A força do campo cresce na Bahia
Até novembro de 2025, o Banco do Nordeste já destinou R$ 2,2 bilhões à agricultura familiar baiana. O valor é equivalente a tudo que foi investido ao longo de 2024. A marca histórica revela a crescente valorização do setor, com mais de 160 mil agricultores beneficiados e uma presença expressiva das mulheres.

O anúncio foi feito pelo presidente do BNB, Wanger Alencar, em Salvador, durante o 2º Fórum Globo Rural de Agricultura Familiar, realizado no dia 12 de dezembro. A capital baiana sediou o evento pelo segundo ano seguido, reforçando seu papel como centro de debate sobre a agricultura no Nordeste.
Os recursos foram aplicados por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com destaque para o microcrédito rural Agroamigo. Em comparação com 2024, houve aumento de 7% no número de operações. A participação feminina também avançou. Neste ano, 53% do total foi destinado a agricultoras.
Wanger Alencar afirmou que o microcrédito produtivo e orientado é essencial para democratizar o acesso ao crédito. Segundo ele, isso tem impacto direto na permanência do agricultor no campo, pois permite às famílias investir com planejamento e adotar novas tecnologias.
Esse volume de crédito representa mais que números. É infraestrutura, comida na mesa e desenvolvimento para milhares de famílias. A Bahia tem 77% dos seus estabelecimentos rurais em regime familiar, segundo o IBGE. Isso mostra como a agricultura familiar é vital para a economia do estado.
O que mais me chama atenção é como o microcrédito, quando bem direcionado, se transforma em uma ferramenta de autonomia. Hoje, muitas mulheres que antes estavam fora do sistema financeiro se tornam protagonistas no campo e nas decisões da produção.
No fórum, o presidente do banco dividiu o palco com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. Também participaram a professora Ana Lúcia Carvalho, da UEFS, o líder comunitário Ícaro Rennê e Rubens Fróes, da União das Cooperativas.
A professora destacou a importância de políticas públicas estruturantes. Já Rubens afirmou que o Agroamigo vai além do crédito. Para ele, trata-se de garantir autonomia produtiva e dignidade no campo. Wanger Alencar reforçou que o BNB já aplicou mais de R$ 2 bilhões só na Bahia e que mais da metade foi para mulheres. Finalizou dizendo que a agricultura familiar é responsável por boa parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.
Enquanto o agronegócio exportador domina o noticiário com cifras bilionárias, a agricultura familiar segue firme, muitas vezes longe dos holofotes. É em pequenas propriedades que se produz arroz, feijão, hortaliças e também esperança.
A gente fala em crédito e números, mas por trás disso está a vida real. Escolas funcionando, famílias com renda, jovens permanecendo no campo. Essa iniciativa do BNB mostra que é possível fazer política pública com foco social e impacto direto. É disso que o Brasil precisa.
Com R$ 2,2 bilhões já aplicados, a Bahia vive um momento estratégico para fortalecer a agricultura familiar. Esse número recorde mostra que, quando há prioridade, o campo responde com produção, inovação e justiça social. Quem ganha com isso é toda a sociedade.


















