Bahia registra menor número de nascimentos em 50 anos e recuos em casamentos e divórcios, diz IBGE

Entenda os principais resultados das Estatísticas do Registro Civil 2024 para a Bahia, com quedas em nascimentos, casamentos e divórcios, e o que isso significa para a população.

Por MarcelloXarope
11/12/2025

Publicado em

oXarope noticia 101225001ibgebercario

Os resultados das Estatísticas do Registro Civil 2024, divulgados pelo IBGE nesta quinta‑feira (10/12/2025), revelam que a Bahia registrou o menor número de nascimentos em meio século: 159.337 registros, o que representa o sexto ano consecutivo de queda no estado. A tendência também se reflete em Salvador e em grande parte dos municípios baianos.

Em 2024, o total de nascimentos no estado caiu 6,6% em relação a 2023, com 11.195 nascimentos a menos do que no ano anterior, quando foram registrados 170.532 nascimentos. A retração baiana foi a quarta maior em termos absolutos entre os estados brasileiros e a oitava maior em queda percentual. A série histórica do IBGE, iniciada em 1974, nunca havia registrado números tão baixos.

Também em Salvador, a queda nos nascimentos continuou pelo sétimo ano seguido: foram 23.361 registros, 9,2% a menos que em 2023, configurando a terceira maior redução percentual entre as capitais brasileiras e o menor índice em 51 anos de série histórica.

A redução não foi exclusiva da capital: 291 dos 417 municípios baianos (69,8%) registraram queda no número de nascimentos de 2023 para 2024. Destaque para Feira de Santana, Vitória da Conquista e Lauro de Freitas, que apresentaram recuos significativos. Por outro lado, Mata de São João, Belo Campo e Buritirama registraram os maiores aumentos proporcionais.

Queda em casamentos e aumento nas uniões homoafetivas

Outro destaque do levantamento é a redução no número de casamentos civis, pelo terceiro ano seguido, tanto na Bahia quanto em Salvador. No estado, foram celebrados 55.603 casamentos em 2024, 3,4% a menos que em 2023, alcançando o menor nível desde 2006. Em Salvador, o recuo foi mais acentuado (‑10,1%), também atingindo o menor total em 18 anos.

Apesar disso, as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo cresceram em 2024 no estado e na capital. Na Bahia, foram 441 casamentos homoafetivos, um aumento de 24,9%, com alta tanto entre mulheres quanto entre homens. Em Salvador, o crescimento foi de 20,9%.

Divórcios diminuem pela primeira vez desde 2020

Em 2024, o número de divórcios também registrou queda, tanto na Bahia quanto em Salvador, algo que não ocorria desde 2020. No estado, foram 27.297 divórcios, 0,2% a menos do que em 2023. Em Salvador, a redução foi mais expressiva: ‑14,4%, com 5.494 separações registradas no ano.

Mortes por causas não naturais ainda são preocupantes

No recorte de mortalidade, a Bahia e Salvador tiveram as maiores quedas no número de mortes não naturais entre homens jovens (15 a 24 anos), mas ainda lideram o ranking nacional nesse indicador.

No estado, 1 em cada 4 mortes por causas externas envolveu homens jovens, totalizando 2.533 óbitos em 2024, apesar de representar uma redução de ‑8% em relação a 2023. Em Salvador, foram 545 mortes dessa natureza, 11,4% a menos, mas a capital manteve‑se, pelo quinto ano consecutivo, como aquela com mais mortes de jovens por causas externas entre as capitais brasileiras.

Os números reforçam uma tendência persistente de queda demográfica, com menos nascimentos e mudanças nos padrões familiares. A diminuição nos casamentos tradicionais e nos divórcios, ao lado do aumento nas uniões homoafetivas, indica transformações nas dinâmicas afetivas e sociais. Para pesquisadores e gestores públicos, esses dados sinalizam a necessidade de políticas públicas que considerem o envelhecimento populacional, a reconfiguração das famílias e os desafios da juventude, sobretudo no que diz respeito à segurança e bem‑estar dos jovens.

Especialistas em demografia destacam que a queda nos nascimentos segue uma tendência nacional, mas atinge com intensidade significativa a Bahia e sua capital, impactando projeções de longo prazo para planejamento de serviços públicos, educação e mercado de trabalho.

Líderes comunitários apontam que a redução de nascimentos está ligada a fatores socioeconômicos, como custo de vida e prioridades postergadas pelas famílias. Por outro lado, movimentos sociais ressaltam o aumento nas uniões civis entre pessoas do mesmo sexo como um reflexo de maior visibilidade e reconhecimento.

Os dados das Estatísticas do Registro Civil 2024 trazem uma imagem de transformação social na Bahia e em Salvador, com quedas históricas em nascimentos, casamentos e divórcios, e mudanças nos arranjos familiares. A importância desses indicadores vai além dos números: eles ajudam a entender como a sociedade está se reorganizando e quais desafios urgentes se colocam para políticas públicas e para o cotidiano das pessoas.

