Retirada de tarifas impulsiona novo capítulo nas exportações agrícolas brasileiras

Por Murillo Vazquez
20/11/2025

Publicado em

Noticia oXarope 20112501porto

A suspensão da tarifa adicional de 40% dos EUA sobre produtos agrobrasileiros abre portas para carnes, café e frutas. Entenda o impacto para o Brasil e para você.

Nesta quinta-feira, 20 de novembro, o governo brasileiro celebrou a decisão dos Estados Unidos de revogar a tarifa adicional de 40% sobre uma série de produtos agropecuários importados do Brasil. Entre os itens beneficiados estão carnes, café e frutas tropicais. A medida pode alterar significativamente o comércio entre os dois países.

Nos últimos meses, o relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos enfrentou tensões. Em abril, o governo de Donald Trump havia imposto uma tarifa-base de aproximadamente 10% sobre diversas importações, no contexto de uma política chamada “tarifa recíproca”.

Em julho, a situação se agravou com a imposição de uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros como carne bovina, café, manga, coco, açaí e abacaxi. Agora, por meio de uma nova ordem executiva, o governo americano decidiu revogar essa tarifa adicional.

A decisão tem efeito retroativo a 13 de novembro, data que coincide com o encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington. O documento menciona ainda uma ligação telefônica entre os presidentes Lula e Trump, realizada em 6 de outubro, como marco do início das negociações.

Para o Brasil, a medida representa alívio para setores estratégicos do agronegócio. A retirada das tarifas facilita o acesso ao mercado americano, o que pode aumentar o volume de exportações e as margens de lucro dos produtores brasileiros.

Nos Estados Unidos, o governo buscava soluções para a alta nos preços dos alimentos. Especialistas afirmam que o retorno de produtos brasileiros com custos mais baixos pode estabilizar o mercado interno americano, especialmente no setor de carnes e café.

Para a população brasileira, os efeitos ainda são indiretos. Menores tarifas significam mais competitividade para os exportadores, mas o impacto só se concretiza se houver investimento em logística, transporte e valorização da cadeia produtiva. O benefício para o trabalhador rural depende da eficiência com que essas pontas se conectam.

Na minha visão, o mais relevante é como uma decisão técnica, tomada entre governos, interfere no cotidiano de quem trabalha na terra e vive do comércio agrícola. Tarifas podem parecer distantes, mas refletem nos preços, na geração de emprego e na dinâmica das regiões produtoras.

O governo brasileiro manifestou satisfação e reafirmou o compromisso com o diálogo diplomático. Ressaltou também a importância da cooperação entre os países, que já compartilham uma tradição de mais de 200 anos de relações diplomáticas.

Autoridades americanas explicaram que a medida foi tomada com base no avanço das negociações bilaterais e na recomendação de técnicos de alto escalão. O objetivo seria equilibrar o comércio internacional e garantir o abastecimento interno em um momento de pressão inflacionária.

Representantes do setor agrícola no Brasil comemoraram a decisão, mas pediram atenção ao restante da pauta comercial. Ainda existem outros produtos sujeitos à tarifa, e o setor teme que a retirada parcial seja insuficiente para garantir estabilidade a longo prazo.

Enquanto presidentes falam ao telefone e ministros apertam mãos em Washington, o produtor rural brasileiro ainda precisa lidar com a estrada esburacada, o caminhão velho e a incerteza sobre preços.

A suspensão da tarifa é uma vitória parcial, mas não resolve os gargalos estruturais da exportação brasileira. Falta logística eficiente, infraestrutura moderna e segurança para quem vive do campo.

Além disso, é preciso garantir que as negociações futuras não sejam guiadas apenas por interesses de grandes grupos. O benefício real só será sentido se alcançar o pequeno agricultor e se transformar em políticas públicas de apoio à produção nacional.

É nesse ponto que a política comercial precisa se encontrar com a realidade. Porque uma fruta vendida em dólar no exterior pode encher manchetes, mas só faz diferença real quando melhora a vida de quem a planta aqui.

A decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa adicional sobre produtos agropecuários brasileiros abre um novo momento para o comércio entre os dois países. A medida beneficia carnes, café e frutas tropicais, oferecendo um alívio importante para o agronegócio nacional.

No entanto, o caminho ainda é longo. O restante das tarifas permanece em vigor, e o verdadeiro impacto dependerá da capacidade do Brasil de transformar essa oportunidade em ganhos reais para todos os envolvidos na cadeia produtiva.

