Bahia reduz taxa de analfabetismo para 9,5% em 2025

Por Murillo Vazquez
10/09/2026

Publicado em - -

XAROPE_EDUCAÇÃO_110SET26_10

A Bahia voltou a reduzir o analfabetismo em 2025, mas os números mostram que a caminhada ainda é longa. A taxa entre pessoas de 15 anos ou mais caiu para 9,5%, enquanto o Brasil chegou ao menor nível da série histórica, 4,9%. Ao mesmo tempo, o estado aparece com 427.888 matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), quase uma em cada cinco registradas no país.

Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua, mostram que o Brasil tinha 8,4 milhões de pessoas de 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever em 2025. A taxa nacional caiu de 5,3% em 2024 para 4,9% em 2025, ficando abaixo de 5% pela primeira vez desde o início da série atual, em 2016.

Na Bahia, o índice chegou a 9,5% em 2025. O levantamento divulgado a partir dos dados do IBGE aponta cerca de 1,145 milhão de baianos analfabetos, contra aproximadamente 1,174 milhão no ano anterior. Foram 29 mil pessoas a menos, uma redução de aproximadamente 2,5% no contingente em um ano.

Mesmo com a melhora, a taxa baiana continua quase duas vezes acima da média brasileira. A Bahia tinha, em 2025, a oitava maior taxa de analfabetismo do país e permanecia com o maior número absoluto de pessoas analfabetas entre os estados.

A dimensão do problema aparece com mais força quando se olha para a idade. Entre os baianos que não sabiam ler nem escrever, 62,7% tinham 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 718 mil idosos. Nessa faixa etária, a taxa de analfabetismo chegava a 28,5%, quase três em cada dez pessoas.

Também há diferenças importantes entre grupos da população. Em 2025, o índice era de 10,3% entre os homens e 8,8% entre as mulheres. Entre pessoas pretas ou pardas, chegava a 9,8%, enquanto entre pessoas brancas estava em 8,3%.

Por trás de uma taxa de 9,5% tem gente que depende de outra pessoa pra ler um aviso, preencher um cadastro, entender uma conta, acompanhar uma receita médica ou interpretar um contrato de trabalho.

É nesse ponto que a Educação de Jovens e Adultos ganha peso.

O Censo Escolar de 2025 contabilizou 2.252.069 matrículas na EJA em todo o Brasil, distribuídas por 29.696 escolas públicas e privadas. Desse total, 2.084.947 matrículas estavam na rede pública, cerca de 92,6% do conjunto nacional. As escolas públicas respondiam por 28.204 das 29.696 unidades com estudantes matriculados nessa modalidade.

O Nordeste concentra mais da metade desse universo. A região tinha 1.205.167 matrículas na EJA, aproximadamente 53,5% de todas as matrículas brasileiras, espalhadas por 16.901 escolas. Na rede pública nordestina eram 1.185.878 estudantes, atendidos por 16.753 escolas públicas.

E a Bahia chama atenção dentro desse mapa.

O estado registrava 427.888 matrículas na EJA em 2025, sendo 422.303 na rede pública. Isso significa que cerca de 98,7% dos estudantes baianos da modalidade estavam em escolas públicas.

Também eram 5.633 escolas baianas com matrículas na EJA, das quais 5.613 pertenciam à rede pública. Sozinha, a Bahia concentrava aproximadamente 19% de todas as matrículas da EJA do Brasil e mais de 35% das matrículas do Nordeste, segundo cálculo feito a partir dos números apresentados pelo Censo Escolar.

Pra mim, o número que mais pesa é esse encontro entre duas Bahias: uma que conseguiu baixar o analfabetismo e outra que ainda mantém mais de um milhão de pessoas do lado de fora de uma habilidade básica pra vida cotidiana.

O Ministério da Educação tenta aproximar justamente quem quer voltar a estudar das redes que oferecem vagas.

Uma das ferramentas é o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos, o CadEJA, plataforma criada dentro das ações do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA, o Pacto EJA.

O cadastro funciona como uma porta de entrada. A pessoa informa que deseja retomar os estudos, registra seus dados e passa a ser encaminhada para oportunidades de matrícula disponíveis na região. A plataforma informa ao usuário que o cadastro representa o primeiro passo para localizar uma escola e uma turma adequada.

Para voltar ao Ensino Fundamental, o interessado precisa ter 15 anos ou mais. Para o Ensino Médio, a idade mínima é de 18 anos.

O processo começa pela opção “Quero voltar a estudar”. Depois do preenchimento das informações, o cidadão aguarda o contato responsável por orientar o encaminhamento para uma vaga.

