
O ponto central da crítica é que o problema não está apenas nos R$ 5,2 milhões recebidos pelo Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, de uma empresa de Lucas Kallas, ex-parceiro de Daniel Vorcaro. O incômodo maior está na própria existência de um instituto privado associado a um ministro do Supremo Tribunal Federal.
A função de magistrado exige distância, sobriedade e aparência clara de independência. Quando um ministro aparece ligado a uma entidade que recebe dinheiro público e privado, especialmente com pouca transparência sobre a origem desses recursos, a confiança pública fica abalada.
No caso do Iter, a situação ganhou peso porque reportagem da Folha apontou que o instituto recebeu R$ 11,5 milhões em 68 contratos sem licitação com órgãos públicos de 15 estados. Só em 2024, teriam sido 38 contratos, somando R$ 4,4 milhões. O instituto afirma que tudo seguiu a legislação e que não houve interferência de Mendonça nas contratações.
Mesmo assim, a questão ética permanece. Legalidade não resolve tudo. Um ministro do STF julga governos, bancos, empresas, partidos e autoridades. Por isso, qualquer estrutura privada ligada à sua imagem, com contratos públicos e recursos privados, precisa de transparência total.
A pergunta que fica é simples: por que um ministro do Supremo precisa ter um instituto? Enquanto essa resposta não vier de forma clara, documentada e pública, a suspeita continuará ocupando o espaço que deveria ser da confiança.















