Formalização volta a crescer entre autônomos na Bahia após dois anos de queda

Por Murillo Vazquez
23/09/2026

Publicado em -

NOTICIA OXAROPE_ECONOMIA_1_23009_1

A formalização dos trabalhadores autônomos voltou a crescer na Bahia em 2025, depois de dois anos de queda. Dos 1,857 milhão de baianos que trabalhavam por conta própria, 257 mil tinham CNPJ. A taxa chegou a 13,8%, acima dos 12,2% registrados em 2024, mas ainda distante da média brasileira, de 27,1%.

Os dados fazem parte do módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, do IBGE.

O avanço da formalização foi expressivo em números absolutos. Em 2024, a Bahia tinha 195 mil trabalhadores por conta própria registrados no CNPJ. Um ano depois, eram 257 mil, aumento de 62 mil pessoas, ou 31,8%.

A taxa de formalização também reagiu, passando de 12,2% para 13,8%, crescimento de 1,6 ponto percentual.

Só que o retrato precisa ser visto por inteiro.

Mesmo com essa recuperação, pouco mais de um em cada dez trabalhadores por conta própria na Bahia tinha CNPJ em 2025. A proporção ainda não recuperou nem o nível de 2023, quando estava em 14,2%, muito menos o recorde da série, de 15,7%, registrado em 2022.

E a distância para o cenário nacional continua grande.

No Brasil, 7,081 milhões de trabalhadores por conta própria tinham CNPJ em 2025, o equivalente a 27,1% do total. Em 2024, eram 6,550 milhões, ou 25,7%.

Na prática, a taxa baiana de 13,8% era praticamente a metade da média brasileira.

Entre as 27 unidades da Federação, a Bahia ocupava a 20ª posição em formalização, ou a oitava menor taxa do país. Era a mesma colocação de 2024.

Santa Catarina aparecia no topo, com 41,4% dos autônomos formalizados, seguida por São Paulo, com 39,4%, e Distrito Federal, com 36,8%.

O trabalhador por conta própria virou personagem cada vez mais comum na economia baiana. É quem vende comida, presta serviço, trabalha com beleza, manutenção, transporte, comércio, tecnologia e uma infinidade de atividades que cabem nessa expressão meio ampla chamada de “autônomo”.

Em 2025, os 1,857 milhão de trabalhadores por conta própria representavam 28,5% de toda a população ocupada da Bahia. Quase três de cada dez pessoas trabalhando no estado estavam nessa condição.

Quando a formalização avança, parte desse enorme contingente passa a ter um empreendimento registrado, com possibilidade de emitir nota fiscal, acessar determinados serviços financeiros, contratar formalmente e estabelecer relações comerciais que exigem CNPJ.

Mas os números mostram que esse caminho ainda chega a uma parcela pequena dos trabalhadores.

Pra mim, o ponto que mais chama atenção é justamente esse contraste: o trabalho por conta própria ocupa um espaço enorme na economia baiana, mas o CNPJ ainda está longe da rotina da maioria dessas pessoas.

É uma situação fácil de reconhecer fora das planilhas. Está no motorista que trabalha pelo celular, na manicure que atende em casa, no vendedor que deixou a rua e passou a negociar pelas redes sociais, no pequeno prestador que vive de serviço em serviço.

A PNAD Contínua mostra outra característica importante. Na Bahia, as mulheres que trabalham por conta própria continuam proporcionalmente mais formalizadas do que os homens.

Em 2025, 95 mil mulheres autônomas tinham CNPJ, o equivalente a 15,3% delas. Um ano antes, eram 75 mil, com taxa de 13,5%.

O crescimento no contingente feminino formalizado foi de 26,4%, enquanto a taxa avançou 1,8 ponto percentual.

Entre os homens, o número de trabalhadores por conta própria com CNPJ passou de 121 mil para 161 mil, aumento de 33,1%. A taxa masculina, porém, avançou de 11,4% para 13,1%, crescimento de 1,7 ponto percentual.

Ou seja, apesar do aumento maior no número absoluto de homens formalizados, proporcionalmente as mulheres continuaram na frente.

