STJ decide que brancos não podem ser vítimas de racismo pela cor da pele

Ministros descartaram o "racismo reverso" e definiram que ofensas aos brancos deveriam ser tratadas como injúria simples

Por Marcelo oXarope
04/02/2025

Publicado em - -

oXarope1040225noticia3

Por unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o crime de injúria racial não se aplica a pessoas brancas quando a ofensa está relacionada exclusivamente ao coração da pele. O julgamento ocorreu em 4 de fevereiro de 2025 e os ministros reforçaram que o racismo é uma característica estrutural que afeta grupos historicamente discriminados.

O caso

O processo teve origem em Alagoas, onde, em julho de 2023, um homem negro foi denunciado por injúria racial após chamar um homem branco de “escravista cabeça branca europeia” em mensagens de aplicativo. A defesa do acusado argumentou que a injúria racial só se configuraria quando a ofensa reforçasse um contexto de discriminação estrutural, o que não se aplicaria a uma pessoa branca.

A decisão do STJ reformou o entendimento anterior do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), que havia aceitado a denúncia por injúria racial. Com o novo julgamento, os ministros concluíram que o caso deve ser tratado como injúria simples, previsto no artigo 140 do Código Penal, e não como injúria racial, tipificada no artigo 140, §3º .

Decisão do STJ

O relator do caso, ministro Og Fernandes, destacou que o crime de injúria racial tem como objetivo proteger grupos historicamente marginalizados. Segundo ele, o conceito de “racismo reverso” não se sustenta juridicamente, pois o racismo é um sistema de opressão que se baseia na desigualdade estrutural.

“Embora pessoas brancas podem ser alvo de ofensas, essas situações não se enquadram como injúria racial, pois não refletem um contexto de discriminação sistemática. Nesses casos, a conduta deve ser tratada como injúria simples” , afirmou o ministro.

Implicações da decisão

A decisão do STJ reforça o entendimento de que o racismo no Brasil é uma questão estrutural, ou seja, direcionado a grupos historicamente vulneráveis, como a população negra e indígena. Especialistas apontam que essas autoridades podem influenciar novos casos e impedir o uso do argumento de “racismo reverso” em processos futuros.

Com essa definição, as ofensas contra pessoas brancas continuam passíveis de proteção, mas não como crime de injúria racial, e sim como injúria comum, com pena prevista de detenção de um a seis meses ou multa, podendo aumentar caso haja agravantes.

Repercussão

A decisão gerou debates entre juristas e a sociedade. Enquanto especialistas em direito penal e movimentos negros celebravam a reafirmação de que o racismo deve ser entendido a partir de sua dimensão histórica e social, alguns setores questionaram se isso poderia levar a interpretações distintas para casos de ofensa.

O Ministério Público Federal (MPF) afirmou que a decisão está alinhada com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre racismo e injúria racial como crimes contra a dignidade de grupos historicamente discriminados.

Conclusão

Com o julgamento, o STJ estabelece um precedente importante para futuras decisões sobre injúria racial. A corte reforça que o racismo no Brasil é um aspecto estrutural, e que as ofensas contra os brancos podem configurar crimes, mas não sob a tipificação de injúria racial.

1678540344banner-970x90-bello.png

Mais recentes

Prefeitura de Eunápolis investe na requalificação de praças e modernização das quadras esportivas

A Prefeitura de Eunápolis segue investindo na requalificação de praças, com foco na melhoria da infraestrutura e…

Brasil bate novo recorde na produção de grãos em 2025 e dobra safra em 13 anos

A safra de grãos no Brasil em 2025 atingiu 346,1 milhões de toneladas. Este é o maior…

Aula inaugural marca o início do programa de Jovem Aprendiz 2026 da Veracel

A Veracel Celulose deu início nessa semana a uma nova edição do seu Programa Jovem Aprendiz com…

Partido NOVO traça estratégia para 2026 e amplia atuação política em Porto Seguro

O Núcleo do Partido NOVO em Porto Seguro realizou, nesta semana, uma reunião com filiados e apoiadores…

Lula eleva combate ao crime organizado a política de Estado com integração entre Judiciário, MP e Executivo

O governo federal decidiu transformar o enfrentamento ao crime organizado em política de Estado. O anúncio foi…

STJ decide que brancos não podem ser vítimas de racismo pela cor da pele

Ministros descartaram o "racismo reverso" e definiram que ofensas aos brancos deveriam ser tratadas como injúria simples

Por Marcelo oXarope
04/02/2025 - 18h26 - Atualizado 4 de fevereiro de 2025

Publicado em - -

oXarope1040225noticia3

Por unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o crime de injúria racial não se aplica a pessoas brancas quando a ofensa está relacionada exclusivamente ao coração da pele. O julgamento ocorreu em 4 de fevereiro de 2025 e os ministros reforçaram que o racismo é uma característica estrutural que afeta grupos historicamente discriminados.

O caso

O processo teve origem em Alagoas, onde, em julho de 2023, um homem negro foi denunciado por injúria racial após chamar um homem branco de “escravista cabeça branca europeia” em mensagens de aplicativo. A defesa do acusado argumentou que a injúria racial só se configuraria quando a ofensa reforçasse um contexto de discriminação estrutural, o que não se aplicaria a uma pessoa branca.

A decisão do STJ reformou o entendimento anterior do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), que havia aceitado a denúncia por injúria racial. Com o novo julgamento, os ministros concluíram que o caso deve ser tratado como injúria simples, previsto no artigo 140 do Código Penal, e não como injúria racial, tipificada no artigo 140, §3º .

