Flávio Bolsonaro admite não ter provas de fraude eleitoral

Em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo, senador questiona a vitória de Lula, evita explicar sua saída do Brasil e admite a possibilidade de disputar a Presidência em 2030.

Por Murillo Vazquez
08/11/2026

Publicado em -

NOTICIA OXAROPE0107NOV26_folha

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reconheceu que não possui provas de fraude na eleição presidencial de 2026, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A admissão ocorreu durante entrevista concedida ao jornalista Glenn Greenwald, em Miami, nos Estados Unidos, na quinta-feira (5), e publicada pela Folha de S.Paulo na sexta-feira (6).

Apesar de reconhecer a ausência de evidências, Flávio insistiu em questionar o resultado das urnas e afirmou que não pretende retornar ao Brasil enquanto considerar que não existem condições para enfrentar os processos judiciais que o envolvem.

Derrotado no segundo turno de 25 de outubro, Flávio Bolsonaro deixou o país após ser intimado pela Polícia Federal a cumprir medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Polícia Federal, os passaportes brasileiros do senador foram cancelados e houve determinação judicial para impedir sua saída do território nacional. O órgão informou, em 28 de outubro, que não havia registro oficial da saída do parlamentar pelos postos de controle migratório e que investigava as circunstâncias do caso. Polícia Federal

Na entrevista, Flávio afirmou que decidiu viajar com a família por temer uma perseguição política. Também se recusou a revelar quem o ajudou a chegar aos Estados Unidos ou como a viagem foi organizada.

Questionado sobre as suspeitas de fraude eleitoral, fez uma admissão que se tornou o principal ponto da conversa.

“Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”, declarou.

A afirmação sobre a suposta proibição de investigar não corresponde aos mecanismos de fiscalização previstos pela Justiça Eleitoral, que incluem auditorias, testes de integridade e acompanhamento por entidades fiscalizadoras.

O senador tenta sustentar dúvidas sobre uma eleição cujo resultado foi oficialmente anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

RESULTADO OFICIAL DO 2º TURNO DE 2026

Lula (PT)

51,79%

64.256.232 votos

Flávio (PL)

48,21%

59.826.041 votos

Diferença de 4.430.191 votos. Fonte TSE, resultado de 25 de outubro de 2026. Tribunal Superior Eleitoral

Um dos argumentos apresentados por Flávio envolve a prorrogação de duas horas no horário de votação, determinada pelo ministro Cristiano Zanin após relatos de dificuldades no transporte de eleitores.

O senador sugeriu que a medida poderia ter comprometido a apuração. Entretanto, dados divulgados pela Justiça Eleitoral apontam que apenas 34.393 votos foram registrados depois das 17h, número insuficiente para alterar uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. Fato ou Boato

O próprio PL também solicitou a ampliação do horário de votação em determinados estados, conforme registrado na cobertura da entrevista pela Folha.

Durante a conversa, Glenn Greenwald questionou a falta de evidências e confrontou o senador com o desempenho eleitoral de seu próprio partido.

O jornalista observou que candidatos da direita conquistaram resultados expressivos no primeiro turno, levantando uma questão sobre a lógica de uma suposta manipulação restrita à disputa presidencial.

Flávio respondeu que continua desconfiando da evolução da votação de Lula entre os dois turnos. Ainda assim, reconheceu que não pretende levar uma acusação de fraude à Justiça sem provas.

O senador afirmou que a estratégia jurídica do PL será questionar suposto abuso de poder político e econômico por parte da campanha de Lula, especialmente em razão de medidas sociais anunciadas pelo governo durante o período eleitoral. Essas acusações, porém, não equivalem a uma comprovação de irregularidade eleitoral.

Em outro momento, Flávio disse considerar a possibilidade de disputar novamente a Presidência em 2030, caso tenha apoio do partido. Também afirmou que apoiaria Jair Bolsonaro se o ex-presidente recuperasse seus direitos políticos e pudesse concorrer.

A entrevista revela uma contradição importante no discurso de Flávio Bolsonaro. O senador questiona a legitimidade do resultado eleitoral, mas admite não possuir provas que sustentem uma acusação de fraude.

Questionar procedimentos eleitorais é legítimo em uma democracia. Exigir transparência, apresentar recursos e solicitar fiscalização também são direitos de candidatos e partidos.

O problema começa quando a suspeita passa a ser apresentada ao público como explicação para uma derrota, sem elementos verificáveis que a sustentem.

Há outra questão relevante. Ao afirmar que as instituições brasileiras estão comprometidas, Flávio desconsidera que a própria Justiça Eleitoral responsável pelo pleito é presidida pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro.

O debate sobre a segurança das eleições merece seriedade, independentemente de quem vença. Isso exige critérios técnicos, acesso aos mecanismos legais de fiscalização e compromisso com os fatos.

Uma derrota eleitoral não comprova fraude. Da mesma forma, a confiança nas instituições deve continuar acompanhada de fiscalização e transparência.

