Fachin assume caso sobre Moraes e centraliza apurações no STF

Por Murillo Vazquez
12/09/2026

Publicado em - -

NOTICIA_OXAROPE_justiça111SET26_15

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, determinou neste sábado, 12 de setembro, que a relatoria da Petição 16.662 deixe o gabinete do ministro André Mendonça e passe à Presidência da Corte. Fachin também mandou remeter à Presidência as Petições 15.041 e 15.556, com todos os processos relacionados. A mudança ocorre em meio à discussão sobre o rito adequado para analisar informações policiais que alcançam integrante do próprio STF.

A decisão deste sábado é mais um capítulo de uma sequência de despachos que mexeu com a rotina e expôs divergências internas no Supremo nos últimos dias.

A Petição 16.662 nasceu a partir do desmembramento de informações que estavam na Petição 15.556. Segundo André Mendonça, o tratamento separado foi adotado depois que uma Informação de Polícia Judiciária, identificada como IPJ-A nº 3298613/2026, apontou pessoa cuja condição exigiria a aplicação do artigo 5º, inciso I, do Regimento Interno do STF.

Esse dispositivo estabelece competência do Plenário para processar e julgar, nos crimes comuns, entre outras autoridades, os próprios ministros do Supremo e o procurador-geral da República. Ou seja, quando a informação policial alcança uma autoridade desse nível, não se trata simplesmente de seguir uma investigação como se fosse um caso comum. O rito muda e a competência precisa ser observada.

Mendonça afirmou no despacho encaminhado à Presidência que a Pet 16.662 foi criada justamente para permitir que o material fosse submetido ao Plenário. Ele também registrou que havia liberado o processo para julgamento pelo colegiado em 6 de setembro.

Há outro dispositivo importante nessa discussão. O artigo 33, parágrafo único, da Lei Orgânica da Magistratura determina que, quando uma investigação encontra indícios da prática de crime por magistrado, a autoridade policial deve remeter os autos ao tribunal ou órgão competente para o julgamento, que passa a conduzir o procedimento.

Foi justamente nesse terreno delicado que Fachin entrou.

Em 9 de setembro, o presidente do STF já havia determinado a suspensão de procedimentos envolvendo potencial investigação contra integrantes da Corte e ordenado que esses casos fossem previamente encaminhados à Presidência. Naquela decisão, também suspendeu atos conflitantes relacionados ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobrestou temporariamente a Pet 16.662 e convocou sessão extraordinária do Plenário para 15 de setembro.

Agora, com a manifestação de Mendonça e outros documentos nos autos, Fachin avançou um passo. Determinou que a própria relatoria da Pet 16.662 seja transferida para a Presidência.

O despacho cita ainda a possibilidade de aplicação do artigo 144, inciso IV, do Código de Processo Civil. A regra prevê impedimento do juiz quando ele próprio, seu cônjuge, companheiro ou determinado parente é parte no processo. Fachin não declarou que o impedimento já existe. O texto fala expressamente em possibilidade decorrente do resultado da deliberação da Pet 16.662.

Como fundamento regimental, Fachin também mencionou o artigo 13, inciso XV, do Regimento Interno, que atribui ao presidente do STF a relatoria de arguição de suspeição apresentada contra ministro da Corte.

Essa diferença é importante: o despacho deste sábado trata de competência, relatoria e organização processual. Não é uma decisão sobre culpa, inocência ou validade definitiva das informações reunidas.

André Mendonça reagiu ao encaminhamento reafirmando que a criação da Pet 16.662 já tinha como objetivo cumprir as regras internas do Supremo e a Lei Orgânica da Magistratura.

No despacho reproduzido na decisão de Fachin, Mendonça argumenta que o tratamento autônomo das informações permitiria justamente que o Plenário analisasse o caso. Depois da ordem de 9 de setembro, porém, encaminhou os autos à Presidência.

A movimentação ocorre num momento em que diferentes ministros apresentam posições distintas sobre a forma e o momento adequado para o STF examinar o material.

