Veja como o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, apresenta um novo modelo de segurança pública que alia firmeza policial, inteligência e políticas sociais, rompendo estigmas ideológicos.

Em entrevista à revista Veja, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), apresentou uma visão concreta e pragmática de segurança pública. Para ele, o tema não é de esquerda nem de direita, mas de método, e a estratégia do seu governo combina ação policial firme com investimento em inteligência e políticas sociais.Na Bahia, um dos estados com índices preocupantes de violência, Jerônimo Rodrigues, governador petista em seu terceiro ano de mandato, rompe com esse maniqueísmo e apresenta um projeto estruturado. Ele admite os desafios, como a violência e a presença de grupos organizados, mas afirma que batalha com planejamento e responsabilidade, não com slogans.
Com 370 municípios visitados em pouco mais de três anos de gestão, o governador reforça a importância de cooperação federativa, inteligência policial e presença do Estado nas áreas mais vulneráveis.
Para Jerônimo, a abordagem à segurança pública passa por quatro eixos principais
- Pulso firme contra o crime organizado, sem negar os números alarmantes da violência, a gestão baiana aposta em ações que unem investigação, inteligência e resposta efetiva da polícia
- Inteligência e formação, investimentos em tecnologia, bodycams (câmeras corporais) e treinamento contínuo das forças de segurança
- Transparência e controle externo, correições internas e mecanismos de controle para garantir que a atuação policial esteja dentro da legalidade
- Políticas sociais estruturantes, expansão de escolas integrais e acesso ampliado a serviços de saúde para comunidades mais afetadas pela violência
Com uma fala sintética, ele sintetiza seu posicionamento. “Bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça”. Ao mesmo tempo, ele rejeita a ideia de que a esquerda seja leniente. “O crime organizado tem armamentos potentes. O Estado também precisa ter para enfrentá-lo”
A postura de Jerônimo provocou debates nos círculos políticos e de segurança. Especialistas veem na proposta uma tentativa de resgatar o conceito de Estado protetor, não matador, ou seja, um poder público que garante segurança sem abrir mão do respeito à lei e aos direitos humanos.
Autoridades de segurança pública elogiaram o foco em inteligência e cooperação entre esferas federativas, especialmente após cortes de investimentos em programas estratégicos durante os anos do governo federal anterior, que segundo o governador fragilizaram estruturas essenciais.
Já no campo político, aliados destacam que o discurso pragmático contrasta com retóricas simplistas de adversários, enquanto críticos questionam a eficácia de certas propostas diante da urgência de resultados.
O que chama mais atenção na fala de Jerônimo é o equilíbrio entre firmeza e projeto de longo prazo. Em um país onde segurança pública frequentemente se reduz a polarizações retóricas, propor um caminho que combine ação policial eficaz com inteligência e políticas públicas estruturantes é um sinal de amadurecimento do debate.
No cotidiano das comunidades, é claro que quem mais sofre com a violência quer respostas imediatas. Mas também há a necessidade de olhar para as causas que alimentam o ciclo de crime, como pobreza, desigualdade e falta de oportunidades. A proposta baiana tenta, de fato, encarar tanto sintomas quanto raízes.
A entrevista de Jerônimo Rodrigues mostra um gestor disposto a desconstruir clichês e apresentar um plano de segurança pública que foge a simplificações ideológicas. Sua ênfase em método, transparência e presença do Estado sugere um novo caminho para a esquerda. Um caminho no qual polícia forte e inteligência caminham juntas, sem abrir mão de políticas sociais essenciais.


