A frase mais significativa da entrevista não foi a acusação de manipulação eleitoral, mas o reconhecimento de que o próprio candidato derrotado não tem provas para sustentá-la.

Fontes Folha de S.Paulo, Tribunal Superior Eleitoral, Polícia Federal e Justiça Eleitoral.

Mais recentes

Flávio Bolsonaro admite não ter provas de fraude eleitoral

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reconheceu que não possui provas de fraude na eleição presidencial de 2026,…

Enamed será exigido para CRM de novos alunos de medicina

A legislação transforma o exame em uma avaliação ao longo da formação. Serão três provas, ao final…

Jorge Maécio reafirma aliança com o grupo Carletto em encontro com a presidente nacional do PODEMOS

Em meio às movimentações e definições do cenário partidário, Jorge Maécio (@jorgemaecio ) reafirmou que seu compromisso…

Política de Apoio ao Cuidador Familiar é aprovada na Câmara Municipal de Eunápolis

Por iniciativa do vereador Josemar Nascimento (DC), o projeto de Lei 42/2026 foi aprovado na sessão ordinária…

Jerônimo celebra a cultura que traduz a identidade e a história do povo brasileiro

A cultura baiana não cabe em uma única expressão. Está presente na música, na dança, nas festas…

Flávio Bolsonaro admite não ter provas de fraude eleitoral

Em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo, senador questiona a vitória de Lula, evita explicar sua saída do Brasil e admite a possibilidade de disputar a Presidência em 2030.

Por Murillo Vazquez
08/11/2026 - 10h21 - Atualizado 8 de novembro de 2026

Publicado em -

NOTICIA OXAROPE0107NOV26_folha

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reconheceu que não possui provas de fraude na eleição presidencial de 2026, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A admissão ocorreu durante entrevista concedida ao jornalista Glenn Greenwald, em Miami, nos Estados Unidos, na quinta-feira (5), e publicada pela Folha de S.Paulo na sexta-feira (6).

Apesar de reconhecer a ausência de evidências, Flávio insistiu em questionar o resultado das urnas e afirmou que não pretende retornar ao Brasil enquanto considerar que não existem condições para enfrentar os processos judiciais que o envolvem.

Derrotado no segundo turno de 25 de outubro, Flávio Bolsonaro deixou o país após ser intimado pela Polícia Federal a cumprir medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Polícia Federal, os passaportes brasileiros do senador foram cancelados e houve determinação judicial para impedir sua saída do território nacional. O órgão informou, em 28 de outubro, que não havia registro oficial da saída do parlamentar pelos postos de controle migratório e que investigava as circunstâncias do caso. Polícia Federal

Na entrevista, Flávio afirmou que decidiu viajar com a família por temer uma perseguição política. Também se recusou a revelar quem o ajudou a chegar aos Estados Unidos ou como a viagem foi organizada.

Questionado sobre as suspeitas de fraude eleitoral, fez uma admissão que se tornou o principal ponto da conversa.

“Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”, declarou.

A afirmação sobre a suposta proibição de investigar não corresponde aos mecanismos de fiscalização previstos pela Justiça Eleitoral, que incluem auditorias, testes de integridade e acompanhamento por entidades fiscalizadoras.

O senador tenta sustentar dúvidas sobre uma eleição cujo resultado foi oficialmente anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

RESULTADO OFICIAL DO 2º TURNO DE 2026

Lula (PT)

51,79%

64.256.232 votos

Flávio (PL)

48,21%

59.826.041 votos

Diferença de 4.430.191 votos. Fonte TSE, resultado de 25 de outubro de 2026. Tribunal Superior Eleitoral

Um dos argumentos apresentados por Flávio envolve a prorrogação de duas horas no horário de votação, determinada pelo ministro Cristiano Zanin após relatos de dificuldades no transporte de eleitores.

O senador sugeriu que a medida poderia ter comprometido a apuração. Entretanto, dados divulgados pela Justiça Eleitoral apontam que apenas 34.393 votos foram registrados depois das 17h, número insuficiente para alterar uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. Fato ou Boato

O próprio PL também solicitou a ampliação do horário de votação em determinados estados, conforme registrado na cobertura da entrevista pela Folha.

Durante a conversa, Glenn Greenwald questionou a falta de evidências e confrontou o senador com o desempenho eleitoral de seu próprio partido.

O jornalista observou que candidatos da direita conquistaram resultados expressivos no primeiro turno, levantando uma questão sobre a lógica de uma suposta manipulação restrita à disputa presidencial.

Flávio respondeu que continua desconfiando da evolução da votação de Lula entre os dois turnos. Ainda assim, reconheceu que não pretende levar uma acusação de fraude à Justiça sem provas.

O senador afirmou que a estratégia jurídica do PL será questionar suposto abuso de poder político e econômico por parte da campanha de Lula, especialmente em razão de medidas sociais anunciadas pelo governo durante o período eleitoral. Essas acusações, porém, não equivalem a uma comprovação de irregularidade eleitoral.

