Sul da Bahia amplia oferta de qualificação para cadeia do cacau de alto val

Com cursos de produção de chocolate, classificação de amêndoas e análise sensorial, Centro de Inovação do Cacau mira profissionalização de um mercado mais exigente

Por Redação Oxarope
06/05/2026

Publicado em -

Noticia oXarope_1_060526

O mercado de cacau de qualidade e de chocolates bean to bar cresce no Brasil em ritmo mais acelerado do que a formação de profissionais capazes de atender às exigências desse segmento. Em uma cadeia em que fermentação, secagem, torra, rastreabilidade e análise sensorial influenciam diretamente o preço pago pelo produto, conhecimento técnico deixou de ser um diferencial e passou a definir quem consegue competir.

FOTOS: BRUNO GONZAGA/DIVULGAÇÃO CIC

É nesse cenário que o Centro de Inovação do Cacau (CIC), sediado no Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul), em Ilhéus, lança sua programação de cursos para 2026. A proposta é ampliar a qualificação de produtores, classificadores, empreendedores, técnicos, estudantes, profissionais da indústria e pessoas interessadas em ingressar no universo do cacau especial.

A nova agenda percorre diferentes etapas da cadeia produtiva, da produção ao sensorial, combinando teoria aplicada, atividades em laboratório e experiências práticas. A aposta é formar profissionais capazes de compreender o cacau como um produto de origem, com atributos que precisam ser preservados e valorizados ao longo de todo o processo.

“O foco principal é a qualidade e a valorização da origem Brasil. Nosso diferencial está em oferecer cursos aprofundados sobre a origem brasileira, uma região complexa que hoje conquista reconhecimento e consolidação no mercado de alta qualidade, tanto no Brasil quanto com boas perspectivas internacionais”, afirma Adriana Reis, gerente de Educação e Inteligência do CIC.

A expansão desse tipo de formação acompanha uma mudança de comportamento do consumidor. Chocolates industrializados e padronizados perdem espaço para produtos que destacam procedência, qualidade da matéria-prima, menor processamento e identidade sensorial. Nesse movimento, o chocolate bean to bar, produzido do grão à barra, tornou-se uma das principais vitrines de valor agregado da cadeia.

Para quem pretende entrar nesse mercado, dominar as técnicas de produção deixou de ser opcional. A produção artesanal exige conhecimento sobre seleção de amêndoas, torra, moagem, conchagem, temperagem e solidificação. Cada etapa interfere no aroma, na textura, no sabor e na estabilidade do chocolate.

A experiência do produtor Gabriel Menna, de Itacaré, ilustra como o acesso à formação técnica pode alterar o rumo da produção. À frente de uma pequena propriedade e de uma marca própria de chocolates bean to bar, ele encontrou no curso de Análise Sensorial com reconhecimento de defeitos, ministrado no Centro de Inovação do Cacau, um ponto de virada para qualificar suas amêndoas. “Foi a chave para a gente avançar cada vez mais na qualidade”, afirma. O contato com conteúdos técnicos também influenciou decisões no campo: a renovação da área produtiva incluiu a adoção do clone BN34, escolhido a partir de materiais do CIC que destacam atributos sensoriais da variedade — uma decisão que conecta informação, manejo e estratégia de mercado. 

Conteúdo

A programação reúne cursos voltados à produção de chocolate bean to bar, operação de máquinas, posicionamento de marca, precificação, classificação física do cacau, legislação, análise sensorial, identificação de defeitos, reconhecimento de qualidade, genética e análise de solo.

Os conteúdos atendem tanto quem busca ingressar no mercado quanto profissionais que já atuam na cadeia e querem aprofundar conhecimentos técnicos, ampliar repertório e melhorar a padronização dos processos.

As datas, ementas, abertura de inscrições e demais informações sobre cada formação podem ser acompanhadas na nova plataforma de cursos do CIC: https://cursoscic.com/ .

Para o diretor-presidente do PCTSul, Cristiano Villela, mais do que ensinar técnicas, os cursos ajudam a criar uma linguagem comum entre produtores, classificadores, chocolate makers e compradores. “Em uma cadeia historicamente marcada pela venda de volume, essa mudança pode ser decisiva para ampliar a presença do Brasil nos segmentos de maior valor agregado do mercado global de cacau e chocolate”, destaca.

Sobre o Centro de Inovação do Cacau

Instalado no campus da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, o Centro de Inovação do Cacau integra o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia e se consolidou nos últimos anos como um dos principais polos de pesquisa, análise laboratorial e formação técnica da cadeia cacaueira brasileira. Em um mercado que remunera melhor a consistência, a rastreabilidade e a diferenciação, iniciativas de qualificação ocupam um papel estratégico.