Gilmar Mendes, por exemplo, havia defendido que Fachin assumisse a condução do processo, realizasse o saneamento e a instrução necessários e somente depois levasse uma questão claramente delimitada ao colegiado. O ministro também manifestou dúvidas sobre o estágio processual da Pet 16.662 e sobre quais pontos estariam maduros para julgamento.

A Procuradoria-Geral da República também levantou questionamentos sobre a formação do procedimento e sustentou, em manifestações anteriores, problemas na produção do relatório policial que deu origem à controvérsia. A própria Presidência do Supremo já havia registrado que a PGR opinou pela extinção da Pet 16.662.

Fachin, por sua vez, não acolheu no despacho deste sábado uma tese definitiva sobre o conteúdo das suspeitas. Sua decisão reorganiza o tabuleiro antes que o STF entre no mérito.

A sessão extraordinária para tratar da Pet 16.662 segue prevista para terça-feira, 15 de setembro. A convocação original foi feita para as 10h, em formato presencial.

O despacho de Edson Fachin deste sábado redesenha a condução de um dos casos mais delicados que chegaram ao Supremo nos últimos dias.

A Pet 16.662 sai da relatoria de André Mendonça e passa à Presidência. As Petições 15.041 e 15.556, com os processos relacionados, também devem ser encaminhadas ao presidente da Corte. O mérito das informações ainda terá de ser enfrentado.

Há suspeitas a serem examinadas, regras de competência a serem respeitadas e uma disputa jurídica sobre como o material foi produzido e deve ser tratado. Nenhuma dessas etapas, sozinha, equivale a condenação ou absolvição.

Mais recentes

Tartaruga marinha identificada há nove anos volta a desovar na mesma praia do Sul da Bahia

Nove anos depois de ser identificada pela primeira vez, uma tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) voltou a ser registrada…

Prefeitura de Eunápolis esclarece negociações com professores

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação, divulgou nesta quinta-feira (29) uma nota…

Eunápolis divulga resultado da etapa de seleção dos editais culturais da PNAB

A Prefeitura Municipal de Eunápolis, por meio da Secretaria de Esporte, Juventude, Cultura e Lazer, anuncia a…

Discriminação política na saúde pode ser denunciada pelo 136

A polarização política brasileira tem provocado discussões que ultrapassam as redes sociais e chegam aos ambientes de…

Um novo lar, uma nova história: 10ª Feira de Adoção acontece neste sábado

A Prefeitura de Porto Seguro realiza neste sábado (31) a 10ª Feira de Adoção de Cães e…

Fachin assume caso sobre Moraes e centraliza apurações no STF

Por Murillo Vazquez
12/09/2026 - 21h32 - Atualizado 12 de setembro de 2026

Publicado em - -

NOTICIA_OXAROPE_justiça111SET26_15

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, determinou neste sábado, 12 de setembro, que a relatoria da Petição 16.662 deixe o gabinete do ministro André Mendonça e passe à Presidência da Corte. Fachin também mandou remeter à Presidência as Petições 15.041 e 15.556, com todos os processos relacionados. A mudança ocorre em meio à discussão sobre o rito adequado para analisar informações policiais que alcançam integrante do próprio STF.

A decisão deste sábado é mais um capítulo de uma sequência de despachos que mexeu com a rotina e expôs divergências internas no Supremo nos últimos dias.

A Petição 16.662 nasceu a partir do desmembramento de informações que estavam na Petição 15.556. Segundo André Mendonça, o tratamento separado foi adotado depois que uma Informação de Polícia Judiciária, identificada como IPJ-A nº 3298613/2026, apontou pessoa cuja condição exigiria a aplicação do artigo 5º, inciso I, do Regimento Interno do STF.

Esse dispositivo estabelece competência do Plenário para processar e julgar, nos crimes comuns, entre outras autoridades, os próprios ministros do Supremo e o procurador-geral da República. Ou seja, quando a informação policial alcança uma autoridade desse nível, não se trata simplesmente de seguir uma investigação como se fosse um caso comum. O rito muda e a competência precisa ser observada.