O sistema foi instituído pela Portaria nº 275/2026 e prevê quatro perfis de utilização: usuário, operador, agente de cadastro e gestor do CadEJA.

O usuário é quem procura uma oportunidade para retornar à educação básica.

O operador acompanha os pedidos registrados, entra em contato com os interessados e ajuda no encaminhamento para possíveis matrículas.

O agente de cadastro, que deve ser servidor público, auxilia principalmente quem encontra dificuldades para acessar a plataforma por conta própria.

Já o gestor CadEJA é indicado pelos governos estaduais, municipais, pelo Distrito Federal ou por instituições federais de ensino. Ele acompanha as demandas registradas e ajuda a relacionar quem procura uma vaga com as instituições que oferecem EJA.

Bahia concentra mais matrículas de EJA do que qualquer outro estado

Os números do Censo Escolar deixam claro o tamanho da rede baiana. Com 427.888 matrículas, a Bahia tinha mais que o dobro do total de São Paulo, que registrava 186.633 estudantes na EJA.

Entre os estados nordestinos, depois da Bahia apareciam Ceará, com 148.616 matrículas, Maranhão, com 134.643, Pernambuco, com 116.631, e Alagoas, com 108.630.

O quadro regional de matrículas em 2025 era o seguinte:

RegiãoEscolas com EJAMatrículasMatrículas na rede pública
Nordeste16.9011.205.1671.185.878
Sudeste5.027493.690459.438
Norte4.487255.014233.101
Sul2.287192.944118.872
Centro-Oeste994105.25487.658
Brasil29.6962.252.0692.084.947

Na própria Bahia, eram 5.633 escolas com EJA e 427.888 estudantes, números que ajudam a explicar por que qualquer política nacional de redução do analfabetismo inevitavelmente passa pelo estado.

A Bahia chegou a 2025 com o menor patamar recente de analfabetismo e uma rede de EJA que reúne mais de 427 mil matrículas. São avanços concretos. Ainda assim, 9,5% da população com 15 anos ou mais permanece analfabeta, e aproximadamente 1,145 milhão de pessoas continuam sem conseguir ler ou escrever um bilhete simples.

O dado melhora no gráfico, mas o desafio continua sentado à mesa de muita família baiana. Fazer essa taxa cair de verdade depende menos de comemorar décimos e mais de encontrar, matricular e manter na escola quem passou uma vida inteira esperando por essa oportunidade.

Fonte: IBGE/Ministério da Educação

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Bahia reduz taxa de analfabetismo para 9,5% em 2025

Por Murillo Vazquez
10/09/2026 - 17h29 - Atualizado 10 de setembro de 2026

Publicado em - -

XAROPE_EDUCAÇÃO_110SET26_10

A Bahia voltou a reduzir o analfabetismo em 2025, mas os números mostram que a caminhada ainda é longa. A taxa entre pessoas de 15 anos ou mais caiu para 9,5%, enquanto o Brasil chegou ao menor nível da série histórica, 4,9%. Ao mesmo tempo, o estado aparece com 427.888 matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), quase uma em cada cinco registradas no país.

Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua, mostram que o Brasil tinha 8,4 milhões de pessoas de 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever em 2025. A taxa nacional caiu de 5,3% em 2024 para 4,9% em 2025, ficando abaixo de 5% pela primeira vez desde o início da série atual, em 2016.

Na Bahia, o índice chegou a 9,5% em 2025. O levantamento divulgado a partir dos dados do IBGE aponta cerca de 1,145 milhão de baianos analfabetos, contra aproximadamente 1,174 milhão no ano anterior. Foram 29 mil pessoas a menos, uma redução de aproximadamente 2,5% no contingente em um ano.

Mesmo com a melhora, a taxa baiana continua quase duas vezes acima da média brasileira. A Bahia tinha, em 2025, a oitava maior taxa de analfabetismo do país e permanecia com o maior número absoluto de pessoas analfabetas entre os estados.

A dimensão do problema aparece com mais força quando se olha para a idade. Entre os baianos que não sabiam ler nem escrever, 62,7% tinham 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 718 mil idosos. Nessa faixa etária, a taxa de analfabetismo chegava a 28,5%, quase três em cada dez pessoas.

Também há diferenças importantes entre grupos da população. Em 2025, o índice era de 10,3% entre os homens e 8,8% entre as mulheres. Entre pessoas pretas ou pardas, chegava a 9,8%, enquanto entre pessoas brancas estava em 8,3%.

Por trás de uma taxa de 9,5% tem gente que depende de outra pessoa pra ler um aviso, preencher um cadastro, entender uma conta, acompanhar uma receita médica ou interpretar um contrato de trabalho.

