
Uma delegação de empresários e representantes institucionais da Itália desembarca em Salvador na próxima segunda-feira, 14 de setembro, para discutir negócios e investimentos em transição energética. O encontro “Construir o Futuro” será realizado das 9h às 15h, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, a FIEB, no Stiep.
A agenda baiana faz parte de uma missão empresarial italiana que percorre o Brasil em setembro e reúne representantes de setores considerados estratégicos, entre eles energia, infraestrutura e indústria.
Segundo o material divulgado pela FIEB, a programação em Salvador terá seminário, apresentação de empresas italianas e encontros B2B, formato em que empresários dos dois países conversam diretamente sobre projetos, fornecedores, investimentos e possíveis parcerias.
A movimentação ocorre num momento diferente da longa espera que marcou as relações comerciais entre Mercosul e União Europeia. O Acordo de Parceria entre os dois blocos foi assinado em 17 de janeiro de 2026 e o acordo comercial provisório passou a ser aplicado em 1º de maio. Segundo o governo federal, o arranjo conecta um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas e PIB combinado superior a US$ 22 trilhões.
Isso ajuda a explicar por que empresas europeias estão olhando com mais atenção para o Brasil.
A Itália, em especial, colocou o país no radar de uma comitiva empresarial de grande porte neste mês. Reportagem da Folha de S.Paulo apontou que a delegação reúne cerca de 200 pessoas, incluindo aproximadamente 90 empresários, e tem na transição energética um dos seus principais eixos. A agenda prevê passagens por São Paulo, Brasília, Bahia e Ceará.
Na Bahia, o foco é bem direto: energia e infraestrutura sustentável.
Quando se fala em transição energética, a expressão pode parecer distante da vida comum, presa a apresentações de PowerPoint, relatórios e salas refrigeradas. Só que a conta desce rápido pra rua.
Estamos falando de novas usinas, redes de transmissão, equipamentos, tecnologia, formação de trabalhadores, contratos industriais e dinheiro circulando em cadeias que envolvem desde grandes empresas até prestadores de serviço.
A Bahia já tem peso no debate nacional sobre energia renovável e busca transformar essa posição em indústria, tecnologia e empregos. O desafio é não ficar apenas na condição de território onde os projetos são instalados e a energia é produzida.
Pra quem acompanha a economia baiana, o ponto que mais chama atenção é justamente esse: produzir energia limpa é importante, mas capturar aqui uma parte maior da riqueza gerada por essa nova economia é o passo mais difícil.
É aí que encontros empresariais desse tipo ganham importância.
Uma reunião não garante fábrica, contrato ou investimento. Mas aproxima quem tem tecnologia e capital de quem conhece o território, precisa de soluções ou procura parceiros locais.
A FIEB apresenta o encontro como uma oportunidade para mostrar às empresas italianas as competências e potencialidades da Bahia, além de abrir conversas sobre cooperação empresarial e investimentos.
O seminário terá como tema “Transição Energética na Bahia: Novas Oportunidades, Negócios e Investimentos”. Depois do debate institucional, a programação prevê a apresentação das empresas italianas e uma rodada de reuniões bilaterais.
Do lado italiano, existe uma razão econômica bastante concreta para ampliar essa ponte.
Matteo Zoppas, presidente da Agência ICE, responsável pela promoção do comércio exterior italiano, afirmou recentemente que estimativas de crescimento das exportações italianas ao Mercosul podem até estar subdimensionadas. A projeção citada pela Folha aponta potencial de € 14 bilhões adicionais em exportações da Itália para o bloco ao longo da próxima década.
O novo ambiente comercial criado entre União Europeia e Mercosul também mexe no cálculo das empresas. Desde maio, cronogramas de redução tarifária e outras regras comerciais do acordo provisório já começaram a produzir efeitos. A entrada em vigor definitiva ainda depende das etapas institucionais previstas no próprio acordo.
Ou seja, a aproximação em Salvador não acontece isoladamente. Ela faz parte de uma disputa maior por mercados, fornecedores, tecnologia e novos investimentos.
A Bahia tem uma carta forte na mão, mas precisa saber jogá-la.
Durante anos, a conversa sobre energia renovável esteve muito concentrada na capacidade de geração. Quantos parques eólicos, quantas placas solares, quantos megawatts. Isso continua relevante, claro. Só que a próxima corrida é mais complicada.
Quem vai fabricar os equipamentos? Quem vai desenvolver tecnologia? Onde estarão os centros de pesquisa? Quem será contratado para fazer manutenção? Quanto dessa cadeia ficará no estado?
São perguntas menos vistosas que a inauguração de uma grande usina, mas talvez sejam mais importantes pro bolso de quem vive aqui.
Uma missão empresarial estrangeira ganha valor quando ultrapassa a foto institucional e chega ao contrato, ao investimento produtivo e à transferência de conhecimento. A rodada B2B prevista pela FIEB pode ser justamente o trecho mais relevante da programação porque coloca empresas frente a frente, sem tanta cerimônia.
Também existe outro detalhe. A abertura comercial amplia oportunidades, mas aumenta a concorrência. Produto europeu chegando com menos barreiras pode significar tecnologia mais acessível pra indústria brasileira, mas também pode apertar empresas locais que não estiverem preparadas.
É uma avenida de mão dupla.
Por isso, a discussão sobre transição energética precisa caminhar junto com política industrial, inovação, qualificação profissional e capacidade de produzir aqui. Senão, a Bahia corre o risco de fornecer vento, sol e território enquanto boa parte do valor agregado continua viajando de avião.
A presença da delegação italiana em Salvador coloca a Bahia dentro de uma agenda econômica que está sendo redesenhada pela transição energética e pela aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia.
Agora vem a parte menos fotogênica e mais importante: transformar conversa em projeto, projeto em investimento e investimento em emprego, tecnologia e renda dentro do estado.
No fim das contas, energia limpa também precisa acender oportunidade na casa de quem mora aqui.
Serviço
Evento: Construir o Futuro, Seminário “Transição Energética na Bahia: Novas Oportunidades, Negócios e Investimentos” e Rodada de Negócios
Data: 14 de setembro de 2026, segunda-feira
Horário: 9h às 15h
Local: Auditório da FIEB, Rua Edístio Pondé, 342, Stiep, Salvador, BA
Inscrições: https://tinyurl.com/2d3zh3n9
















