O governo federal decidiu transformar o enfrentamento ao crime organizado em política de Estado. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 15 de janeiro, pelo ministro da Justiça após reunião com autoridades dos Três Poderes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros, representantes do Judiciário, do Ministério Público e dirigentes de órgãos estratégicos para alinhar uma resposta institucional coordenada contra o avanço do crime organizado no país
A nova diretriz, segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, reconhece que ações isoladas não bastam para enfrentar grupos criminosos com atuação transnacional e alto poder financeiro
Órgãos como Polícia Federal, Receita Federal, Banco Central e Ministério Público atuarão em conjunto, respeitando suas competências, com foco em maior efetividade nas investigações, denúncias e decisões judiciais
A decisão marca um novo patamar na política de segurança pública. O combate ao crime organizado deixa de ser apenas uma ação de governo e passa a ser compromisso permanente do Estado brasileiro
Para alcançar resultados concretos, a estratégia prevê integração plena entre Executivo, Ministério Público e Judiciário, inclusive com cooperação internacional. O foco será também no enfraquecimento financeiro das organizações criminosas, atingindo suas lideranças e operações econômicas
É uma mudança de postura. O combate ao crime não será episódico nem reativo. Vai envolver inteligência, articulação federativa e atuação conjunta acima de disputas políticas
O ministro Wellington César Lima destacou que a proposta tem apoio do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do vice-presidente do STF, ministro Alexandre de Moraes, que defenderam a criação de um espaço permanente de cooperação
“O combate ao crime organizado precisa ser tratado como uma missão contínua, com respeito à Constituição e colaboração entre os Poderes”, afirmou o ministro
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ressaltou o papel da cooperação internacional, citando a apreensão histórica de quase 10 toneladas de drogas na Espanha, resultado de uma operação iniciada no Brasil
Ele também reforçou que o foco agora será a descapitalização do crime. A ideia é atingir o topo da cadeia, cortando o fluxo financeiro das organizações
O anúncio é um avanço necessário. O crime organizado cresceu porque o Estado demorou a reagir de forma coordenada. A iniciativa atual mostra que o governo entendeu a gravidade do problema e quer agir com estrutura, inteligência e cooperação
Mas o sucesso vai depender da continuidade, da blindagem contra interferências políticas e da capacidade de envolver os estados, que lidam diretamente com a violência nos territórios
O desafio é imenso. Mas reconhecer que não há solução isolada já é o primeiro passo
O governo Lula inicia uma nova fase no combate ao crime organizado. A transformação dessa pauta em ação de Estado é uma resposta institucional à altura de um problema que desafia a segurança e a democracia no país. O que está em jogo é o controle do território, da economia e da vida das pessoas


















