O comércio da Bahia perdeu ritmo em julho de 2026. As vendas caíram 1,2% frente a junho, mas, na comparação com julho do ano passado, avançaram 3,2% e completaram 16 meses seguidos de crescimento, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio, do IBGE.

Depois de dois meses consecutivos de alta, o varejo baiano voltou ao campo negativo na passagem de junho para julho. A queda de 1,2%, já descontados os efeitos sazonais, veio após avanços de 1,1% entre abril e maio e de 2% entre maio e junho.
O recuo foi mais forte que a média brasileira. No país, o volume de vendas caiu 0,8% em julho frente ao mês anterior. Vinte das 27 unidades da Federação tiveram resultado negativo nessa comparação. Os maiores tombos ocorreram em Tocantins e Amapá, ambos com -2,5%, e Mato Grosso, com -2,2%. No outro extremo, Espírito Santo cresceu 3%, Sergipe avançou 1,3% e Rondônia, 1,1%. Os números nacionais divulgados nesta terça-feira, 15 de setembro, confirmam a perda de fôlego do comércio no mês.
A fotografia muda quando a comparação é feita com julho de 2025. Nesse recorte, as vendas na Bahia cresceram 3,2%, mais que o dobro da média nacional de 1,2%.
Foi o 16º mês consecutivo de alta do varejo baiano nessa base de comparação. A sequência começou em abril de 2025.
A Bahia teve o oitavo melhor desempenho entre os estados. Espírito Santo liderou, com crescimento de 8,5%, seguido de Pernambuco, com 7,1%, e Acre, com 6,6%.
O movimento também aparece nos resultados acumulados. De janeiro a julho, o varejo baiano cresceu 3,6%, enquanto o Brasil avançou 1,8%. Nos 12 meses encerrados em julho, a Bahia acumula alta de 3,9%, contra 1,6% no país.
A queda de um mês não apaga a trajetória positiva do comércio baiano, mas acende uma luz sobre o ritmo das vendas. Julho interrompeu dois meses de expansão e mostrou que o consumidor continua escolhendo com cuidado onde coloca o dinheiro.
Quem segurou boa parte do resultado anual foram os supermercados. As vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram 5% em relação a julho de 2025.
Esse segmento pesa bastante no cálculo do varejo e, por isso, teve a maior influência positiva no resultado geral. Já são 11 meses seguidos de crescimento, desde setembro de 2025. No acumulado de 2026, a alta chega a 4,6%.
Outro destaque veio de artigos de uso pessoal e doméstico, grupo que inclui grandes varejistas on-line e lojas de departamentos. As vendas cresceram 14%, maior avanço entre as oito atividades pesquisadas no varejo restrito da Bahia.
Na prática, o dado conta uma história que aparece no cotidiano. Comida, itens da casa, compras pela internet e produtos de uso diário continuam movimentando dinheiro mesmo num cenário em que o consumidor pensa duas vezes antes de assumir gastos maiores.
Pra mim, o que chama atenção é justamente esse contraste: a estatística mostra crescimento no ano, mas o recuo de julho lembra que o caixa das famílias continua apertado e cada compra passa por uma conta mais demorada.
Cinco das oito atividades do varejo restrito baiano tiveram crescimento na comparação com julho de 2025.
Além dos supermercados e dos artigos de uso pessoal e doméstico, outros segmentos ajudaram a manter o indicador no azul. Mas houve baixas importantes.
O setor de livros, jornais, revistas e papelaria recuou 10,9%, terceira queda consecutiva, e exerceu a maior pressão negativa sobre o varejo estadual.
Móveis e eletrodomésticos também perderam vendas depois de terem registrado crescimento de 6,4% em junho. Já artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos caíram 0,9%.
No cenário nacional, móveis e eletrodomésticos também estiveram entre os segmentos que mais pressionaram o comércio em julho. O varejo brasileiro teve queda mensal de 0,8%, com cinco das oito atividades no vermelho.
Os números ajudam a separar duas realidades. De um lado estão compras recorrentes, especialmente alimentos. Do outro, produtos que normalmente exigem desembolso maior ou podem ser adiados, como móveis e eletrodomésticos.
O resultado da Bahia tem uma armadilha para quem olha apenas o sinal positivo ou negativo.
Dizer simplesmente que “o varejo caiu” não explica o cenário. Da mesma forma, anunciar apenas que “as vendas cresceram 3,2%” também deixa metade da história de fora.
Julho foi pior que junho, isso é fato. Mas julho de 2026 ainda foi melhor que julho de 2025. São comparações diferentes e cada uma responde a uma pergunta.
A queda mensal mostra perda de velocidade. Já a alta anual revela que o comércio continua operando num patamar superior ao observado um ano atrás.

O dado dos supermercados talvez seja o mais revelador. O segmento cresceu 5% e teve peso decisivo no resultado. É dinheiro passando pelo caixa em compras que, na maior parte das vezes, não podem esperar.
Já o tombo de 10,9% em livros, jornais, revistas e papelaria e a retração nos móveis e eletrodomésticos mostram outra face do consumo. Quando o orçamento fica apertado, algumas compras saem primeiro da lista.
Há ainda um movimento forte fora do varejo tradicional. No chamado varejo ampliado, que acrescenta veículos, material de construção e atacado especializado de alimentos, a Bahia teve pequena queda de 0,2% entre junho e julho, mas avançou expressivos 5,2% frente ao mesmo mês de 2025.
Nesse recorte, o atacado especializado em alimentos cresceu 21,4%, pelo nono mês consecutivo. Material de construção avançou 3,4%, e veículos, motos, partes e peças cresceram 1,8%.
No acumulado de janeiro a julho, o varejo ampliado baiano está 5,2% acima do mesmo período de 2025, resultado também superior ao brasileiro, de 1,9%.
Ou seja, o comércio baiano continua crescendo quando visto de uma distância maior, mas julho deixou um aviso no balcão: a expansão não ocorre em linha reta.
A Bahia chegou a julho com 16 meses consecutivos de crescimento das vendas na comparação anual e indicadores acumulados acima da média brasileira. É um resultado relevante.
Ao mesmo tempo, a queda de 1,2% frente a junho mostra que ainda não existe espaço para cantar vitória.
O varejo é uma espécie de termômetro do bolso. E, em julho, ele mostrou duas temperaturas ao mesmo tempo: um mercado mais forte que há um ano, mas um consumidor que ainda mede cada passo antes de abrir a carteira.
















