No início deste mês, pesquisadores do Projeto Guigó, uma iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, concluíram a primeira fase da coleta de dados realizada na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, unidade de conservação particular, localizada nos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, no Sul da Bahia.

Essa parte da pesquisa tem como objetivo analisar o potencial de densidade populacional da espécie em área considerada referência pela conservação do habitat, uma floresta primária; onde as alterações presentes são apenas aquelas provocadas pela natureza, sem histórico de desmatamento e de incêndios causados pela ação humana. A RPPN é também reconhecida pela UNESCO como Sítio do Patrimônio Mundial Natural.
Apesar de pouco conhecido, o macaco guigó que vive do Sul da Bahia, até Linhares/ES e chega ao nordeste de Minas Gerais já integra a lista de animais ameaçados de extinção da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN -International Union of Conservation of Nature)
Fábio Motta, pesquisador no IPÊ à frente do Projeto Guigó, coordenado por Maria Otávia Crepaldi, conta sobre os bastidores e a importância dessa fase da coleta. “Unimos observações de campo em resposta ao playback – técnica que utiliza pontos ao longo de trilhas para tocar o chamado do Guigó e avaliar a partir da resposta dos grupos, quantos indivíduos habitam a área. Dessa forma, obtivemos dados que representam avanços significativos na compreensão do território, de como o guigó vive nas condições ideais”. A estimativa é concluir a análise dos dados até outubro.
Para a equipe da Veracel, que autorizou a realização da coleta de dados na RPPN, apoiar essa pesquisa está repleto de significados. Marco Aurélio Barbosa Santos, coordenador da RPPN, afirma que, para a Veracel, apoiar o Projeto Guigó é reafirmar nosso compromisso com a conservação da biodiversidade. Receber os pesquisadores do IPÊ na nossa RPPN Estação Veracel, nos enche de orgulho e reforça a importância de proteger habitats como a floresta primária. Acreditamos que a ciência é uma aliada essencial para garantir o futuro das espécies e das próximas gerações.
Nos próximos meses, pesquisadores do IPÊ vão iniciar acoleta de dados na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Rio do Brasil, localizada em Porto Seguro/BA, com o mesmo foco na densidade populacional.
“Como essa é uma área de floresta secundária – onde a floresta está presente, mas já houve interferência humana, como o desmatamento, por exemplo, e desde então a floresta vem se regenerando – será possível comparar as duas realidades e entender como e de que forma as alterações do habitat têm o potencial de afetar a conservação da espécie no longo prazo”, esclarece Fábio.
Ciência Cidadã
Da janela de casa, muita gente não imagina, mas é possível contribuir e muito com pesquisas voltadas à conservação da biodiversidade. Os avistamentos do macaco guigó (Callicebus melanochir), por exemplo, feitos pela população, que vive entre Salvador/BA, Linhares/ES e Joaíma/MG são valiosos para pesquisadores do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicos. Até o momento, já são cerca de 40 registros que se transformaram em material para subsidiar a pesquisa científica.
Quem vive ou passa por uma área em que avista guigós, ainda pode participar. O formulário segue aberto até 28 de agosto pelo link: https://bit.ly/_guigo O projeto também tem utilizado como fonte, as fotos do iNaturalist, uma plataforma de ciência comunitária que consolida os registros dos usuários para utilização de cientistas, conservacionistas e pesquisadores ao redor do mundo.
Os resultados dessa fase inicial do projeto com foco na Ciência Cidadã serão apresentados pelos pesquisadores do IPÊ no Simpósio Engajando comunidades: A Ciência Cidadã como Aliada na Conservação de Primatas, em Foz do Iguaçu/PR. O evento integra a programação oficial do VI Congresso Latino-Americano de Primatologia, que será realizado de 30 de novembro a 05 de dezembro. “Vamos abordar os impactos que a ciência cidadã teve e continua tendo na conservação do Guigó”, pontua o pesquisador.
Chamado por Dados Técnicos
Profissionais, pesquisadores e estudantes também estão comprometidos com o projeto que vem reunindo dados técnicos com registros do guigó, ainda que o foco do trabalho tenha sido outra espécie. Até o momento, os pesquisadores do IPÊ contam com 57 registros. Essa ação é conhecida como Chamado por Dados Técnicos.São materiais produzidos tanto por pesquisadores, quanto por consultores e estudantes. Além de teses e artigos também fazem parte das publicações-alvo, inventários e relatórios de consultoria ambiental, incluindo materiais não publicados. Toda informação sobre a espécie conta, por mais sucinta que seja. Ainda dá tempo de enviar o seu material para: [email protected] com Assunto: “Guigó Detectado – Trabalho Acadêmico” até 15 de setembro.
Exemplos de trabalhos para o Chamado por Dados Técnicos
- Iniciação Científica
- TCC
- Mestrado
- Doutorado
- Levantamentos ambientais
- Inventários florestais, faunísticos ou ecológicos
- Outros estudos de campo
As áreas de estudo do trabalho deverão estar localizadas entre:
- O sul do Rio Paraguaçu, região Sul da Bahia;
- O norte do Rio Doce, em Linhares, extremo Norte do Espírito Santo;
- O extremo leste de Minas Gerais, entre Grão Mogol e o litoral.
Em caso da área de estudo não ter descrição formal e clara no projeto, as coordenadas do registro podem ser incluídas no corpo do texto do e-mail.
Parcerias
Maria Otávia Crepaldi, coordenadora do Projeto Guigó, destaca a importância das parcerias para avanços na conservação da biodiversidade. “Neste projeto fica muito evidente como as articulações com empresas e a mobilização da comunidade local são essenciais para a ciência. O acesso às duas áreas é primordial para coletarmos dados em dois contextos distintos, nossa análise será feita a partir delas. O compartilhamento de dados por pesquisadores e profissionais de campo têm viabilizado a consolidação de um banco de dados. Com a participação da comunidade, seja por meio da plataforma iNaturalist ou ainda do preenchimento do formulário, conseguimos saber onde o guigó está presente e as características desses fragmentos; dessa forma será possível entendermos quais ações são mais estratégicas para a conservação da espécie”.
Sobre a Veracel
Em 2026, a Veracel Celulose celebra 35 anos de uma trajetória marcada pela sustentabilidade e inovação na bioeconomia brasileira. Fruto de uma joint venture entre a brasileira Suzano e a sueco-finlandesa Stora Enso, a companhia integra operações florestais, industriais e de logística que resultam em uma produção anual média de 1,1 milhão de toneladas de celulose de fibra curta. Suas operações abrangem municípios do Sul da Bahia, e o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, gerando mais de 3,2 mil empregos próprios e de terceirizados.
Referência global em preservação ambiental, a Veracel é guardiã de mais de 100 mil hectares de áreas protegidas, incluindo a RPPN Estação Veracel, a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural de Mata Atlântica do Nordeste brasileiro, com pouco mais de 6 mil hectares. Além do protagonismo socioambiental no território, a companhia é reconhecida pela excelência em gestão de pessoas, sendo validada pela consultoria Great Place to Work (GPTW) como uma das melhores empresas para trabalhar no Brasil pelo 7º ano consecutivo. Mais informações em www.veracel.com.br