Mendonça afirmou no despacho encaminhado à Presidência que a Pet 16.662 foi criada justamente para permitir que o material fosse submetido ao Plenário. Ele também registrou que havia liberado o processo para julgamento pelo colegiado em 6 de setembro.

Há outro dispositivo importante nessa discussão. O artigo 33, parágrafo único, da Lei Orgânica da Magistratura determina que, quando uma investigação encontra indícios da prática de crime por magistrado, a autoridade policial deve remeter os autos ao tribunal ou órgão competente para o julgamento, que passa a conduzir o procedimento.

Foi justamente nesse terreno delicado que Fachin entrou.

Em 9 de setembro, o presidente do STF já havia determinado a suspensão de procedimentos envolvendo potencial investigação contra integrantes da Corte e ordenado que esses casos fossem previamente encaminhados à Presidência. Naquela decisão, também suspendeu atos conflitantes relacionados ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobrestou temporariamente a Pet 16.662 e convocou sessão extraordinária do Plenário para 15 de setembro.

Agora, com a manifestação de Mendonça e outros documentos nos autos, Fachin avançou um passo. Determinou que a própria relatoria da Pet 16.662 seja transferida para a Presidência.

O despacho cita ainda a possibilidade de aplicação do artigo 144, inciso IV, do Código de Processo Civil. A regra prevê impedimento do juiz quando ele próprio, seu cônjuge, companheiro ou determinado parente é parte no processo. Fachin não declarou que o impedimento já existe. O texto fala expressamente em possibilidade decorrente do resultado da deliberação da Pet 16.662.

Como fundamento regimental, Fachin também mencionou o artigo 13, inciso XV, do Regimento Interno, que atribui ao presidente do STF a relatoria de arguição de suspeição apresentada contra ministro da Corte.

Essa diferença é importante: o despacho deste sábado trata de competência, relatoria e organização processual. Não é uma decisão sobre culpa, inocência ou validade definitiva das informações reunidas.

André Mendonça reagiu ao encaminhamento reafirmando que a criação da Pet 16.662 já tinha como objetivo cumprir as regras internas do Supremo e a Lei Orgânica da Magistratura.

No despacho reproduzido na decisão de Fachin, Mendonça argumenta que o tratamento autônomo das informações permitiria justamente que o Plenário analisasse o caso. Depois da ordem de 9 de setembro, porém, encaminhou os autos à Presidência.

A movimentação ocorre num momento em que diferentes ministros apresentam posições distintas sobre a forma e o momento adequado para o STF examinar o material.

Gilmar Mendes, por exemplo, havia defendido que Fachin assumisse a condução do processo, realizasse o saneamento e a instrução necessários e somente depois levasse uma questão claramente delimitada ao colegiado. O ministro também manifestou dúvidas sobre o estágio processual da Pet 16.662 e sobre quais pontos estariam maduros para julgamento.

A Procuradoria-Geral da República também levantou questionamentos sobre a formação do procedimento e sustentou, em manifestações anteriores, problemas na produção do relatório policial que deu origem à controvérsia. A própria Presidência do Supremo já havia registrado que a PGR opinou pela extinção da Pet 16.662.

Fachin, por sua vez, não acolheu no despacho deste sábado uma tese definitiva sobre o conteúdo das suspeitas. Sua decisão reorganiza o tabuleiro antes que o STF entre no mérito.

A sessão extraordinária para tratar da Pet 16.662 segue prevista para terça-feira, 15 de setembro. A convocação original foi feita para as 10h, em formato presencial.

O despacho de Edson Fachin deste sábado redesenha a condução de um dos casos mais delicados que chegaram ao Supremo nos últimos dias.

A Pet 16.662 sai da relatoria de André Mendonça e passa à Presidência. As Petições 15.041 e 15.556, com os processos relacionados, também devem ser encaminhadas ao presidente da Corte. O mérito das informações ainda terá de ser enfrentado.