1678540344banner-970x90-bello.png

Mais recentes

Porto Seguro amplia presença no mercado europeu com negócios em Portugal

O destino Porto Seguro iniciou, nesta semana, sua agenda internacional em Portugal pelo Workshop da Solférias, maior…

Temporada de tartarugas no Sul da Bahia atinge marca de 9,4 mil filhotes no primeiro bimestre do ano

O primeiro bimestre de 2026 marcou um momento histórico para a biodiversidade no litoral sul baiano. O…

Eunápolis inicia vacinação com nirsevimabe que garante proteção a bebês prematuros

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, iniciou a aplicação do nirsevimabe, imunológico…

Jerônimo Rodrigues apresenta potencial da Bahia para empresários e autoridades no Fórum Índia-Brasil

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, realizou discurso para uma plateia de empresários e autoridades, na tarde…

Desemprego na Bahia atinge menor nível da história, mas informalidade dispara e renda segue entre as mais baixas do país

A taxa de desocupação na Bahia caiu para 8,7% em 2025, o menor patamar desde o início…

Retirada de tarifas impulsiona novo capítulo nas exportações agrícolas brasileiras

Por Murillo Vazquez
20/11/2025 - 19h48 - Atualizado 21 de novembro de 2025

Publicado em

Noticia oXarope 20112501porto

A suspensão da tarifa adicional de 40% dos EUA sobre produtos agrobrasileiros abre portas para carnes, café e frutas. Entenda o impacto para o Brasil e para você.

Nesta quinta-feira, 20 de novembro, o governo brasileiro celebrou a decisão dos Estados Unidos de revogar a tarifa adicional de 40% sobre uma série de produtos agropecuários importados do Brasil. Entre os itens beneficiados estão carnes, café e frutas tropicais. A medida pode alterar significativamente o comércio entre os dois países.

Nos últimos meses, o relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos enfrentou tensões. Em abril, o governo de Donald Trump havia imposto uma tarifa-base de aproximadamente 10% sobre diversas importações, no contexto de uma política chamada “tarifa recíproca”.

Em julho, a situação se agravou com a imposição de uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros como carne bovina, café, manga, coco, açaí e abacaxi. Agora, por meio de uma nova ordem executiva, o governo americano decidiu revogar essa tarifa adicional.

A decisão tem efeito retroativo a 13 de novembro, data que coincide com o encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington. O documento menciona ainda uma ligação telefônica entre os presidentes Lula e Trump, realizada em 6 de outubro, como marco do início das negociações.

Para o Brasil, a medida representa alívio para setores estratégicos do agronegócio. A retirada das tarifas facilita o acesso ao mercado americano, o que pode aumentar o volume de exportações e as margens de lucro dos produtores brasileiros.

Nos Estados Unidos, o governo buscava soluções para a alta nos preços dos alimentos. Especialistas afirmam que o retorno de produtos brasileiros com custos mais baixos pode estabilizar o mercado interno americano, especialmente no setor de carnes e café.

Para a população brasileira, os efeitos ainda são indiretos. Menores tarifas significam mais competitividade para os exportadores, mas o impacto só se concretiza se houver investimento em logística, transporte e valorização da cadeia produtiva. O benefício para o trabalhador rural depende da eficiência com que essas pontas se conectam.

Na minha visão, o mais relevante é como uma decisão técnica, tomada entre governos, interfere no cotidiano de quem trabalha na terra e vive do comércio agrícola. Tarifas podem parecer distantes, mas refletem nos preços, na geração de emprego e na dinâmica das regiões produtoras.

O governo brasileiro manifestou satisfação e reafirmou o compromisso com o diálogo diplomático. Ressaltou também a importância da cooperação entre os países, que já compartilham uma tradição de mais de 200 anos de relações diplomáticas.

Autoridades americanas explicaram que a medida foi tomada com base no avanço das negociações bilaterais e na recomendação de técnicos de alto escalão. O objetivo seria equilibrar o comércio internacional e garantir o abastecimento interno em um momento de pressão inflacionária.

Representantes do setor agrícola no Brasil comemoraram a decisão, mas pediram atenção ao restante da pauta comercial. Ainda existem outros produtos sujeitos à tarifa, e o setor teme que a retirada parcial seja insuficiente para garantir estabilidade a longo prazo.

Enquanto presidentes falam ao telefone e ministros apertam mãos em Washington, o produtor rural brasileiro ainda precisa lidar com a estrada esburacada, o caminhão velho e a incerteza sobre preços.

A suspensão da tarifa é uma vitória parcial, mas não resolve os gargalos estruturais da exportação brasileira. Falta logística eficiente, infraestrutura moderna e segurança para quem vive do campo.