Esse padrão aparece em quase toda a série histórica da PNAD Contínua na Bahia. Entre os anos pesquisados desde 2012, 2023 foi a única exceção em que a taxa masculina superou a feminina.

No Brasil, a diferença também apareceu em 2025: 29,3% das mulheres que trabalhavam por conta própria tinham CNPJ, contra 27,8% dos homens.

Os dados também ajudam a enxergar onde o trabalho está acontecendo.

Em 2025, 272 mil pessoas ocupadas no setor privado na Bahia trabalhavam em veículos automotores, incluindo carros particulares, veículos de aplicativos, táxis, ônibus, vans e caminhões.

Elas representavam 5,2% dos ocupados no setor privado, contra 5% em 2024. Tanto a quantidade de trabalhadores quanto a participação atingiram os maiores níveis da série histórica.

O crescimento conversa com uma mudança visível nas cidades. Carro e motocicleta deixaram de ser apenas meios de chegar ao serviço. Para muita gente, viraram o próprio local de trabalho.

Outro recorde apareceu dentro de casa.

A Bahia tinha 364 mil pessoas trabalhando na própria residência em 2025, ou 7% dos ocupados no setor privado. Eram 46 mil pessoas a mais do que em 2024, quando a proporção estava em 6,4%.

Foi o maior contingente em 12 anos.

Enquanto veículos e residências ganharam espaço, as ruas perderam.

O número de trabalhadores que exerciam suas atividades em vias ou áreas públicas caiu de cerca de 201 mil em 2024 para 156 mil em 2025, redução de 45 mil pessoas.

A participação desse grupo passou de 4% para 3% dos trabalhadores do setor privado e atingiu o menor patamar da série histórica.

Os números divulgados pelo IBGE desenham uma economia em transformação, mas com sinais que não caminham necessariamente na mesma direção.

A formalização dos autônomos aumentou. Ao mesmo tempo, o trabalho por conta própria continua fortemente presente e a maioria esmagadora desses trabalhadores permanece sem CNPJ.

Também mudou o espaço físico do trabalho. Há mais gente ganhando a vida dentro de veículos e dentro da própria casa, enquanto caiu o peso das ruas e áreas públicas.

O crescimento de atividades mediadas por aplicativos, serviços realizados a partir da residência e formas mais flexíveis de ocupação ajuda a dar contexto a esse cenário, embora os dados da pesquisa, isoladamente, não permitam atribuir toda a mudança a uma única causa.

É justamente aí que a estatística encontra o cotidiano. A economia do trabalho não está mudando apenas no contrato. Está mudando no endereço, na rotina e até no lugar onde a pessoa passa o dia.

Enquanto aumentou o número de trabalhadores por conta própria com CNPJ, a associação a sindicatos seguiu na direção contrária.

Em 2025, 532 mil trabalhadores baianos eram sindicalizados, o equivalente a 8,2% dos ocupados.

Em 2024, eram 623 mil, ou 9,9%.

A redução foi de 91 mil pessoas, queda de 14,6% no contingente de sindicalizados. A taxa recuou 1,7 ponto percentual e chegou ao menor nível da série histórica iniciada em 2012.

Entre os estados onde houve redução, a Bahia apresentou a segunda maior queda absoluta, atrás apenas de São Paulo, que perdeu 125 mil sindicalizados.

Também teve o segundo maior recuo proporcional, inferior somente ao de Rondônia.

No ranking nacional, a Bahia ficou com a 13ª maior taxa de sindicalização. Distrito Federal, com 16,3%, Piauí, com 15,4%, e Maranhão, com 12,2%, tinham os maiores percentuais.

As mulheres baianas continuaram mais sindicalizadas do que os homens, com taxas de 8,5% e 7,9%, respectivamente.

Só que a queda também foi mais forte entre elas. A proporção de mulheres sindicalizadas havia sido de 10,9% em 2024. Entre os homens, passou de 9,1% para 7,9%.

No Brasil, o movimento foi bem mais discreto: a taxa de sindicalização passou de 8,9% em 2024 para 8,8% em 2025.

Os números da Bahia contam duas histórias ao mesmo tempo.