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Entenda os principais resultados das Estatísticas do Registro Civil 2024 para a Bahia, com quedas em nascimentos, casamentos e divórcios, e o que isso significa para a população.

Por MarcelloXarope
11/12/2025 - 07h46 - Atualizado 11 de dezembro de 2025

Publicado em

oXarope noticia 101225001ibgebercario

Os resultados das Estatísticas do Registro Civil 2024, divulgados pelo IBGE nesta quinta‑feira (10/12/2025), revelam que a Bahia registrou o menor número de nascimentos em meio século: 159.337 registros, o que representa o sexto ano consecutivo de queda no estado. A tendência também se reflete em Salvador e em grande parte dos municípios baianos.

Em 2024, o total de nascimentos no estado caiu 6,6% em relação a 2023, com 11.195 nascimentos a menos do que no ano anterior, quando foram registrados 170.532 nascimentos. A retração baiana foi a quarta maior em termos absolutos entre os estados brasileiros e a oitava maior em queda percentual. A série histórica do IBGE, iniciada em 1974, nunca havia registrado números tão baixos.

Também em Salvador, a queda nos nascimentos continuou pelo sétimo ano seguido: foram 23.361 registros, 9,2% a menos que em 2023, configurando a terceira maior redução percentual entre as capitais brasileiras e o menor índice em 51 anos de série histórica.

A redução não foi exclusiva da capital: 291 dos 417 municípios baianos (69,8%) registraram queda no número de nascimentos de 2023 para 2024. Destaque para Feira de Santana, Vitória da Conquista e Lauro de Freitas, que apresentaram recuos significativos. Por outro lado, Mata de São João, Belo Campo e Buritirama registraram os maiores aumentos proporcionais.

Queda em casamentos e aumento nas uniões homoafetivas

Outro destaque do levantamento é a redução no número de casamentos civis, pelo terceiro ano seguido, tanto na Bahia quanto em Salvador. No estado, foram celebrados 55.603 casamentos em 2024, 3,4% a menos que em 2023, alcançando o menor nível desde 2006. Em Salvador, o recuo foi mais acentuado (‑10,1%), também atingindo o menor total em 18 anos.

Apesar disso, as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo cresceram em 2024 no estado e na capital. Na Bahia, foram 441 casamentos homoafetivos, um aumento de 24,9%, com alta tanto entre mulheres quanto entre homens. Em Salvador, o crescimento foi de 20,9%.

Divórcios diminuem pela primeira vez desde 2020

Em 2024, o número de divórcios também registrou queda, tanto na Bahia quanto em Salvador, algo que não ocorria desde 2020. No estado, foram 27.297 divórcios, 0,2% a menos do que em 2023. Em Salvador, a redução foi mais expressiva: ‑14,4%, com 5.494 separações registradas no ano.

Mortes por causas não naturais ainda são preocupantes

No recorte de mortalidade, a Bahia e Salvador tiveram as maiores quedas no número de mortes não naturais entre homens jovens (15 a 24 anos), mas ainda lideram o ranking nacional nesse indicador.

No estado, 1 em cada 4 mortes por causas externas envolveu homens jovens, totalizando 2.533 óbitos em 2024, apesar de representar uma redução de ‑8% em relação a 2023. Em Salvador, foram 545 mortes dessa natureza, 11,4% a menos, mas a capital manteve‑se, pelo quinto ano consecutivo, como aquela com mais mortes de jovens por causas externas entre as capitais brasileiras.

Os números reforçam uma tendência persistente de queda demográfica, com menos nascimentos e mudanças nos padrões familiares. A diminuição nos casamentos tradicionais e nos divórcios, ao lado do aumento nas uniões homoafetivas, indica transformações nas dinâmicas afetivas e sociais. Para pesquisadores e gestores públicos, esses dados sinalizam a necessidade de políticas públicas que considerem o envelhecimento populacional, a reconfiguração das famílias e os desafios da juventude, sobretudo no que diz respeito à segurança e bem‑estar dos jovens.

Especialistas em demografia destacam que a queda nos nascimentos segue uma tendência nacional, mas atinge com intensidade significativa a Bahia e sua capital, impactando projeções de longo prazo para planejamento de serviços públicos, educação e mercado de trabalho.

Líderes comunitários apontam que a redução de nascimentos está ligada a fatores socioeconômicos, como custo de vida e prioridades postergadas pelas famílias. Por outro lado, movimentos sociais ressaltam o aumento nas uniões civis entre pessoas do mesmo sexo como um reflexo de maior visibilidade e reconhecimento.

Os dados das Estatísticas do Registro Civil 2024 trazem uma imagem de transformação social na Bahia e em Salvador, com quedas históricas em nascimentos, casamentos e divórcios, e mudanças nos arranjos familiares. A importância desses indicadores vai além dos números: eles ajudam a entender como a sociedade está se reorganizando e quais desafios urgentes se colocam para políticas públicas e para o cotidiano das pessoas.

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