
Os resultados preliminares das vagas reservadas no CPNU 2 foram divulgados nesta quinta-feira, 15 de janeiro. O concurso confirma a aplicação da nova Lei de Cotas e reforça o compromisso com a diversidade no serviço público
O Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2) entrou para a história como o primeiro a aplicar de forma integral a nova Lei de Cotas (Lei nº 15.142 de 2025). Ao todo, 35 por cento das vagas foram destinadas a ações afirmativas. A divisão incluiu 25 por cento para pessoas negras, 5 por cento para pessoas com deficiência, 3 por cento para indígenas e 2 por cento para quilombolas
Os resultados divulgados se referem à Fase IV do concurso e envolvem os procedimentos de verificação que confirmam o direito às vagas reservadas. No total, 15.903 candidatos participaram desta etapa
A divulgação desses resultados representa mais que uma etapa técnica. Ela confirma a seriedade na implementação de uma política pública de inclusão. Para quem acompanhou as transformações recentes no sistema de cotas, o CPNU 2 é o primeiro grande teste da nova legislação
Esse concurso é um marco porque amplia a presença de grupos historicamente excluídos e leva em conta até os cargos com uma única vaga, graças ao novo critério de sorteio implantado. Isso garante que a política de cotas não fique restrita a grandes cargos ou estruturas
Outro ponto importante é a manutenção da candidatura para quem não teve a condição confirmada. Essas pessoas não são eliminadas. Permanecem no certame e passam a disputar pela ampla concorrência, desde que tenham alcançado as notas mínimas
Foram analisadas 14.659 autodeclarações de pessoas negras, 634 de indígenas, 616 de quilombolas e 4.201 candidaturas de pessoas com deficiência. Todos os procedimentos seguem critérios definidos no edital e são analisados por comissões específicas, distintas daquelas que avaliaram a autodeclaração inicial
O modelo do CPNU 2 foi construído para garantir mais transparência e rigor técnico, sem abrir mão da garantia de direitos. As bancas envolvidas são independentes e os candidatos insatisfeitos com o resultado preliminar podem apresentar recurso até 19 de janeiro
O CPNU 2 não é apenas um concurso. Ele é uma janela para o futuro do serviço público. Pela primeira vez, vemos uma política de cotas que busca ser de fato abrangente, eficiente e justa
Num país marcado por desigualdades estruturais, garantir o acesso de negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência ao funcionalismo público não é favor. É reparação, é reconhecimento e é construção de um Estado mais plural
A ampliação das cotas e o cuidado com os critérios de validação mostram que o caminho da inclusão pode ser técnico e responsável. Isso precisa ser reconhecido e replicado
O CPNU 2 avança no desafio de tornar o serviço público mais representativo da sociedade brasileira. Os resultados preliminares das cotas mostram que é possível conciliar meritocracia com justiça social. E o concurso de hoje é o espelho de um Brasil mais diversos e mais justo

