A primeira é positiva: depois de dois anos de queda, mais trabalhadores por conta própria chegaram ao CNPJ. São 62 mil pessoas formalizadas a mais em apenas um ano. É um avanço que não deve ser desprezado.

A segunda história põe um freio na comemoração. Uma taxa de 13,8% ainda significa que mais de oito em cada dez autônomos baianos não tinham CNPJ.

E talvez esse seja o número que melhor traduza o tamanho do desafio.

A Bahia tem quase 1,9 milhão de trabalhadores por conta própria. Não estamos falando de um grupo pequeno ou periférico no mercado de trabalho. É uma parcela enorme de quem põe dinheiro em circulação, paga conta, sustenta família e mantém a economia funcionando todos os dias.

Também chama atenção o lugar onde esse trabalho passou a acontecer.

Veículo como local de trabalho em recorde. Trabalho dentro de casa em recorde. Trabalho nas ruas no menor nível da série.

É uma fotografia interessante da economia que vai surgindo diante dos olhos. O balcão pode ser uma tela de celular. O escritório pode ser a sala de casa. O local de trabalho pode ter quatro rodas e passar o dia cruzando a cidade.

Só que mudar o endereço do trabalho não resolve, por si só, os problemas de proteção, renda, estabilidade ou acesso à formalização.

A queda da sindicalização adiciona outra peça a esse quebra-cabeça. Num mercado com ocupações mais fragmentadas e trabalhadores cada vez mais espalhados entre casas, carros, pequenos negócios e serviços individuais, as formas tradicionais de representação também enfrentam dificuldade para chegar a quem trabalha.

A Bahia terminou 2025 com mais autônomos formalizados do que no ano anterior, mas ainda muito distante da média nacional e do próprio melhor resultado já alcançado pelo estado.

O dado de 13,8% mostra avanço. O restante da conta mostra o tamanho do caminho.

Quando quase três em cada dez trabalhadores ocupados vivem do trabalho por conta própria, entender como essas pessoas trabalham, onde trabalham e em que condições conseguem se formalizar deixa de ser assunto restrito às estatísticas. É parte central da discussão sobre emprego e renda na Bahia.

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Por Murillo Vazquez
23/09/2026 - 14h36 - Atualizado 23 de setembro de 2026

Publicado em -

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A formalização dos trabalhadores autônomos voltou a crescer na Bahia em 2025, depois de dois anos de queda. Dos 1,857 milhão de baianos que trabalhavam por conta própria, 257 mil tinham CNPJ. A taxa chegou a 13,8%, acima dos 12,2% registrados em 2024, mas ainda distante da média brasileira, de 27,1%.

Os dados fazem parte do módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, do IBGE.

O avanço da formalização foi expressivo em números absolutos. Em 2024, a Bahia tinha 195 mil trabalhadores por conta própria registrados no CNPJ. Um ano depois, eram 257 mil, aumento de 62 mil pessoas, ou 31,8%.

A taxa de formalização também reagiu, passando de 12,2% para 13,8%, crescimento de 1,6 ponto percentual.

Só que o retrato precisa ser visto por inteiro.

Mesmo com essa recuperação, pouco mais de um em cada dez trabalhadores por conta própria na Bahia tinha CNPJ em 2025. A proporção ainda não recuperou nem o nível de 2023, quando estava em 14,2%, muito menos o recorde da série, de 15,7%, registrado em 2022.

E a distância para o cenário nacional continua grande.

No Brasil, 7,081 milhões de trabalhadores por conta própria tinham CNPJ em 2025, o equivalente a 27,1% do total. Em 2024, eram 6,550 milhões, ou 25,7%.

Na prática, a taxa baiana de 13,8% era praticamente a metade da média brasileira.

Entre as 27 unidades da Federação, a Bahia ocupava a 20ª posição em formalização, ou a oitava menor taxa do país. Era a mesma colocação de 2024.

Santa Catarina aparecia no topo, com 41,4% dos autônomos formalizados, seguida por São Paulo, com 39,4%, e Distrito Federal, com 36,8%.