Além disso, é preciso garantir que as negociações futuras não sejam guiadas apenas por interesses de grandes grupos. O benefício real só será sentido se alcançar o pequeno agricultor e se transformar em políticas públicas de apoio à produção nacional.

É nesse ponto que a política comercial precisa se encontrar com a realidade. Porque uma fruta vendida em dólar no exterior pode encher manchetes, mas só faz diferença real quando melhora a vida de quem a planta aqui.

A decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa adicional sobre produtos agropecuários brasileiros abre um novo momento para o comércio entre os dois países. A medida beneficia carnes, café e frutas tropicais, oferecendo um alívio importante para o agronegócio nacional.

No entanto, o caminho ainda é longo. O restante das tarifas permanece em vigor, e o verdadeiro impacto dependerá da capacidade do Brasil de transformar essa oportunidade em ganhos reais para todos os envolvidos na cadeia produtiva.

1

Mais recentes

Porto Seguro amplia presença no mercado europeu com negócios em Portugal

O destino Porto Seguro iniciou, nesta semana, sua agenda internacional em Portugal pelo Workshop da Solférias, maior operadora turística do país, reunindo cerca de 520…

Temporada de tartarugas no Sul da Bahia atinge marca de 9,4 mil filhotes no primeiro bimestre do ano

O primeiro bimestre de 2026 marcou um momento histórico para a biodiversidade no litoral sul baiano. O Programa de Monitoramento de Quelônios, mantido pela Veracel…

Eunápolis inicia vacinação com nirsevimabe que garante proteção a bebês prematuros

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, iniciou a aplicação do nirsevimabe, imunológico que previne infecções pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR),…

Jerônimo Rodrigues apresenta potencial da Bahia para empresários e autoridades no Fórum Índia-Brasil

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, realizou discurso para uma plateia de empresários e autoridades, na tarde deste sábado (21), na programação do Fórum Empresarial…

Desemprego na Bahia atinge menor nível da história, mas informalidade dispara e renda segue entre as mais baixas do país

A taxa de desocupação na Bahia caiu para 8,7% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica da PNADC, em 2012. Apesar…

Carnaval da Bahia 2026 registra novo recorde em fluxo de turistas e receita

No balanço do Governo do Estado para a imprensa sobre o Carnaval da Bahia 2026, nesta Quarta-feira de Cinzas (18), no camarote da Polícia Militar,…

CDL Eunápolis convoca associados para Assembleia Geral que vai definir contas e orçamento de 2026

A CDL Eunápolis convocou oficialmente seus associados para a Assembleia Geral Ordinária que acontece no dia 24 de fevereiro de 2026, às 8h30 em primeira…

Saída de Dias Toffoli da relatoria estanca crise e preserva unidade no STF

A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o Banco Master foi construída como solução institucional para conter a crise e preservar…

STF sob pressão e investigação da PF coloca relatoria de Toffoli em xeque

Nos últimos dias, vieram à tona informações sobre apurações da Polícia Federal envolvendo o ministro Dias Toffoli, do STF, e transações ligadas a um resort…

ELEIÇÕES 2026 – Quaest mostra Lula na frente e Flávio Bolsonaro consolidado como principal nome da oposição

A nova rodada da pesquisa do instituto Quaest, encomendada pela Genial Investimentos e divulgada nesta quarta-feira, indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva…

HGE em novo patamar: Robério entrega tomógrafo, sala de medicação e Enfermaria; SAMU, Educação e Assistência Social recebem novos veículos

O Hospital Geral de Eunápolis (HGE) passou por uma expansão estratégica que amplia sua capacidade de atendimento e agiliza a condução clínica dos pacientes. Nesta…

IBGE projeta crescimento da safra 2026 no Nordeste com destaque para o Piauí

A produção de grãos no Nordeste deve alcançar 28,3 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 2,2 por cento em relação à safra anterior. A…

Eunápolis é agora a 1ª cidade do Extremo Sul a contar com usina própria de asfalto

2026 começou com excelentes notícias em Eunápolis. O município é agora o primeiro da região a contar com uma usina própria de asfalto, autossuficiente em…

IFBA Campus Ilhéus lança edital para concessão de bolsas de estágio a estudantes de nível superior

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) – Campus Ilhéus publicou o Edital nº 09/2025, que regulamenta o Programa Institucional de Bolsas de…

Estação Veracel reforça papel estratégico na conservação da Mata Atlântica no Dia Nacional das RPPNs

Em um país onde restam menos de 30% da cobertura original da Mata Atlântica, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) assumem papel cada vez…

Rolar para cima