Há suspeitas a serem examinadas, regras de competência a serem respeitadas e uma disputa jurídica sobre como o material foi produzido e deve ser tratado. Nenhuma dessas etapas, sozinha, equivale a condenação ou absolvição.

Mais recentes

Tartaruga marinha identificada há nove anos volta a desovar na mesma praia do Sul da Bahia

Nove anos depois de ser identificada pela primeira vez, uma tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) voltou a ser registrada em uma praia do Sul da Bahia. O…

Prefeitura de Eunápolis esclarece negociações com professores

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação, divulgou nesta quinta-feira (29) uma nota oficial esclarecendo pontos das negociações com a APLB…

Eunápolis divulga resultado da etapa de seleção dos editais culturais da PNAB

A Prefeitura Municipal de Eunápolis, por meio da Secretaria de Esporte, Juventude, Cultura e Lazer, anuncia a publicação do resultado final da etapa de seleção…

Discriminação política na saúde pode ser denunciada pelo 136

A polarização política brasileira tem provocado discussões que ultrapassam as redes sociais e chegam aos ambientes de trabalho, às relações familiares e aos serviços essenciais….

Um novo lar, uma nova história: 10ª Feira de Adoção acontece neste sábado

A Prefeitura de Porto Seguro realiza neste sábado (31) a 10ª Feira de Adoção de Cães e Gatos para Protetores Independentes. O evento será no…

SUS amplia teste para detecção precoce do câncer do colo do útero em 26 estados

O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o acesso ao teste molecular DNA-HPV, uma tecnologia que permite identificar infecções pelo papilomavírus humano associadas ao desenvolvimento…

“Ivete Clareou” faz segunda passagem por Salvador em novembro

Após passar por seis cidades brasileiras e a primeira data internacional, em Portugal, “Ivete Clareou” retorna a Salvador. O projeto de Ivete Sangalo, dedicado às…

Bahia Beer Festival aquece o turismo em Alagoinhas com cervejarias de mais de 30 países

O lançamento oficial do Bahia Beer Festival 2026 aconteceu, na noite de terça-feira (27), no restaurante Afrodisíaco, em Alagoinhas, na zona turística Caminhos do Sertão,…

Carta de Flávio não configura crime por si só, avalia Gustavo Sampaio

O professor Gustavo Sampaio avaliou, em entrevista ao vivo à GloboNews nesta quinta-feira (29), que a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro, que está nos…

Hospital Ortopédico do Estado da Bahia leva três projetos bem-sucedidos de Pediatria a congresso internacional em Portugal

Três projetos desenvolvidos e aplicados com sucesso no Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOEB), unidade pública gerida pelo Einstein Hospital Israelita, foram selecionados para…

Prefeitura de Eunápolis celebra Mês das Crianças com atividades no CRAS I – Pequi

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, realizou, na tarde desta quinta-feira (29), uma programação alusiva ao Mês das Crianças…

Cláudia Oliveira articula ações de combate à violência contra a mulher na ALBA

A deputada estadual Cláudia Oliveira (PSD) se reuniu com a vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputada Fátima Nunes (PT), para discutir ações de…

Deixe-me Viver: filme gravado em Trancoso terá pré-estreia nacional no Quadrado

O Quadrado de Trancoso voltará a ser cenário de “Deixe-me Viver”, desta vez para receber a pré-estreia nacional do filme, no sábado, 31 de outubro….

MEC Enem supera 1,1 milhão de alunos; Bahia é 3ª em cadastros

A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ganhou uma ferramenta que já entrou na rotina de mais de 1,1 milhão de estudantes…

Desmatamento cai ao menor nível da história na Amazônia e Cerrado

O Brasil registrou em 2026 as menores taxas de desmatamento da história na Amazônia e no Cerrado. Os resultados foram destacados nesta quarta-feira (28), durante…

Rolar para cima