O trabalhador por conta própria virou personagem cada vez mais comum na economia baiana. É quem vende comida, presta serviço, trabalha com beleza, manutenção, transporte, comércio, tecnologia e uma infinidade de atividades que cabem nessa expressão meio ampla chamada de “autônomo”.

Em 2025, os 1,857 milhão de trabalhadores por conta própria representavam 28,5% de toda a população ocupada da Bahia. Quase três de cada dez pessoas trabalhando no estado estavam nessa condição.

Quando a formalização avança, parte desse enorme contingente passa a ter um empreendimento registrado, com possibilidade de emitir nota fiscal, acessar determinados serviços financeiros, contratar formalmente e estabelecer relações comerciais que exigem CNPJ.

Mas os números mostram que esse caminho ainda chega a uma parcela pequena dos trabalhadores.

Pra mim, o ponto que mais chama atenção é justamente esse contraste: o trabalho por conta própria ocupa um espaço enorme na economia baiana, mas o CNPJ ainda está longe da rotina da maioria dessas pessoas.

É uma situação fácil de reconhecer fora das planilhas. Está no motorista que trabalha pelo celular, na manicure que atende em casa, no vendedor que deixou a rua e passou a negociar pelas redes sociais, no pequeno prestador que vive de serviço em serviço.

A PNAD Contínua mostra outra característica importante. Na Bahia, as mulheres que trabalham por conta própria continuam proporcionalmente mais formalizadas do que os homens.

Em 2025, 95 mil mulheres autônomas tinham CNPJ, o equivalente a 15,3% delas. Um ano antes, eram 75 mil, com taxa de 13,5%.

O crescimento no contingente feminino formalizado foi de 26,4%, enquanto a taxa avançou 1,8 ponto percentual.

Entre os homens, o número de trabalhadores por conta própria com CNPJ passou de 121 mil para 161 mil, aumento de 33,1%. A taxa masculina, porém, avançou de 11,4% para 13,1%, crescimento de 1,7 ponto percentual.

Ou seja, apesar do aumento maior no número absoluto de homens formalizados, proporcionalmente as mulheres continuaram na frente.

Esse padrão aparece em quase toda a série histórica da PNAD Contínua na Bahia. Entre os anos pesquisados desde 2012, 2023 foi a única exceção em que a taxa masculina superou a feminina.

No Brasil, a diferença também apareceu em 2025: 29,3% das mulheres que trabalhavam por conta própria tinham CNPJ, contra 27,8% dos homens.

Os dados também ajudam a enxergar onde o trabalho está acontecendo.

Em 2025, 272 mil pessoas ocupadas no setor privado na Bahia trabalhavam em veículos automotores, incluindo carros particulares, veículos de aplicativos, táxis, ônibus, vans e caminhões.

Elas representavam 5,2% dos ocupados no setor privado, contra 5% em 2024. Tanto a quantidade de trabalhadores quanto a participação atingiram os maiores níveis da série histórica.

O crescimento conversa com uma mudança visível nas cidades. Carro e motocicleta deixaram de ser apenas meios de chegar ao serviço. Para muita gente, viraram o próprio local de trabalho.

Outro recorde apareceu dentro de casa.

A Bahia tinha 364 mil pessoas trabalhando na própria residência em 2025, ou 7% dos ocupados no setor privado. Eram 46 mil pessoas a mais do que em 2024, quando a proporção estava em 6,4%.

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O número de trabalhadores que exerciam suas atividades em vias ou áreas públicas caiu de cerca de 201 mil em 2024 para 156 mil em 2025, redução de 45 mil pessoas.

A participação desse grupo passou de 4% para 3% dos trabalhadores do setor privado e atingiu o menor patamar da série histórica.

Os números divulgados pelo IBGE desenham uma economia em transformação, mas com sinais que não caminham necessariamente na mesma direção.

A formalização dos autônomos aumentou. Ao mesmo tempo, o trabalho por conta própria continua fortemente presente e a maioria esmagadora desses trabalhadores permanece sem CNPJ.

Também mudou o espaço físico do trabalho. Há mais gente ganhando a vida dentro de veículos e dentro da própria casa, enquanto caiu o peso das ruas e áreas públicas.

