A presença de mulheres negras nos espaços onde decisões são tomadas esteve no centro do debate promovido pela OAB-BA nesta quarta-feira, 19 de agosto, em Salvador. Realizado na Unifacs Campus Tancredo Neves, o II Congresso da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha encerrou a 5ª edição do Julho das Mulheres Negras da entidade e reuniu advocacia, estudantes, especialistas e integrantes de movimentos sociais.

Organizado pela Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Bahia, o congresso teve como tema “Justiça racial e interseccionalidades: desafios para a construção de uma democracia verdadeiramente inclusiva”.
A proposta foi ampliar uma discussão que já não cabe apenas nos ambientes acadêmicos ou institucionais. Justiça racial passa pelo acesso a direitos, pela educação, pelo território onde se vive, pelas oportunidades profissionais e, principalmente, por quem consegue chegar aos lugares onde as decisões são tomadas.
A programação oficial reuniu painéis sobre acesso a direitos, mulheres negras, territórios, bem viver, educação, produção do conhecimento e inovação. O encontro também contou com oficina e uma conferência artístico-cultural. A OAB-BA havia anunciado o congresso como o encerramento das ações do Julho das Mulheres Negras, programação iniciada em julho com atividades de formação, mobilização e atendimento jurídico.

A agenda dialoga com uma mobilização mais ampla dentro do próprio Sistema OAB. Em julho, o Conselho Federal também promoveu atividades sobre protagonismo negro, representatividade e reparação, com participação de representantes da advocacia e da sociedade civil.
Falar em representatividade pode parecer abstrato até a conversa chegar à vida real. Quem formula uma política pública, interpreta uma regra, ocupa um tribunal ou participa da direção de uma instituição também leva consigo experiências, referências e formas diferentes de enxergar desigualdades.
Foi nessa direção que a presidente da OAB-BA, Daniela Borges, chamou atenção para a necessidade de ampliar a presença de mulheres negras nos espaços de poder.

“Precisamos ter mulheres negras nos espaços de tomada de decisões para que a gente possa ter ações e políticas ainda mais efetivas na promoção da igualdade racial”, afirmou.
A discussão ganha peso num país em que raça e gênero ainda atravessam oportunidades de trabalho, renda, educação e acesso às estruturas de poder. Pra mim, o que mais chama atenção é justamente isso: uma discussão que parece institucional, de auditório e microfone, acaba chegando à mesa de casa, ao emprego, à universidade e ao balcão onde alguém tenta fazer um direito sair do papel.
A secretária-geral da OAB-BA, Cléia Costa, reforçou que, apesar de o Julho das Mulheres Negras partir das experiências e vozes dessas mulheres, o debate não diz respeito apenas a elas. É uma discussão que interessa à sociedade inteira.

O congresso da OAB-BA terminou, mas a pergunta colocada pelas próprias participantes continua em aberto: como transformar representatividade em poder de decisão e igualdade em experiência concreta?
O desafio agora é fazer com que a pauta racial não dependa apenas de julho, de uma premiação ou de um congresso anual. Democracia inclusiva não se mede pelo discurso mais bonito no palco. Ela aparece, de verdade, quando ninguém precisa pedir licença pra ocupar um lugar que também é seu.
Informação: Assessoria de Imprensa Ordem dos Advogados do Brasil Seção Bahia















