Serviços na Bahia ficam estáveis em abril, mas turismo dá salto e lidera alta no país

Setor de serviços na Bahia fica estável em abril, cresce 1,4% em um ano e vê turismo avançar 10,8%, maior alta do Brasil no mês.

Por Murillo Vazquez
12/06/2026

Publicado em - - -

NoticiaOxarope11JUN261turismo

O setor de serviços da Bahia ficou parado entre março e abril, mas não sem sinal de movimento. Enquanto o volume geral marcou 0,0%, o turismo baiano cresceu 10,8% no mês e teve o melhor desempenho entre os estados pesquisados pelo IBGE.

A Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada nesta quinta-feira, 11 de junho, pelo IBGE, mostra dois retratos diferentes da economia baiana em abril de 2026. No quadro geral, o volume de serviços prestados no estado ficou estável frente a março, com variação de 0,0%. No Brasil, houve alta de 1,2% no mesmo período, recuperando a perda registrada em março.

Na comparação com abril de 2025, a Bahia cresceu 1,4%, depois de ter recuado em março. O avanço ficou abaixo da média nacional, que foi de 1,9% e marcou o 25º resultado positivo seguido do setor no país.

O dado mais forte veio do turismo. As atividades turísticas na Bahia avançaram 10,8% em relação a março, a maior alta entre os 17 estados onde o segmento é pesquisado separadamente. No Brasil, o turismo cresceu 4,1% nessa comparação.

O resultado da Bahia exige uma leitura cuidadosa. A estabilidade de abril impede uma leitura de retomada forte no setor como um todo, mas também interrompe a sequência negativa observada em março. No acumulado de 2026, o estado voltou ao campo positivo, com leve alta de 0,1%.

O problema está no fôlego. Em 12 meses, os serviços baianos ainda acumulam queda de 1,5%, o quarto pior resultado entre as unidades da Federação, segundo os dados regionais da PMS. Enquanto o Brasil acumula avanço de 2,9% em 12 meses, a Bahia segue tentando recuperar terreno.

Para mim, o que mais chama atenção é essa diferença entre o brilho do turismo e a lentidão do restante do setor. A Bahia atrai gente, movimenta hotel, restaurante, transporte, praia, festa e cultura. Mas isso ainda não está sendo suficiente para puxar todo o setor de serviços com a mesma força.

Entre as cinco atividades pesquisadas pelo IBGE, três cresceram na Bahia na comparação com abril de 2025. O maior impacto positivo veio dos serviços profissionais, administrativos e complementares, com alta de 10,2%. O grupo cresceu pelo sétimo mês seguido e acumula avanço de 4,8% nos quatro primeiros meses de 2026.

Também subiram os serviços de informação e comunicação, com alta de 4,0%, e os serviços prestados às famílias, que cresceram 3,9% após forte queda em março.

Do outro lado, os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio recuaram 4,0% e ajudaram a segurar o resultado geral do estado. O grupo está há oito meses sem crescimento. A queda mais intensa veio de outros serviços, com retração de 4,5% e sexto resultado negativo consecutivo.

No cenário nacional, o IBGE destacou que o avanço de abril foi disseminado pelas cinco atividades investigadas. Rodrigo Lobo, gerente da PMS, avaliou que abril trouxe uma recuperação integral da perda de março, mas que o setor segue sem uma trajetória muito definida, apesar de operar em patamar elevado.

No papel, 0,0% parece um número sem história. Na rua, ele tem muitas camadas.

É o salão de beleza que abriu a agenda, mas não lotou. É o pequeno escritório que segurou contrato. É o transporte que sentiu queda. É o restaurante que depende do movimento do mês, do feriado, da passagem aérea, da maré do turismo e do dinheiro que ainda sobra no bolso da família.

A Bahia vive uma contradição econômica interessante. O turismo segue como vitrine, com força suficiente para liderar o país em abril. Mas o setor de serviços não vive só de visitantes. Ele depende também da renda local, da circulação nos bairros, das empresas contratando, dos negócios administrativos funcionando e do transporte sem travar.

Quando o turismo cresce 10,8%, há motivo para comemorar. Mas quando o conjunto dos serviços fica parado, há também um aviso. A economia baiana precisa transformar fluxo turístico em renda espalhada, contrato duradouro e trabalho menos instável.

A PMS de abril mostra uma Bahia com sinais mistos. O setor de serviços ficou estável no mês, cresceu 1,4% frente a abril de 2025 e voltou ao positivo no acumulado do ano, mas segue negativo em 12 meses.

