Professores baianos deixarão de pagar IR a partir de 2026 após nova lei sancionada pelo governo federal

A Bahia está entre os estados mais impactados pela nova política tributária do Imposto de Renda. A partir de 2026, 51,2% dos professores da educação básica deixarão de pagar o tributo. Antes da mudança, esse percentual era de apenas 24,6%. O efeito da medida, segundo o Ipea, é comparável a um salário extra por ano.
A nova legislação do Governo Federal altera a faixa de isenção do Imposto de Renda. Quem ganha até cinco mil reais por mês ficará totalmente isento. Já quem recebe até sete mil e trezentos reais terá desconto nas alíquotas.
O estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostra o impacto imediato sobre o magistério. No Brasil, mais de 620 mil professores da educação básica ficarão isentos. A proporção de isentos passa de 19,7% para 51,6%. Na Bahia, o salto será de 24,6% para 51,2%.

Outros 18,5% dos docentes baianos terão redução na tributação. E o número de professores que pagam a alíquota máxima de 27,5% cairá de 51,5% para 30,3%.
A medida representa alívio direto no bolso dos professores. Quem ganha próximo ao piso nacional da categoria, de quatro mil oitocentos e sessenta e sete reais e setenta e sete centavos em 2025, terá isenção total. Antes, esse grupo pagava a alíquota máxima.
O ganho médio anual estimado para esses profissionais será de cinco mil e setenta e nove reais e oitenta e quatro centavos. É praticamente um 14º salário. Em tempos de inflação e custo de vida alto, essa diferença pode representar estabilidade e até permanência na carreira.
Segundo Paulo Nascimento, técnico do Ipea, o ganho financeiro representa uma conquista concreta para a valorização docente. Adriano Senkevics, também do Ipea, destaca que a rede privada sentirá mais fortemente o impacto. O motivo está na remuneração mais baixa.
Na rede privada, 82,2% dos professores ficarão isentos. Já na pública, o percentual é de 42,5%. A disparidade está ligada à estrutura salarial. No setor público, há maior homogeneidade e valores mais altos. Já nas escolas privadas, prevalecem salários baixos e jornadas parciais.
Quando o governo mexe na tabela do IR, parece que é apenas um ajuste técnico. Mas na vida real, isso significa comida na mesa, contas pagas, menos sufoco no fim do mês. A maioria dos professores brasileiros luta para manter o básico. Com essa mudança, muitos deixam de ver quase trinta por cento do salário indo embora.
É um passo na direção certa. Claro que não resolve todos os problemas do magistério. Ainda falta estrutura, valorização profissional e condições dignas de trabalho. Mas esse tipo de política mostra que é possível fazer justiça social também pelo sistema tributário.
A reforma do Imposto de Renda pode parecer um tema distante para a maioria das pessoas. Mas quando afeta diretamente quem forma as futuras gerações, ganha outra dimensão. Na Bahia, milhares de professores sentirão o impacto positivo no bolso e, com sorte, na dignidade de seguir ensinando.



