Decisão do STJ

O relator do caso, ministro Og Fernandes, destacou que o crime de injúria racial tem como objetivo proteger grupos historicamente marginalizados. Segundo ele, o conceito de “racismo reverso” não se sustenta juridicamente, pois o racismo é um sistema de opressão que se baseia na desigualdade estrutural.

“Embora pessoas brancas podem ser alvo de ofensas, essas situações não se enquadram como injúria racial, pois não refletem um contexto de discriminação sistemática. Nesses casos, a conduta deve ser tratada como injúria simples” , afirmou o ministro.

Implicações da decisão

A decisão do STJ reforça o entendimento de que o racismo no Brasil é uma questão estrutural, ou seja, direcionado a grupos historicamente vulneráveis, como a população negra e indígena. Especialistas apontam que essas autoridades podem influenciar novos casos e impedir o uso do argumento de “racismo reverso” em processos futuros.

Com essa definição, as ofensas contra pessoas brancas continuam passíveis de proteção, mas não como crime de injúria racial, e sim como injúria comum, com pena prevista de detenção de um a seis meses ou multa, podendo aumentar caso haja agravantes.

Repercussão

A decisão gerou debates entre juristas e a sociedade. Enquanto especialistas em direito penal e movimentos negros celebravam a reafirmação de que o racismo deve ser entendido a partir de sua dimensão histórica e social, alguns setores questionaram se isso poderia levar a interpretações distintas para casos de ofensa.

O Ministério Público Federal (MPF) afirmou que a decisão está alinhada com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre racismo e injúria racial como crimes contra a dignidade de grupos historicamente discriminados.

Conclusão

Com o julgamento, o STJ estabelece um precedente importante para futuras decisões sobre injúria racial. A corte reforça que o racismo no Brasil é um aspecto estrutural, e que as ofensas contra os brancos podem configurar crimes, mas não sob a tipificação de injúria racial.

1

Mais recentes

Prefeitura de Eunápolis investe na requalificação de praças e modernização das quadras esportivas

A Prefeitura de Eunápolis segue investindo na requalificação de praças, com foco na melhoria da infraestrutura e na adequação técnica dos equipamentos públicos. A ação…

Brasil bate novo recorde na produção de grãos em 2025 e dobra safra em 13 anos

A safra de grãos no Brasil em 2025 atingiu 346,1 milhões de toneladas. Este é o maior volume já registrado desde 1975. O crescimento reflete…

Aula inaugural marca o início do programa de Jovem Aprendiz 2026 da Veracel

A Veracel Celulose deu início nessa semana a uma nova edição do seu Programa Jovem Aprendiz com a realização da aula inaugural, no Senai Eunápolis,…

Partido NOVO traça estratégia para 2026 e amplia atuação política em Porto Seguro

O Núcleo do Partido NOVO em Porto Seguro realizou, nesta semana, uma reunião com filiados e apoiadores para analisar o cenário político local, estadual e…

Lula eleva combate ao crime organizado a política de Estado com integração entre Judiciário, MP e Executivo

O governo federal decidiu transformar o enfrentamento ao crime organizado em política de Estado. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 15 de janeiro, pelo ministro…

Nota – 1º Edital de Responsabilidade Socioambiental da Veracel

A Veracel Celulose informa que, após a divulgação do resultado do 1º Edital de Responsabilidade Socioambiental, voltado ao fomento da literatura infantil no Extremo Sul…

Governador celebra a fé e tradição baiana na chegada à Basílica do Senhor do Bonfim

Depois de percorrer cerca de oito quilômetros, na manhã desta quinta-feira (15), o governador Jerônimo Rodrigues concluiu o cortejo da tradicional Lavagem do Senhor do…

Balanças móveis retomam operações na Bahia com foco em educação e preservação viária

A partir desta quinta-feira (15), o Governo da Bahia reinicia as operações com balanças de pesagem móveis em rodovias estaduais. A ação, coordenada pela Secretaria…

Prefeitura de Eunápolis informa retorno do funcionamento das UBS

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informa que, após o recesso de fim de ano, as Unidades Básicas de Saúde…

Vereador comemora viabilidade para novo formato de zona azul em Eunápolis

O vereador Valdiran Marques (PSD) está animado com o anúncio feito pelo Executivo que prevê a realização de estudos de viabilidade técnica com vistas à…

Salário-mínimo sobe para R$ 1.621 em 2026 e exige atenção de empresas e trabalhadores

Desde 1º de janeiro de 2026, o salário-mínimo nacional passou a ser de R$ 1.621. O aumento de R$ 103 representa reajuste de 6,79 por…

Prefeitura de Eunápolis fortalece segurança alimentar com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, executa o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) com o objetivo de promover o…

Acordo entre União Europeia e Mercosul é estratégico para a Bahia, diz FIEB

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) avalia como positiva a aprovação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A instituição…

IFBA Campus Ilhéus abre inscrições para seu primeiro curso superior presencial

O IFBA Campus Ilhéus está com inscrições abertas para o seu primeiro curso superior presencial: o Bacharelado em Engenharia Sanitária e Ambiental, com ingresso previsto…

Estado entrega mais de 200 certificados, kits de proteção e bags para mototaxistas e motofretistas da Bahia

Mais de 200 mototaxistas e motofretistas, que atuam no transporte de pessoas e mercadorias em 16 municípios baianos, foram certificados nesta terça-feira (13), em Salvador,…

Rolar para cima