Por: Livia Cabral

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Sul da Bahia amplia oferta de qualificação para cadeia do cacau de alto val

Com cursos de produção de chocolate, classificação de amêndoas e análise sensorial, Centro de Inovação do Cacau mira profissionalização de um mercado mais exigente

Por Redação Oxarope
06/05/2026 - 20h37 - Atualizado 6 de maio de 2026

Publicado em -

Noticia oXarope_1_060526

O mercado de cacau de qualidade e de chocolates bean to bar cresce no Brasil em ritmo mais acelerado do que a formação de profissionais capazes de atender às exigências desse segmento. Em uma cadeia em que fermentação, secagem, torra, rastreabilidade e análise sensorial influenciam diretamente o preço pago pelo produto, conhecimento técnico deixou de ser um diferencial e passou a definir quem consegue competir.

FOTOS: BRUNO GONZAGA/DIVULGAÇÃO CIC

É nesse cenário que o Centro de Inovação do Cacau (CIC), sediado no Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul), em Ilhéus, lança sua programação de cursos para 2026. A proposta é ampliar a qualificação de produtores, classificadores, empreendedores, técnicos, estudantes, profissionais da indústria e pessoas interessadas em ingressar no universo do cacau especial.

A nova agenda percorre diferentes etapas da cadeia produtiva, da produção ao sensorial, combinando teoria aplicada, atividades em laboratório e experiências práticas. A aposta é formar profissionais capazes de compreender o cacau como um produto de origem, com atributos que precisam ser preservados e valorizados ao longo de todo o processo.

“O foco principal é a qualidade e a valorização da origem Brasil. Nosso diferencial está em oferecer cursos aprofundados sobre a origem brasileira, uma região complexa que hoje conquista reconhecimento e consolidação no mercado de alta qualidade, tanto no Brasil quanto com boas perspectivas internacionais”, afirma Adriana Reis, gerente de Educação e Inteligência do CIC.

A expansão desse tipo de formação acompanha uma mudança de comportamento do consumidor. Chocolates industrializados e padronizados perdem espaço para produtos que destacam procedência, qualidade da matéria-prima, menor processamento e identidade sensorial. Nesse movimento, o chocolate bean to bar, produzido do grão à barra, tornou-se uma das principais vitrines de valor agregado da cadeia.

Para quem pretende entrar nesse mercado, dominar as técnicas de produção deixou de ser opcional. A produção artesanal exige conhecimento sobre seleção de amêndoas, torra, moagem, conchagem, temperagem e solidificação. Cada etapa interfere no aroma, na textura, no sabor e na estabilidade do chocolate.

A experiência do produtor Gabriel Menna, de Itacaré, ilustra como o acesso à formação técnica pode alterar o rumo da produção. À frente de uma pequena propriedade e de uma marca própria de chocolates bean to bar, ele encontrou no curso de Análise Sensorial com reconhecimento de defeitos, ministrado no Centro de Inovação do Cacau, um ponto de virada para qualificar suas amêndoas. “Foi a chave para a gente avançar cada vez mais na qualidade”, afirma. O contato com conteúdos técnicos também influenciou decisões no campo: a renovação da área produtiva incluiu a adoção do clone BN34, escolhido a partir de materiais do CIC que destacam atributos sensoriais da variedade — uma decisão que conecta informação, manejo e estratégia de mercado. 

Conteúdo

A programação reúne cursos voltados à produção de chocolate bean to bar, operação de máquinas, posicionamento de marca, precificação, classificação física do cacau, legislação, análise sensorial, identificação de defeitos, reconhecimento de qualidade, genética e análise de solo.

Os conteúdos atendem tanto quem busca ingressar no mercado quanto profissionais que já atuam na cadeia e querem aprofundar conhecimentos técnicos, ampliar repertório e melhorar a padronização dos processos.

As datas, ementas, abertura de inscrições e demais informações sobre cada formação podem ser acompanhadas na nova plataforma de cursos do CIC: https://cursoscic.com/ .

Para o diretor-presidente do PCTSul, Cristiano Villela, mais do que ensinar técnicas, os cursos ajudam a criar uma linguagem comum entre produtores, classificadores, chocolate makers e compradores. “Em uma cadeia historicamente marcada pela venda de volume, essa mudança pode ser decisiva para ampliar a presença do Brasil nos segmentos de maior valor agregado do mercado global de cacau e chocolate”, destaca.

Sobre o Centro de Inovação do Cacau

Instalado no campus da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, o Centro de Inovação do Cacau integra o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia e se consolidou nos últimos anos como um dos principais polos de pesquisa, análise laboratorial e formação técnica da cadeia cacaueira brasileira. Em um mercado que remunera melhor a consistência, a rastreabilidade e a diferenciação, iniciativas de qualificação ocupam um papel estratégico.

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