
O território onde os livros registram o início da colonização do Brasil foi palco, nesta quarta-feira (22), de uma das falas mais simbólicas do governador Jerônimo Rodrigues durante o Programa de Governo Participativo (PGP) 2026 – Encontros para o Futuro. Diante de uma plenária que reuniu prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, representantes de movimentos sociais, juventudes, povos indígenas e lideranças de toda a Costa do Descobrimento, em Eunápolis, o governador defendeu que o próximo ciclo de governo avance para além das grandes obras e consolide uma política permanente do cuidado voltada às pessoas com deficiência, idosos, mães atípicas e seus cuidadores.
“Nós temos que continuar fazendo asfalto, continuar fazendo escola, UBS, cultura, mas nós temos que criar, cada vez mais, a política do cuidado. E cuidar de quem cuida não tem medida, não tem preço”, afirmou Jerônimo ao defender a construção de políticas públicas voltadas às famílias que dedicam suas vidas ao cuidado de pessoas com deficiência, idosos e crianças com transtorno do espectro autista.

Em um dos momentos mais marcantes do discurso, o governador fez um resgate histórico do Território Costa do Descobrimento, destacando que a narrativa oficial da formação do Brasil invisibilizou os povos originários e a população negra, responsáveis pela construção do país.
“Esse território é simbólico na história do Brasil. A história foi perversa com a gente. Ficou parecendo que esse território apareceu no começo de 1500. Foram as mãos indígenas e as mãos negras que construíram cada cidade, cada campo deste país. Eles sabiam que nós não deveríamos aprender a ler e escrever, porque a escola ensina a pensar, a questionar e a construir respostas”.
Jerônimo também relacionou sua própria trajetória à realidade vivida por milhares de baianos, lembrando que não teve acesso à creche e estudou em uma escola rural com estrutura precária. Para o governador, ampliar o acesso à educação continua sendo uma das principais ferramentas de transformação social e reparação das desigualdades históricas.

O discurso foi reforçado pela estudante indígena da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) Shayres Pataxó, representante da juventude na plenária. Ela destacou que sua própria história representa os resultados das políticas públicas voltadas aos povos originários e à educação.
“Eu também sou fruto dessas políticas públicas. Sou fruto da educação escolar indígena, da valorização dos professores indígenas e da força que esse governo tem dado para a juventude. Juntos nós podemos ter muito mais”, afirmou a estudante.
A etapa do PGP em Eunápolis foi marcada pela ampla mobilização política e social do Território Costa do Descobrimento, reunindo representantes dos oito municípios da região — Belmonte, Eunápolis, Guaratinga, Itabela, Itagimirim, Itapebi, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália — para contribuir com a elaboração coletiva do Programa de Governo Participativo 2026. Além da participação de lideranças municipais, movimentos sociais e juventudes, a plenária contou com representantes de povos indígenas, sindicatos e organizações populares.
Investimentos no território
Durante o encontro, o governador também ressaltou que a escuta da população caminha ao lado da continuidade dos investimentos públicos. Desde 2023, a gestão estadual contabiliza ações no Território Costa do Descobrimento que somam quase meio bilhão de reais (R$ 446,7 milhões) em investimentos distribuídos entre infraestrutura, abastecimento de água, educação, saúde, agricultura familiar, desenvolvimento social e segurança. Apenas Eunápolis concentra investimentos superiores a R$ 159,6 milhões.
Entre as principais entregas da gestão estão a implantação da BA-658, com ponte sobre o Rio Jequitinhonha, investimento de R$ 110 milhões que reduziu distâncias entre municípios da região e criou uma alternativa à BR-101; a ampliação e modernização do Complexo Integrado de Educação Básica, Profissional e Tecnológica de Eunápolis, inaugurado neste ano com investimento de R$ 23,9 milhões; e a implantação de novos sistemas de abastecimento de água que passaram a atender comunidades urbanas, rurais e indígenas do território.
Ao final da plenária, Jerônimo voltou a defender que a construção do próximo programa de governo deve nascer da participação popular e do compromisso de ampliar direitos para toda a população baiana.
“Nós viemos aqui por uma causa. Queremos que vocês escrevam o que a Bahia precisa construir, mudar e melhorar. Já fizemos muito, mas essas chaves ainda não chegaram a todas as casas da Bahia. Nós temos uma dívida. Não fomos nós que a criamos, mas ela é nossa. Nós temos que universalizar essas chaves e trabalhar para que todas as casas tenham água tratada, educação, dignidade e oportunidades”, concluiu.