É nesse ponto que a Educação de Jovens e Adultos ganha peso.

O Censo Escolar de 2025 contabilizou 2.252.069 matrículas na EJA em todo o Brasil, distribuídas por 29.696 escolas públicas e privadas. Desse total, 2.084.947 matrículas estavam na rede pública, cerca de 92,6% do conjunto nacional. As escolas públicas respondiam por 28.204 das 29.696 unidades com estudantes matriculados nessa modalidade.

O Nordeste concentra mais da metade desse universo. A região tinha 1.205.167 matrículas na EJA, aproximadamente 53,5% de todas as matrículas brasileiras, espalhadas por 16.901 escolas. Na rede pública nordestina eram 1.185.878 estudantes, atendidos por 16.753 escolas públicas.

E a Bahia chama atenção dentro desse mapa.

O estado registrava 427.888 matrículas na EJA em 2025, sendo 422.303 na rede pública. Isso significa que cerca de 98,7% dos estudantes baianos da modalidade estavam em escolas públicas.

Também eram 5.633 escolas baianas com matrículas na EJA, das quais 5.613 pertenciam à rede pública. Sozinha, a Bahia concentrava aproximadamente 19% de todas as matrículas da EJA do Brasil e mais de 35% das matrículas do Nordeste, segundo cálculo feito a partir dos números apresentados pelo Censo Escolar.

Pra mim, o número que mais pesa é esse encontro entre duas Bahias: uma que conseguiu baixar o analfabetismo e outra que ainda mantém mais de um milhão de pessoas do lado de fora de uma habilidade básica pra vida cotidiana.

O Ministério da Educação tenta aproximar justamente quem quer voltar a estudar das redes que oferecem vagas.

Uma das ferramentas é o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos, o CadEJA, plataforma criada dentro das ações do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA, o Pacto EJA.

O cadastro funciona como uma porta de entrada. A pessoa informa que deseja retomar os estudos, registra seus dados e passa a ser encaminhada para oportunidades de matrícula disponíveis na região. A plataforma informa ao usuário que o cadastro representa o primeiro passo para localizar uma escola e uma turma adequada.

Para voltar ao Ensino Fundamental, o interessado precisa ter 15 anos ou mais. Para o Ensino Médio, a idade mínima é de 18 anos.

O processo começa pela opção “Quero voltar a estudar”. Depois do preenchimento das informações, o cidadão aguarda o contato responsável por orientar o encaminhamento para uma vaga.

O sistema foi instituído pela Portaria nº 275/2026 e prevê quatro perfis de utilização: usuário, operador, agente de cadastro e gestor do CadEJA.

O usuário é quem procura uma oportunidade para retornar à educação básica.

O operador acompanha os pedidos registrados, entra em contato com os interessados e ajuda no encaminhamento para possíveis matrículas.

O agente de cadastro, que deve ser servidor público, auxilia principalmente quem encontra dificuldades para acessar a plataforma por conta própria.

Já o gestor CadEJA é indicado pelos governos estaduais, municipais, pelo Distrito Federal ou por instituições federais de ensino. Ele acompanha as demandas registradas e ajuda a relacionar quem procura uma vaga com as instituições que oferecem EJA.

Bahia concentra mais matrículas de EJA do que qualquer outro estado

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Entre os estados nordestinos, depois da Bahia apareciam Ceará, com 148.616 matrículas, Maranhão, com 134.643, Pernambuco, com 116.631, e Alagoas, com 108.630.

O quadro regional de matrículas em 2025 era o seguinte:

RegiãoEscolas com EJAMatrículasMatrículas na rede pública
Nordeste16.9011.205.1671.185.878
Sudeste5.027493.690459.438
Norte4.487255.014233.101
Sul2.287192.944118.872
Centro-Oeste994105.25487.658
Brasil29.6962.252.0692.084.947

Na própria Bahia, eram 5.633 escolas com EJA e 427.888 estudantes, números que ajudam a explicar por que qualquer política nacional de redução do analfabetismo inevitavelmente passa pelo estado.

A Bahia chegou a 2025 com o menor patamar recente de analfabetismo e uma rede de EJA que reúne mais de 427 mil matrículas. São avanços concretos. Ainda assim, 9,5% da população com 15 anos ou mais permanece analfabeta, e aproximadamente 1,145 milhão de pessoas continuam sem conseguir ler ou escrever um bilhete simples.

O dado melhora no gráfico, mas o desafio continua sentado à mesa de muita família baiana. Fazer essa taxa cair de verdade depende menos de comemorar décimos e mais de encontrar, matricular e manter na escola quem passou uma vida inteira esperando por essa oportunidade.

Fonte: IBGE/Ministério da Educação

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