXarope1020123-noiticia-1
O reajuste do salário mínimo — de R$ 1.320 para R$ 1.412

Cofres municipais sofrerão impacto de R$ 4,33 bilhões a partir de janeiro; prefeituras possuem 2,3 milhões de servidores com até 1,5 salário mensal

O reajuste do salário mínimo — de R$ 1.320 para R$ 1.412 — vai causar um impacto de R$ 4,33 bilhões nos cofres municipais, agravando ainda mais a crise financeira enfrentada pelas prefeituras. A análise foi divulgada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).

De acordo com a entidade, as prefeituras possuem cerca de 2,3 milhões de funcionários que recebem mensalmente até um salário e meio. O novo valor deve ser pago a todos os trabalhadores do setor público e privado, aposentados e pensionistas, a partir de 1º de janeiro de 2024. A CNM aponta que o reajuste vai impactar, principalmente, as prefeituras de cidades menores e que possuem menos poder de aumentar sua arrecadação. 

Minas Gerais, Bahia e Ceará concentram o maior número de servidores municipais que recebem até 1,5 salário mínimo. A soma dos servidores desses três estados corresponde a um terço do total do país. Já os estados com a menor concentração de servidores municipais com até 1,5 salário mensal são Acre, Amapá e Rondônia.

Para o professor de Economia da UnB Roberto Piscitelli, embora o salário mínimo ainda esteja longe de constituir um salário ideal, “o ganho real é uma conquista importante para os trabalhadores”. O especialista entende que, apesar disso, o reajuste é uma notícia positiva. “Diga-se de passagem, a maior parte das categorias organizadas, cerca de 80% do sistema, teve neste ano [de 2022] aumentos reais. Portanto, é bastante razoável que esse aumento se estenda àquelas pessoas que constituem a maior massa de trabalhadores, que são, teoricamente, os mais desprotegidos, os menos favorecidos”, avalia.

Já o professor Benito Salomão, doutor em Economia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), observa que o reajuste foi abaixo do que estava previsto pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO),  que estabelece regras para a elaboração da Lei Orçamentária do ano seguinte: “Ainda assim, o reajuste veio com ganho real relevante para os trabalhadores, acima de 3%, então me parece uma boa estratégia [do governo]”, enfatiza.

Segundo o economista Newton Marques, ao fazer o reajuste do mínimo de 6,85% o governo foi além da inflação do período, “que foi de 3,85%”. Conforme o analista, “a regra agora é crescimento com base no PIB [Produto Interno Bruto] de dois anos anteriores, mais o reajuste da inflação”.

Reportagem: José Roberto Azambuja

Mais recentes

Inflação em Salvador desacelera, mas semestre pesa no bolso

A inflação na Região Metropolitana de Salvador ficou em 0,15% em junho, na terceira desaceleração consecutiva desde o pico de março. O alívio veio principalmente…

Produção industrial baiana cai 8,9% e tem pior resultado do país

A produção industrial da Bahia recuou 8,9% entre abril e maio de 2026, a maior queda entre os 15 locais pesquisados pelo IBGE. O tombo…

Santa Cruz Cabrália registra 674 novas vagas e fica em 2º lugar na geração de empregos na Bahia

Município criou 674 vagas com carteira assinada em maio e ficou atrás apenas de Salvador, segundo o novo Caged.

Salário na conta: R$ 22 milhões aquecem economia de Eunápolis às vésperas do Pedrão

Às vésperas do Pedrão 2026, a Prefeitura de Eunápolis realizou, nesta terça-feira (30), o pagamento dos salários dos servidores municipais. São mais de R$ 22…

Milho na Bahia deve retomar liderança no Nordeste em 2026

A Bahia deve reassumir, na safra 2025/2026, o posto de maior produtora de milho do Nordeste. A projeção é do mais recente Caderno Setorial do…

Inflação em Salvador desacelera, mas comida e luz ainda apertam o orçamento

A inflação na Região Metropolitana de Salvador perdeu força pelo segundo mês seguido em maio de 2026, mas o alívio não chegou inteiro à mesa…

Radar Tarifaço Bahia expõe risco de US$ 880 milhões nas exportações baianas

A FIEB lançou o Radar Tarifaço Bahia, painel gratuito que acompanha os efeitos das tarifas norte-americanas sobre exportações do Brasil e da Bahia. A ferramenta…

Serviços na Bahia ficam estáveis em abril, mas turismo dá salto e lidera alta no país

O setor de serviços da Bahia ficou parado entre março e abril, mas não sem sinal de movimento. Enquanto o volume geral marcou 0,0%, o…

Endividamento das famílias expõe o aperto real no bolso dos brasileiros

O Brasil chegou a abril de 2026 com 80,9% das famílias endividadas, o maior patamar da série da Peic. O dado revela um país onde…

Construção civil baiana lidera Norte-Nordeste e movimenta R$ 25,9 bilhões em obras

A construção civil baiana fechou 2024 como uma das maiores forças econômicas do país. Com 2.886 empresas, 127,9 mil trabalhadores e R$ 25,9 bilhões em…

Indústria baiana lidera crescimento em abril, mas acende sinal de cautela no acumulado

A indústria baiana respirou melhor em abril de 2026. O estado teve o maior avanço do país na passagem de março para abril, com alta…

Governo da Bahia realiza pagamento de nova parcela do precatório e do abono extraordinário, nesta terça-feira (9)

Os pagamentos da nova parcela do precatório principal do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) e do…

Reforma Casa Brasil amplia crédito e reacende sonho da casa segura

O Reforma Casa Brasil entrou em nova fase neste mês de junho, com regras mais acessíveis para famílias que querem melhorar a própria casa. O…

Prefeitura de Porto Seguro concede reajuste salarial dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias

Na tarde desta terça-feira, 2, o vice-prefeito Paulinho Toa Toa e o secretário municipal de Saúde, Renato Antunes, receberam a diretoria do Sindicato dos Agentes…

Sindicombustíveis Bahia garante novo adiamento do ICMS sobre etanol e evita impacto imediato no setor

O Sindicombustíveis Bahia obteve mais uma importante vitória para o setor de revenda de combustíveis. Após solicitação da entidade, o Governo da Bahia decidiu adiar…

Rolar para cima