
O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o acesso ao teste molecular DNA-HPV, uma tecnologia que permite identificar infecções pelo papilomavírus humano associadas ao desenvolvimento do câncer do colo do útero. O exame já começou a ser disponibilizado em municípios de 26 unidades da Federação, incluindo a Bahia, e representa um avanço na prevenção de uma das doenças que mais afetam a saúde das mulheres brasileiras.
A implantação ocorre de maneira gradual e, segundo o Ministério da Saúde, já foram coletadas 153 mil amostras entre 2025 e 2026. Somente neste ano, 93 mil exames foram processados, dos quais 9.904 apresentaram resultado positivo para tipos de HPV considerados de alto risco.
A principal vantagem do novo teste é identificar a presença do vírus antes mesmo do aparecimento de alterações celulares ou lesões que possam evoluir para o câncer. A tecnologia também permite reconhecer os tipos 16 e 18 do HPV, responsáveis por uma parcela significativa dos casos da doença.
Outra mudança importante está no intervalo entre os exames. Quando o resultado é negativo, a mulher pode realizar uma nova coleta após cinco anos, conforme as recomendações do protocolo de rastreamento. O método também reduz a ocorrência de amostras inadequadas e contribui para agilizar os resultados.
Bahia está entre os estados contemplados
A Bahia integra a lista das unidades da Federação que já receberam os materiais necessários para iniciar a nova estratégia. Entretanto, a disponibilização não significa que o exame esteja presente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do estado.
A implantação está sendo realizada progressivamente, conforme a organização das redes municipais de atendimento.
Em todo o país, apenas o Espírito Santo ainda não havia iniciado a realização dos exames na data do balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. A previsão é que o estado receba os materiais após a conclusão das etapas de organização local.
Apesar da chegada da nova tecnologia, o tradicional exame preventivo Papanicolau permanece disponível na rede pública de saúde.
O Ministério da Saúde destaca que o procedimento continua sendo uma ferramenta importante para identificar alterações nas células do colo do útero, especialmente nos municípios onde o teste molecular ainda não foi implantado.
A coleta do DNA-HPV é realizada por profissionais de saúde nas UBS. Em situações previstas pelo protocolo, também existe a possibilidade de autocoleta, mediante orientação profissional.
Os kits utilizados são produzidos pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP/Fiocruz).
Brasil pode registrar 19,3 mil novos casos por ano
O avanço do rastreamento ganha importância diante das estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O órgão projeta aproximadamente 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano no Brasil entre 2026 e 2028.
A doença está diretamente associada à infecção persistente por determinados tipos de HPV e pode evoluir silenciosamente durante anos.
Quando identificadas precocemente, as alterações precursoras podem ser tratadas antes de se transformarem em câncer. Nos casos em que a doença já está instalada, o diagnóstico em estágios iniciais aumenta significativamente as possibilidades de tratamento e cura.
É importante destacar que um resultado positivo para HPV não significa diagnóstico de câncer, mas indica a necessidade de acompanhamento conforme o protocolo clínico.
Vacinação é fundamental para prevenir a doença
Além do rastreamento, a vacinação contra o HPV continua sendo uma das principais estratégias de prevenção.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2025, o Brasil alcançou cobertura vacinal de 87% entre meninas e 74% entre meninos de 9 a 14 anos, superando a média mundial.
A vacina protege contra tipos do vírus associados ao desenvolvimento de diferentes cânceres e integra as ações de prevenção oferecidas pelo SUS.
Mesmo as pessoas vacinadas devem seguir as recomendações de rastreamento quando atingirem a faixa etária indicada.
Sintomas que merecem atenção
O câncer do colo do útero pode não provocar sintomas em suas fases iniciais. Por isso, a realização dos exames preventivos é essencial, mesmo na ausência de sinais da doença.
Entre os sintomas que exigem avaliação médica estão sangramento durante ou após a relação sexual, sangramento fora do período menstrual, sangramento depois da menopausa, dor durante a relação sexual e corrimento vaginal com sangue ou odor desagradável.
Em situações mais avançadas, também podem surgir dores na região pélvica ou lombar, cansaço intenso, alterações renais e inchaço nas pernas.
A orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde diante de qualquer alteração persistente ou suspeita.
Prevenção e acesso à informação
A ampliação do teste DNA-HPV representa um passo importante para reduzir os casos e as mortes provocadas pelo câncer do colo do útero no Brasil. Entretanto, o resultado da estratégia dependerá não apenas da disponibilidade dos exames, mas também da capacidade dos serviços públicos de garantir acompanhamento, investigação diagnóstica e tratamento às mulheres que apresentarem alterações.
Fonte: Ministério da Saúde, Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e Instituto Nacional de Câncer (INCA).
