O crescimento de atividades mediadas por aplicativos, serviços realizados a partir da residência e formas mais flexíveis de ocupação ajuda a dar contexto a esse cenário, embora os dados da pesquisa, isoladamente, não permitam atribuir toda a mudança a uma única causa.

É justamente aí que a estatística encontra o cotidiano. A economia do trabalho não está mudando apenas no contrato. Está mudando no endereço, na rotina e até no lugar onde a pessoa passa o dia.

Enquanto aumentou o número de trabalhadores por conta própria com CNPJ, a associação a sindicatos seguiu na direção contrária.

Em 2025, 532 mil trabalhadores baianos eram sindicalizados, o equivalente a 8,2% dos ocupados.

Em 2024, eram 623 mil, ou 9,9%.

A redução foi de 91 mil pessoas, queda de 14,6% no contingente de sindicalizados. A taxa recuou 1,7 ponto percentual e chegou ao menor nível da série histórica iniciada em 2012.

Entre os estados onde houve redução, a Bahia apresentou a segunda maior queda absoluta, atrás apenas de São Paulo, que perdeu 125 mil sindicalizados.

Também teve o segundo maior recuo proporcional, inferior somente ao de Rondônia.

No ranking nacional, a Bahia ficou com a 13ª maior taxa de sindicalização. Distrito Federal, com 16,3%, Piauí, com 15,4%, e Maranhão, com 12,2%, tinham os maiores percentuais.

As mulheres baianas continuaram mais sindicalizadas do que os homens, com taxas de 8,5% e 7,9%, respectivamente.

Só que a queda também foi mais forte entre elas. A proporção de mulheres sindicalizadas havia sido de 10,9% em 2024. Entre os homens, passou de 9,1% para 7,9%.

No Brasil, o movimento foi bem mais discreto: a taxa de sindicalização passou de 8,9% em 2024 para 8,8% em 2025.

Os números da Bahia contam duas histórias ao mesmo tempo.

A primeira é positiva: depois de dois anos de queda, mais trabalhadores por conta própria chegaram ao CNPJ. São 62 mil pessoas formalizadas a mais em apenas um ano. É um avanço que não deve ser desprezado.

A segunda história põe um freio na comemoração. Uma taxa de 13,8% ainda significa que mais de oito em cada dez autônomos baianos não tinham CNPJ.

E talvez esse seja o número que melhor traduza o tamanho do desafio.

A Bahia tem quase 1,9 milhão de trabalhadores por conta própria. Não estamos falando de um grupo pequeno ou periférico no mercado de trabalho. É uma parcela enorme de quem põe dinheiro em circulação, paga conta, sustenta família e mantém a economia funcionando todos os dias.

Também chama atenção o lugar onde esse trabalho passou a acontecer.

Veículo como local de trabalho em recorde. Trabalho dentro de casa em recorde. Trabalho nas ruas no menor nível da série.

É uma fotografia interessante da economia que vai surgindo diante dos olhos. O balcão pode ser uma tela de celular. O escritório pode ser a sala de casa. O local de trabalho pode ter quatro rodas e passar o dia cruzando a cidade.

Só que mudar o endereço do trabalho não resolve, por si só, os problemas de proteção, renda, estabilidade ou acesso à formalização.

A queda da sindicalização adiciona outra peça a esse quebra-cabeça. Num mercado com ocupações mais fragmentadas e trabalhadores cada vez mais espalhados entre casas, carros, pequenos negócios e serviços individuais, as formas tradicionais de representação também enfrentam dificuldade para chegar a quem trabalha.

A Bahia terminou 2025 com mais autônomos formalizados do que no ano anterior, mas ainda muito distante da média nacional e do próprio melhor resultado já alcançado pelo estado.

O dado de 13,8% mostra avanço. O restante da conta mostra o tamanho do caminho.

Quando quase três em cada dez trabalhadores ocupados vivem do trabalho por conta própria, entender como essas pessoas trabalham, onde trabalham e em que condições conseguem se formalizar deixa de ser assunto restrito às estatísticas. É parte central da discussão sobre emprego e renda na Bahia.

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