O turismo foi o grande destaque, com a maior alta mensal do país e crescimento também na comparação anual. A pergunta que fica é se esse impulso será capaz de puxar outras áreas ou se continuará sendo uma ilha de bom desempenho em um setor que ainda anda devagar.

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Por Murillo Vazquez
12/06/2026 - 01h00 - Atualizado 11 de junho de 2026

Publicado em - - -

NoticiaOxarope11JUN261turismo

O setor de serviços da Bahia ficou parado entre março e abril, mas não sem sinal de movimento. Enquanto o volume geral marcou 0,0%, o turismo baiano cresceu 10,8% no mês e teve o melhor desempenho entre os estados pesquisados pelo IBGE.

A Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada nesta quinta-feira, 11 de junho, pelo IBGE, mostra dois retratos diferentes da economia baiana em abril de 2026. No quadro geral, o volume de serviços prestados no estado ficou estável frente a março, com variação de 0,0%. No Brasil, houve alta de 1,2% no mesmo período, recuperando a perda registrada em março.

Na comparação com abril de 2025, a Bahia cresceu 1,4%, depois de ter recuado em março. O avanço ficou abaixo da média nacional, que foi de 1,9% e marcou o 25º resultado positivo seguido do setor no país.

O dado mais forte veio do turismo. As atividades turísticas na Bahia avançaram 10,8% em relação a março, a maior alta entre os 17 estados onde o segmento é pesquisado separadamente. No Brasil, o turismo cresceu 4,1% nessa comparação.

O resultado da Bahia exige uma leitura cuidadosa. A estabilidade de abril impede uma leitura de retomada forte no setor como um todo, mas também interrompe a sequência negativa observada em março. No acumulado de 2026, o estado voltou ao campo positivo, com leve alta de 0,1%.

O problema está no fôlego. Em 12 meses, os serviços baianos ainda acumulam queda de 1,5%, o quarto pior resultado entre as unidades da Federação, segundo os dados regionais da PMS. Enquanto o Brasil acumula avanço de 2,9% em 12 meses, a Bahia segue tentando recuperar terreno.

Para mim, o que mais chama atenção é essa diferença entre o brilho do turismo e a lentidão do restante do setor. A Bahia atrai gente, movimenta hotel, restaurante, transporte, praia, festa e cultura. Mas isso ainda não está sendo suficiente para puxar todo o setor de serviços com a mesma força.

Entre as cinco atividades pesquisadas pelo IBGE, três cresceram na Bahia na comparação com abril de 2025. O maior impacto positivo veio dos serviços profissionais, administrativos e complementares, com alta de 10,2%. O grupo cresceu pelo sétimo mês seguido e acumula avanço de 4,8% nos quatro primeiros meses de 2026.

Também subiram os serviços de informação e comunicação, com alta de 4,0%, e os serviços prestados às famílias, que cresceram 3,9% após forte queda em março.

Do outro lado, os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio recuaram 4,0% e ajudaram a segurar o resultado geral do estado. O grupo está há oito meses sem crescimento. A queda mais intensa veio de outros serviços, com retração de 4,5% e sexto resultado negativo consecutivo.

No cenário nacional, o IBGE destacou que o avanço de abril foi disseminado pelas cinco atividades investigadas. Rodrigo Lobo, gerente da PMS, avaliou que abril trouxe uma recuperação integral da perda de março, mas que o setor segue sem uma trajetória muito definida, apesar de operar em patamar elevado.

No papel, 0,0% parece um número sem história. Na rua, ele tem muitas camadas.

É o salão de beleza que abriu a agenda, mas não lotou. É o pequeno escritório que segurou contrato. É o transporte que sentiu queda. É o restaurante que depende do movimento do mês, do feriado, da passagem aérea, da maré do turismo e do dinheiro que ainda sobra no bolso da família.

A Bahia vive uma contradição econômica interessante. O turismo segue como vitrine, com força suficiente para liderar o país em abril. Mas o setor de serviços não vive só de visitantes. Ele depende também da renda local, da circulação nos bairros, das empresas contratando, dos negócios administrativos funcionando e do transporte sem travar.

Quando o turismo cresce 10,8%, há motivo para comemorar. Mas quando o conjunto dos serviços fica parado, há também um aviso. A economia baiana precisa transformar fluxo turístico em renda espalhada, contrato duradouro e trabalho menos instável.

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