A indústria baiana respirou melhor em abril de 2026. O estado teve o maior avanço do país na passagem de março para abril, com alta de 3,0%, mas o bom resultado mensal ainda convive com uma queda forte no acumulado do ano.

A produção industrial da Bahia cresceu 3,0% em abril, na comparação com março, já descontados os efeitos sazonais. Foi o quarto mês seguido de alta no estado, desempenho acima da média nacional, que avançou 0,7% no mesmo período. Entre os 15 locais pesquisados pelo IBGE nessa comparação, a Bahia apareceu no topo.
O dado chama atenção porque não veio isolado. Na comparação com abril de 2025, a indústria baiana também voltou ao campo positivo, com avanço de 1,0%, depois de quatro meses seguidos de queda nesse tipo de leitura. Ainda assim, o resultado ficou abaixo do crescimento nacional, que foi de 2,7%.
A Pesquisa Industrial Mensal Regional acompanha o desempenho de curto prazo das indústrias extrativas e de transformação em estados selecionados e também na Região Nordeste. É um termômetro importante porque mostra não apenas se a indústria cresceu, mas onde esse movimento está acontecendo e quais regiões estão ficando para trás.
O avanço de abril foi puxado por dois movimentos. A indústria extrativa cresceu 17,8% frente a abril de 2025, enquanto a indústria de transformação teve alta discreta, de 0,2%. Dentro da transformação, só 3 das 10 atividades pesquisadas cresceram no estado.
O principal impulso veio da fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, que subiu 2,6%. Mesmo não sendo a maior alta percentual entre os ramos industriais, esse segmento pesa muito na estrutura produtiva baiana e, por isso, teve forte influência no resultado geral.

Também cresceram a fabricação de produtos alimentícios, com alta de 5,3%, e a fabricação de produtos químicos, que avançou 3,8%. Na outra ponta, a fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos caiu 42,3%, enquanto couros, artefatos de couro, artigos para viagem e calçados recuaram 12,0%.
Na análise nacional, o IBGE apontou que a indústria ainda sente os efeitos de juros elevados, que dificultam investimentos, embora o mercado de trabalho mais aquecido ajude a sustentar parte da demanda. O analista Bernardo Almeida, responsável pela pesquisa, também destacou o peso das indústrias extrativas no desempenho de vários estados.
A produção industrial baiana teve em abril seu melhor desempenho mensal no país, com crescimento de 3,0% frente a março e alta de 1,0% na comparação anual. O resultado devolve algum fôlego ao setor, especialmente com a força das indústrias extrativas e do refino de petróleo.
Mas o acumulado de 2026 ainda pesa. A queda de 4,6% nos quatro primeiros meses mostra que a recuperação precisa ser acompanhada com atenção. Abril foi um alívio, não uma virada definitiva.


