Em outro momento, Flávio disse considerar a possibilidade de disputar novamente a Presidência em 2030, caso tenha apoio do partido. Também afirmou que apoiaria Jair Bolsonaro se o ex-presidente recuperasse seus direitos políticos e pudesse concorrer.

A entrevista revela uma contradição importante no discurso de Flávio Bolsonaro. O senador questiona a legitimidade do resultado eleitoral, mas admite não possuir provas que sustentem uma acusação de fraude.

Questionar procedimentos eleitorais é legítimo em uma democracia. Exigir transparência, apresentar recursos e solicitar fiscalização também são direitos de candidatos e partidos.

O problema começa quando a suspeita passa a ser apresentada ao público como explicação para uma derrota, sem elementos verificáveis que a sustentem.

Há outra questão relevante. Ao afirmar que as instituições brasileiras estão comprometidas, Flávio desconsidera que a própria Justiça Eleitoral responsável pelo pleito é presidida pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro.

O debate sobre a segurança das eleições merece seriedade, independentemente de quem vença. Isso exige critérios técnicos, acesso aos mecanismos legais de fiscalização e compromisso com os fatos.

Uma derrota eleitoral não comprova fraude. Da mesma forma, a confiança nas instituições deve continuar acompanhada de fiscalização e transparência.

A frase mais significativa da entrevista não foi a acusação de manipulação eleitoral, mas o reconhecimento de que o próprio candidato derrotado não tem provas para sustentá-la.

Fontes Folha de S.Paulo, Tribunal Superior Eleitoral, Polícia Federal e Justiça Eleitoral.

Mais recentes

Flávio Bolsonaro admite não ter provas de fraude eleitoral

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reconheceu que não possui provas de fraude na eleição presidencial de 2026, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT)….

Enamed será exigido para CRM de novos alunos de medicina

A legislação transforma o exame em uma avaliação ao longo da formação. Serão três provas, ao final do segundo, quarto e sexto anos. O resultado…

Jorge Maécio reafirma aliança com o grupo Carletto em encontro com a presidente nacional do PODEMOS

Em meio às movimentações e definições do cenário partidário, Jorge Maécio (@jorgemaecio ) reafirmou que seu compromisso político com o grupo liderado por Ronaldo Carletto…

Política de Apoio ao Cuidador Familiar é aprovada na Câmara Municipal de Eunápolis

Por iniciativa do vereador Josemar Nascimento (DC), o projeto de Lei 42/2026 foi aprovado na sessão ordinária desta quinta-feira, dia 05 de novembro e, quando…

Jerônimo celebra a cultura que traduz a identidade e a história do povo brasileiro

A cultura baiana não cabe em uma única expressão. Está presente na música, na dança, nas festas populares, na religiosidade, no artesanato e nos costumes…

ALBA celebra três anos da Procuradoria da Mulher em sessão especial

A Assembleia Legislativa da Bahia realiza, em 23 de novembro, às 15h, no Plenário Orlando Spínola, em Salvador, uma sessão especial pelos três anos de…

Neto Carletto recebe representantes do IFBA em Brasília

O deputado federal Neto Carletto (Avante-BA) recebeu, em Brasília, Gabriela e Fabiana, apresentadas pelo parlamentar como representantes do Instituto Federal da Bahia (IFBA), ligadas a…

ALBA aprova projeto de Cláudia Oliveira que reconhece Instituto Aganjú em Itapebi como de Utilidade Pública Estadual

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) aprovou, nesta terça-feira (3), o projeto de lei de autoria da deputada estadual Cláudia Oliveira (PSD) que reconhece o…

Em Brasília, Jerônimo assina convênio para transferência da gestão da Hidrovia do São Francisco à Codeba

A gestão da Hidrovia do Rio São Francisco passa a ser delegada à Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA), após a assinatura de…

Governo Federal prevê expansão dos Institutos Federais para mil unidades em todo o Brasil

O Governo Federal pretende ampliar a rede de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) para mil unidades em todo o país. A meta…

Rita Ramos toma posse no TRE-BA para o biênio 2026 a 2028

A juíza Rita de Cássia Ramos de Carvalho tomou posse como desembargadora eleitoral efetiva do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) nesta terça-feira (3), para…

Jerônimo busca novos investimentos em Brasília e reforça parceria com Lula para ampliar oportunidades na educação da Bahia

Governador se reuniu com o ministro da Educação nesta quarta-feira (4) e destacou a participação de mais de 437 mil baianos no Enem 2026, terceiro…

Comissão de Educação da Câmara de Eunápolis reuniu-se com representantes da APLB

Uma reunião entre a Comissão Permanente de Educação da Câmara e um grupo de professores grevistas da APLB/Sindicato foi formalmente autorizada pelo presidente da Casa,…

Michelle Bolsonaro ganha protagonismo político após derrota de Flávio e viagem aos Estados Unidos

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro e a posterior viagem do senador…

Lula deixa escolha de ministros para dezembro e exige apoio dos partidos no Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu deixar para dezembro a definição dos nomes que integrarão sua equipe ministerial no quarto mandato, que…

Rolar para cima